segunda-feira, 29 de fevereiro de 2016

"Calote do governo pode quebrar bancos em 2018, diz fundador do antigo Pactual", por Portal "O Financista"

Vejam parte da entrevista do fundador e ex-Presidente do Banco Pactual, Luiz Cezar Fernandes, concedida ao Portal "O Financista"

Aqui, a entrevista completa:

http://www.financista.com.br/noticias/calote-do-governo-pode-quebrar-bancos-em-2018-diz-fundador-do-antigo-btg


Calote do governo pode quebrar bancos em 2018, diz fundador do antigo Pactual

 Notícia Publicada em 29/02/2016 09:24 

A O Financista, Luiz Cezar Fernandes afirma que há risco real de o governo não pagar dívida

SÃO PAULO – Luiz Cezar Fernandes fala baixo e pausadamente, embora sem timidez. Também gesticula com moderação e ri praticamente sem fazer barulho. Por isso, quem o visse atendendo a reportagem de O Financista, dificilmente imaginaria que, com aquela calma toda, o fundador do antigo Pactual e sócio de Jorge Paulo Lemann no lendário Garantia estava descrevendo um futuro horripilante para o Brasil. Até 2018, a dívida pública crescerá a uma velocidade tal que nem mesmo a inflação alta será capaz de corroê-la.

Só restará, então, uma saída para o Palácio do Planalto: decretar o calote oficial da dívida interna – e não apenas fazer cara de paisagem para o que os economistas chamam de “default branco”, aquele em que a dívida nominal é paga, mas já não vale nada, porque foi carcomida pela inflação. Como os bancos privados são os maiores compradores de títulos públicos, a moratória representará o risco real de quebrarem. O último ato está em aberto, mas a aposta é que os bancos falidos serão estatizados. “A dívida é pública; o banco vira público; e tudo se resolve”, resume, sem alterar a voz. “Esse é um temor concreto que tenho”, confessa.

Durante os 80 minutos de conversa, ele aludiu apenas uma vez a André Esteves, o técnico de informática que assumiu o controle do antigo Pactual, embrião do atual BTG Pactual, após liderar um motim dos sócios mais novos. Sem citar seu nome, limitou-se a dizer que “é errado tudo o que fizeram contra ele”, em referência à sua prisão pela Lava Jato.

Veja os principais trechos da conversa, que começou com um jantar no amplo casarão que se transformou em sede de sua empresa de consultoria, a Invixx, e terminou com Fernandes pitando o cachimbo – sua marca pessoal.

O Financista: Ao me receber, o senhor disse que, se eu enxergasse uma saída para o Brasil, mereceria parabéns. O senhor está pessimista?

Luiz Cezar Fernandes: (risos) Estamos em um beco quase sem saída. Destruímos praticamente todos os nossos instrumentos, inclusive por excesso de regulamentação, após 2008. Em grandes crises, os bancos sempre se defenderam comprando ativos reais, fossem ações ou imóveis. O ativo financeiro não é segurável na mão e está virando pó. Os bancos cumprem todos os índices de liquidez, mas o que seguram é uma pedra de gelo. Aí, vem a ideia de aumentar o tamanho das instituições financeiras. Só resolve aparentemente. Se você pensar em 2008, os quatro maiores bancos de investimento dos Estados Unidos eram monstruosos. Resolveu a crise? Não, muito pelo contrário: tornou-a mais rápida e aguda. Numa crise sistêmica, o Brasil tem apenas cinco bancos.

O Financista: Teria que flexibilizar as regras?

Fernandes: Sim. Deixar que cada um descubra uma defesa porque isso também ajuda a rearrumar a economia. Se o Bradesco e o Itaú pudessem comprar 10% de seu capital em ativos imobiliários, possivelmente, reergueriam o setor imobiliário.

O Financista: O senhor acha que a liquidez afogou a economia?

Fernandes: Não é isso. Não adianta concentrar liquidez em um lugar só; tem de irrigar. Quando se regula demais, ela empoça em apenas um lugar, que é o sistema financeiro. E ele só tem uma saída para escoá-la: dar crédito. Como não há coragem para isso, porque a economia está mal, só sobra comprar títulos públicos. Toda a liquidez bancária volta para a dívida pública. Então, você está me empurrando para o cadafalso. Acho que a taxa dada no Brasil e a situação macroeconômica vão nos levar a um default da dívida interna.

O Financista: O senhor acredita em um default explícito; não em um default branco, causado pela inflação. É isso?

Fernandes: Sim. A inflação já sustenta a tentativa de reduzir o déficit público. Só que são duas velocidades diferentes. A dívida pública já está crescendo a uma taxa longa de 16% ao ano. E a inflação está em 11%. Uma está de fusquinha e a outra está de Ferrari. Não tenho nenhuma dúvida de quem chegará primeiro (sorri). A velocidade da corrosão da moeda é muito inferior ao crescimento da dívida. Então, não adianta.

O Financista: Em quanto tempo, o senhor acredita que a dívida pública vai estourar?

Fernandes: Se você capitaliza a 16% ao ano, em cinco anos, dobrou a dívida. Certamente, nós chegaremos lá por volta de 2018. Antes disso, não. Mas, ali, em 2018, antes ou depois da eleição, estaremos nesse ponto.

O Financista: E, nesse momento, como ficará quem detém título público?

Fernandes: Ele estará 90% no sistema bancário. Como a permissão para deter títulos públicos é praticamente infinita, vai estar tudo ali, como aconteceu na Grécia. O título público não estava com o público, mas com os bancos privados.

O Financista: O senhor afirmou que, numa crise sistêmica, o Brasil só conta com cinco bancos. Vamos ver bancos quebrarem?

Fernandes: Se o governo não arrumar uma solução para a dívida pública, certamente. A solução vai ser típica. Nós já vimos isso e a Inglaterra tentou recentemente: estatizou todos os bancos... A dívida é pública. O banco vira público. Fica tudo resolvido. Então, as pedaladas fiscais, em vez de ficarem concentradas no Banco do Brasil, vão se espalhar por todo mundo. Divido a pedalada entre cinco. Esse é um temor concreto que tenho.

O Financista: Numa escala de zero a 100% de certeza, qual é a probabilidade de esse cenário acontecer?

Fernandes (após pensar um pouco, responde, em meio a uma risada): 62%, indo rapidamente para 70% [a porcentagem é uma alusão à evolução prevista para a dívida pública neste ano].

O Financista: Há como evitar isso até 2018?

Fernandes: Eu não consigo enxergar uma saída neste momento. Não é que não tenha saída. Existem várias. O problema é que não vejo, hoje, coesão política para implementar qualquer saída, seja a heterodoxa, seja a ortodoxa. Por isso, vamos ficar nessa inércia, esperando acontecer.

O Financista: Vamos supor que, amanhã cedo, a Dilma recupere a governabilidade e implemente as medidas, ou um novo governo assuma com apoio político. Ainda daria tempo de evitar o pior em 2018?

Fernandes: Não dá mais tempo, porque o curso já está dado. Agora, você só conseguiria evitar o pior, com um impacto muito forte. Um impacto a nível quase revolucionário, que foi o que assistimos com o Collor. O que tínhamos naquele momento? Um governo Sarney horroroso, que parecia não acabar nunca. A inflação perdida, a governabilidade comprometida... Para mim, Collor foi um revolucionário, e como tal, acabou morto. Você pode discutir se ele era corrupto ou não, mas, politicamente, ele morreu por liderar uma revolução. Fechou estatais, privatizou, abriu o mercado... Tem de aparecer um revolucionário para tomar as medidas cabíveis, seja impondo ou convencendo a população de que o remédio é amargo.

O Financista: A solução seria um ajuste de contas bem forte?

Fernandes: Sem dúvida nenhuma. Por exemplo: há dois anos, a Petrobras está com problemas. Não é só a Lava Jato. O preço do petróleo caiu. Nossas reservas em mar raso caíram. Não conseguimos explorar 100% do pré-sal. Qual é a solução? Vender ativos. Mas quanto vendeu até agora? Praticamente, nada. Agora, olhe para o setor privado. Quem precisou vender rapidamente... como o BTG Pactual... (faz uma pausa...) Não sei se é certo ou errado... acho que está errado tudo o que fizeram contra ele (em alusão ao ex-sócio e fundador do banco André Esteves, preso pela Lava Jato)... mas o fato é que eles tiveram que se ajustar. Já venderam R$ 8,5 bilhões em ativos desde 25 novembro, mais R$ 10 bilhões da carteira de crédito. A Petrobras não vendeu nada, porque não tem vontade política.

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O Financista: O senhor acha que, a esta altura, não adianta nada aumentar os juros?

Fernandes: Não adianta nada. Só aumentaria a recessão. Vivemos entre duas culturas. A primeira é a do Paul Volker [presidente do Federal Reserve entre 1979 e 1987]. Quando Reagan anunciou um plano maluco, Volcker pôs os juros em 21%. Quebrou o mundo todo, mas os Estados Unidos cresceram muitos anos, com pleno emprego, por causa do choque de expectativas. A outra é a cultura do Alan Greenspan [presidente do Fed de 1987 a 2006], feita de pequenos aumentos de 0,25 ponto. O que acontece? Nada. Ela é inodora, porque os agentes econômicos se antecipam às altas e às baixas. Taxa de juros é como corda: serve para rebocar, mas não para empurrar. Quando se vai puxar um carro, precisa de um tranco forte, caso contrário, vai demorar muito para ele se mexer, porque a corda deve antes ser esticada para dar tração. Acho que, se o Brasil, lá atrás, tivesse saído de 7% para 14% em um mês... todos parariam para consertar o que está errado. Mas chegamos lentamente aos 14% e ninguém está nem aí. Não tem o efeito de parar a música.

O Financista: Qual é a inflação que o senhor espera para 2016?

Fernandes: Acho que o piso está na casa dos 11%. Vamos chegar ao fim do ano beirando de 15% a 18%. Vai acelerar pela reindexação. A economia está toda indexada. Poderíamos reduzi-la significativamente durante os governos de FHC e Lula, mas isso não aconteceu. Então, quando você muda de patamar de inflação, é só dali para cima. Não se consegue descer, devido à indexação.


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O Financista: É voluntarioso acreditar que o dólar alto estimulará a exportação e isso reaquecerá a economia?

Fernandes: O câmbio, no passado, destruiu nosso parque industrial. Mas, agora, o câmbio não é capaz de recuperá-lo. Não adianta você me estimular com um bom preço no mercado, se eu não tenho capacidade de produzir. O ciclo de investimentos é longo. Pior do que isso, é não termos qualidade. Quem quer comprar produto vagabundo? Dez anos atrás, ninguém queria comprar produto chinês. Agora, quem tem restrição a eles? Esses economistas de Campinas [alusão à Unicamp] vivem dizendo que os trabalhadores lá ganham pouco, mas vá lá ver o salário médio. Talvez, a maioria dos operários já ganhe mais do que os nossos.

O Financista: Qual é o kit de sobrevivência que o senhor recomenda às empresas?

Fernandes: Você precisa escolher quem vai penalizar: os fornecedores, os funcionários ou o governo. Nos últimos anos, com o aumento dos impostos, quem financiou as empresas foi o governo. A inadimplência tributária deve estar muito alta, embora eu não tenha os números. Mas as empresas já estão no limite de se financiar via tributos. O segundo passo é renegociar com os bancos. Mas esse momento também já passou. O recurso atual é a recuperação judicial. Ninguém está disposto a reduzir dívida por amor; só pela dor. Não vejo nenhum empresário, principalmente na indústria, enxergar outra saída que não seja essa.

O Financista: Mas os bancos também passam por uma situação difícil e estão mais propensos a negociar, não?

Fernandes: Sem dúvida. Quando se trata de uma redução de 10%, 15% da sua dívida, ou uma redução na taxa de juros, não há problemas. Mas, a maioria das recuperações judiciais pede redução de dívidas de 50%. Há casos de até 80%. Isso não se faz pelo amor. Você só consegue via recuperação judicial.

O Financista: Falando um pouco de investimentos pessoais: o que o senhor recomendaria?

Fernandes: Dinheiro na mão é vendaval. Ou vai para o consumo, ou é levado pela inflação. Eu recomendaria que você fosse para ativos importantes: algum ativo imobiliário que, ao longo dos anos, vai ter seu valor corrigido; ou algumas boas empresas, bem geridas, que vão sobreviver a essa turbulência. Não são dezenas, mas há algumas em que se pode confiar.

O Financista: O senhor pode dar algum exemplo?

Fernandes: A Ultrapar é uma em que apostaria. Está fazendo um trabalho fantástico com a Ipiranga. É mais eficiente que BR Distribuidora e Shell. Tem também a Weg que, apesar de toda a turbulência, está aí navegando bem. É um pouco do que fizemos no Garantia, nos anos 80, quando começamos a comprar participações. Naquela altura, escolhemos Alpargatas, Brahma e Lojas Americanas. Foi uma bela defesa de capital para aquela época.

O Financista: Estamos no momento da renda fixa ou da renda variável?

Fernandes: Nem renda fixa, nem renda variável (risos). Acho que são posições específicas em renda variável. Uma, duas... cinco ações, no máximo. Se você ficar em renda fixa, vai perder o valor de seu dinheiro.

O Financista: Mesmo se for indexada à inflação?

Fernandes: Mesmo assim, porque a taxa do título complementar à inflação, que, no fundo, é o seu lucro, vai tender a zero. Há seis meses, o banco lhe pagava 97% do CDI. Você já estava sendo excluído do ganho, supondo que o CDI e a inflação andem sempre próximos, apenas para raciocinarmos. Se o CDI acompanha a inflação e estou ganhando 90% dele, estou ganhando apenas 90% da inflação. Já um imóvel pode não se valorizar no primeiro ou segundo ano; mas em algum momento, acaba se corrigindo. O mercado imobiliário oferece essa garantia. E, mais essas poucas empresas bem administradas, mas que são punidas por estarem no Brasil.

O Financista: O senhor recomendaria comprar dólar?

Fernandes: É um ativo que tende a se corrigir ao longo do tempo. O problema é que sua volatilidade sofre muito mais interferências. O mercado imobiliário depende exclusivamente de fatores internos. Com o dólar, você está sujeito a problemas na Rússia, na Síria, na Arábia, no Brasil. Teoricamente, o dólar, aqui, deveria estar muito mais deprimido, porque nossas reservas são absurdamente desproporcionais às nossas condições macroeconômicas, e é isso que nos segura um pouco, e impede que viremos uma Venezuela. Mas eu duvido que possamos administrar a volatilidade desse mercado.

O Financista: Mas o senhor enxerga o dólar a R$ 5?

Fernandes: Ele pode ir a R$ 5, R$ 6; R$7... porque, como disse, são muitas variáveis. Do ponto de vista macroeconômico, é muito simples justificar R$ 5. Do ponto de vista das reservas, porém, é quase impossível chegar nisso, porque o governo tem um canhão. A curva do dólar é um eletrocardiograma.



Bovespa em 29-02-2016

Abaixo, nada muito diferente em relação ao gráfico de ontem...

Há uma novidade em relação a LTB mais longa que já postei aqui semana passada....

Com o fechamento hoje em 42.800 pontos, alta, portanto, de 2,9%, o Bovespa encosta nessa LTB destacada logo abaixo, no primeiro gráfico. tempo SEMANAL

MME13 ainda cruzada pra cima MM21 no tempo diário, portanto, ainda em modo COMPRA no diário; também destaquei uma LTA no curtíssimo prazo, no tempo diário

Bovespa, SEMANAL, escala logarítmica



Bovespa, Diário, escala logarítmica







sábado, 27 de fevereiro de 2016

Bovespa - Final de Semana

Não falei muito do Bovespa na última semana.....então, vamos fazer uma revisão.....

No início da semana o Bovespa tentou ir na tão sonhada faixa de 44.000 pontos.....ainda uma ida bastante possível......na verdade, diria a faixa de 44.000-45.000

Bateu, na máxima da semana, 43.600....daí, depois voltou a cair...fechamento, ontem , sexta-feira, em 41.600

Abaixo, tem algumas coisas interessantes.

Hoje, o suporte mais forte no curtíssimo prazo é 41.000-41.200; no curto prazo, 40.000

Tem uma LTA curtinha vista no tempo diário...

Mais.....tem uma LTB que já destaquei outro dia....uma LTB um pouco mais longa, rompida em alguns dias, embora, no semanal, não rompida, como dá pra ver no gráfico SEMANAL, logo abaixo.

No tempo diário, MME13 cruzada pra cima sobre MME21, portanto, ainda em modo COMPRA no tempo diário

Suportes: 41.200-41.000, 40.500, 40.000, 39.000, 38.500
Resistências em 42,000, 42.500, 43.000 e 43.600



Bovespa, diário, escala logarítmica



Bovespa, SEMANAL, escala logarítmica




quarta-feira, 24 de fevereiro de 2016

"E assim vamos, aos trancos e barrancos, com as empresas endividadas, as lojas fechando, as famílias apavoradas e o PT vivendo cada dia sua agonia", por Eliane Cantanhêde, no Jornal "O Estado de São Paulo"

Excelente artigo, da Jornalista Eliane Cantanhêde, publicado hoje no jornal "O Estado de São Paulo"

http://politica.estadao.com.br/noticias/geral,a-pimenta-do-acaraje,10000017971


A pimenta do acarajé

Eliane Cantanhêde

24 Fevereiro 2016 | 05h 56
O mundo político, que já estava totalmente desequilibrado, virou de pernas para o ar com a prisão do marqueteiro João Santana. Se o processo de impeachment de Dilma Rousseff vinha esfriando sensivelmente no Congresso, o processo de cassação de mandato da presidente está fervendo no Tribunal Superior Eleitoral (TSE).

Há uma diferença fundamental entre um e outro. Pelo impeachment, a presidente cai e o vice Michel Temer assume plenamente, como ocorreu com Itamar Franco no afastamento de Fernando Collor. Pela cassação, a chapa Dilma-Temer cai e é convocada nova eleição num prazo de três meses.
A oposição se dividia entre as duas alternativas ao desastre na economia e ao impasse na política, mas a tese do impeachment perdeu força por três fatores: 1) governos, mesmo cambaleantes, ainda têm a arma da caneta e a munição dos cargos; 2) a presença de Eduardo Cunha na presidência da Câmara (e, portanto, do julgamento) inviabilizou o debate sobre o afastamento de Dilma; 3) Temer se expôs desnecessariamente e se desqualificou como o Itamar Franco da nova transição.

Sobrou a solução TSE, que tem uma vantagem e uma desvantagem sob o ponto de vista da oposição. Se é mais direta, objetiva e pode até ser mais rápida do que a interminável batalha política do impeachment no Congresso, a saída via TSE tem de ser decidida por apenas sete ministros, o que sempre pode gerar mais reação e questionamento entre os militantes e aliados do PT – o que, de resto, aconteceria, ou acontecerá, de qualquer forma.

Em comum, há um mesmo bode na sala tanto do impeachment quanto do processo de cassação, e esse bode tem cara, nome e contas milionárias no exterior: Eduardo Cunha. Como presidente da Câmara, ele comanda o processo de impeachment, mas no caso da cassação de mandato é bem pior: seria ele a assumir a Presidência da República até a posse do novo eleito.

Se ninguém gosta de pensar em Eduardo Cunha sendo a estrela do impeachment de Dilma ou de qualquer presidente que fosse, quem suportaria vê-lo presidindo o País por um único dia sequer, refestelado na cadeira mais importante de um País já tão traumatizado pela confluência maligna de crises? Seria o fim da picada.

Chegamos aí a uma conclusão nada fácil de ser digerida: caso as labaredas da prisão de João Santana façam mesmo ferver o processo de cassação contra Dilma-Temer, o TSE e o Supremo Tribunal Federal teriam de se acertar para traçar um cronograma de governabilidade e do menor trauma possível. Primeiro, o STF teria de tirar o bode Cunha da sala e da presidência da Câmara. Só depois o TSE poderia julgar qualquer coisa em relação à chapa Dilma-Temer.

Uma combinação assim não é nada fácil – e se vier a público é um escândalo em si, mas o fato concreto é que o entrosamento entre Supremo e TSE é direto, sem intermediários. Três ministros de um compõem o colegiado do outro: o presidente do TSE é Dias Toffoli, o vice é Gilmar Mendes e o terceiro é Luiz Fux.

A oposição venceu a primeira batalha quando o vice-procurador-geral eleitoral, Eugênio Aragão, fez parecer favorável à inclusão da provas da Lava Jato no processo contra a campanha do PT de 2014. A suspeita contra João Santana, por exemplo, é de que ele recebeu no exterior US$ 7 milhões provenientes de desvios da Petrobrás. (Ele nega)

E assim vamos, aos trancos e barrancos, com as empresas endividadas, as lojas fechando, as famílias apavoradas e o PT vivendo cada dia sua agonia. Enquanto o partido concentra energias para resgatar Lula, Dilma precisa desesperadamente salvar seu pescoço. Mas, se tentam correr cada um para o seu lado, há mais um entre tantos elos entre criador e criatura: João Santana, o “Patinhas”, o álcool no fogo do TSE, a pimenta do acarajé.

Com João Santana preso, o processo de cassação de Dilma ferve no TSE.




terça-feira, 23 de fevereiro de 2016

ADR VALE e sua LTB Longa

ADR VALE e sua LTB Longa

ADR Vale, negociada em Nova York, Semanal, escala logarítmica



Vamos, pra efeito de comparação, ao gráfico semanal da VALE5, Brasil; também com sua LTB Longa

 Vale5, , Semanal, escala logarítmica







"Descontos em negociação de imóveis aumentam e atingem 8,8% em dezembro", por Jornal "O Globo"

Matéria publicada no Jornal "O Globo" de hoje, 23-02-2016

http://oglobo.globo.com/economia/descontos-em-negociacao-de-imoveis-aumentam-atingem-88-em-dezembro-18726896


Descontos em negociação de imóveis aumentam e atingem 8,8% em dezembro

Segundo pesquisa FipeZap, 58% dos entrevistados esperam redução dos preços em 2016
POR LUÍS GUILHERME JULIÃO*

 23/02/2016 0:00

RIO - Quem pechincha na hora de comprar um imóvel está conseguindo melhores resultados. Levantamento feito pelo FipeZap mostra que, em dezembro de 2015, o percentual médio de descontos em negociações imobiliárias atingiu 8,8%, o maior patamar desde dezembro de 2013, quando a série foi iniciada. Já a quantidade de negociações feitas com desconto chegou a 77,9% do total, também o maior percentual registrado no período, com um aumento constante desde março de 2015.

O estudo considera que a demanda por imóveis no quarto trimestre de 2015 enfrenta "um quadro desafiador para o mercado", o que tem aumentado as expectativas de queda de preço para quem compra. Segundo o relatório, 58% dos que pretendem adquirir um imóvel disseram aguardar uma redução dos preços em 2016. O número só não é maior que o observado no terceiro trimestre de 2015, quando atingiu 61%, e tem refletido também na expectativa a longo prazo. Apenas 30% dos que planejam uma compra nos próximos 10 anos disseram acreditar em um aumento acima da inflação, a menor taxa desde que a pesquisa começou a ser feita.

O coordenador do índice FipeZap, Eduardo Zylberstajn, não se surpreende com o resultado. No ano passado, a Caixa Econômica Federal estabeleceu regras mais rígidas para financiamentos imobiliários, como o aumento da entrada de imóveis usados, que subiu de 20% para 50% e a elevação das taxas de juros.

— Isso é um pouco reflexo da situação atual e sem dúvida acaba afetando a demanda do mercado, que é prejudicada com a dificuldade de conseguir crédito. Um juro muito alto faz o vendedor ter pressa para vender o imóvel, porque quanto mais rápido ele vender, mais tempo vai ter para aproveitar esses juros altos — explica Zylberstajn.

O percentual de interessados em comprar um imóvel nos próximos três meses aumentou de 40% para 43% no último trimestre do ano, em relação ao período anterior, mas teve queda na comparação com o mesmo período de 2014, quando a taxa foi de 56%.

O coordenador destaca ainda a diminuição do percentual de pessoas que consideraram os preços altos ou muito altos no último trimestre do ano passado. No final de 2014, 88% das pessoas que pretendiam comprar imóveis tinham essa percepção, contra 84% dos que compraram. O ano de 2015 encerrou com esses índices caindo para 78% e 64%, respectivamente.


— O percentual de pessoas que entende que o preço está alto não está mais no pico, e parece que esse momento de queda nos preços já começa a ser percebido — avalia Zylberstajn.

Mesmo diante desses resultados, o percentual de investidores no mercado imobiliário residencial permaneceu praticamente constante ao longo do quarto trimestre de 2015, respondendo por cerca de 40% no acumulado em 12 meses. Já a porcentagem de entrevistados que declararam intenção em adquirir um imóvel nos próximos três meses elevou-se ligeiramente, passando de 40% na pesquisa anterior para 43% na atual.

(*Estagiário, sob supervisão de Andrea Freitas)




segunda-feira, 22 de fevereiro de 2016

Dow Jones e SP500 resvalam na MA50 e em pivots importantes

Dow Jones e SP500 resvalam na MA50 e em pivots importantes

MA50 do Dow Jones passando em 16.650 pontos...máxima de hoje em 16.660

MA50 do SP500 passando em 1,950 pontos,..máxima de hoje em 1.947

Dow Jones, diário, escala logarítmica



Dow Jones, SEMANAL, escala logarítmica

SP500, diário, escala logarítmica













Bovespa em 22-02-2015

Aumenta a expectativa em torno da melhora em curso do Bovespa.

Aqui no blog, mesmo com a forte perna de baixa em ação que vinha desde os 58.500, defendia um repique a partir dos 36.000.....

O Bovespa não foi lá.....parou mesmo nos 37.000...

Por outro lado, defendia o repique até a faixa de 44.000-45.000.

Hoje, na máxima o Bovespa bateu 43.350 pontos, rompendo, inclusive, a faixa anterior de 42.500.

Assim. o Bovespa ainda fica devendo uma ida até os 44.000.

Mesmo se olharmos uma outra LTB que resolvi traçar, exposta abaixo. Vejam que, eventualmente, nos "intradays", a LTB é rompida, pra no dia seguinte voltar pra baixo dela.

Do lado otimista, temos uma MME13 já cruzada pra cima sobre a MME21, portanto, em modo COMPRA no diário.

Histograma e MACD, ao abrirem a semana, já estão em modo COMPRA também no SEMANAL.

Índice já opera acima da MA50.

A faixa de 44.000-45.000 definitivamente é uma prova de fogo.....

Suportes em 42.800, 42.500, 42.000, 41.500, 41.000-41.200, 40.500 e 40.000
Resistências em 43.500, 44.000 e 45.000

Bovespa, diário, escala logarítmica



Bovespa, SEMANAL, escala logarítmica







"Carteira blog" vai se desfazer de mais 7,5% de VALE5 em sua posição de "COMPRA" a preço de mercado de 9,37 e tirar os stops de "BBDC4" e "ITUB4" em suas posições de "VENDA"

"Carteira blog" vai se desfazer de mais 7,5% de VALE5 em sua posição de "COMPRA" a preço de mercado de 9,37  e tirar os stops de "BBDC4" e "ITUB4" em suas posições de "VENDA"

Com a retirada de 15% de sua posição de COMPRA de "VALE5" e mais 7,5%, "Carteira blog" se desfaz já de 22,5%

Os stops de BBDC4 e ITUB4 nas posições abertas de "VENDA" na semana passada serão retirados.

Ainda falta ajustar "ITUB4" após o papel ter ficado "ex" semana passada

Portanto, às 15:45, a VENDA de "VALE5" se dará em 9,37 num total de 7,5%








"Campanha de Dilma vai à cadeia com Santana", por Josias de Souza, colunista de Política do portal UOL

Josias de Souza, colunista de Política do portal UOL, publicou um excelente artigo agora há pouco sobre o que representa a nova fase da "Operação Java Jato", apelidada de "Acarajé"

http://josiasdesouza.blogosfera.uol.com.br/2016/02/22/campanha-de-dilma-vai-a-cadeia-com-santana/


Campanha de Dilma vai à cadeia com Santana

Josias de Souza 22/02/2016 12:46


A ordem de prisão expedida pelo juiz Sérgio Moro contra o marqueteiro João Santana faz cintilar nos autos da Lava Jato uma pérola encontrada pelos investigadores no celular de Marcelo Odebrecht, preso em junho de 2015. Em mensagem endereçada a um executivo de sua empreiteira, Odebrecht anotou: “Dizer do risco cta [conta] suíça chegar na campanha dela.''

O “risco” insinuado no texto de Odebrecht é óbvio: parte dos serviços de marketing prestados à campanha de Dilma Rousseff pode ter sido liquidada com dinheiro roubado da Petrobras. Mais: os recursos de origem espúria foram enviados ilegalmente para o estrangeiro. Essa combinação de fatores como que arrasta para o centro do palco a Justiça Eleitoral.

A força-tarefa da Lava Jato informa que não investiga crimes eleitorais. Ocupa-se de delitos como corrupção e lavagem de dinheiro. Nesse contexto, João Santana desce à fogueira em posição análoga à de João Vaccari Neto, o ex-tesoureiro petista. Ou seja: recebeu verba roubada da Petrobras por conta dos vínculos com o PT. O que fazia Santana para o partido? Campanhas eleitorais, entre elas a presidencial.

Correm no Tribunal Superior Eleitoral processos que, em algum momento, podem resultar na perda dos mandatos de Dilma e do vice Michel Temer. Hipótese que levaria à convocação de novas eleições. Numa das ações alega-se que a chapa presidencial deve ser cassada porque foi eleita em campanha bancada com verba suja. Os ministros do TSE farão papel de idiotas se não examinarem o tema a sério.

De acordo com os investigadores, a Operação Acarajé, como foi batizada essa nova fase da Lava Jato, está escorada numa fartura de provas documentais. Em meio aos papéis, há uma carta da mulher e sócia de João Santana, Mônica Moura, cuja prisão também foi determinada por Moro. A missiva foi endereçada a Zwi Skornicki, apontado como operador de petropropinas.

Na carta, a mulher de Santana indica duas contas bancárias. Uma aberta em Nova York. Outra, em Londres. A Polícia Federal informa que ambas estão associadas a uma terceira conta, mantida na Suíça. Junto com as contas, Mônica enviou cópia de um contrato celebrado anteriormente com offshore vinculada à Odebrecht. Deveria ser usado como modelo para as remessas do operador Zwi.

Guiando-se pelos indícios, a turma da Lava Jato identificou repasses milionários ao casal da marquetagem. Com a ajuda da Receita Federal, farejou-se até a aquisição por João Santana de um apartamento de luxo em São Paulo com verba entesourada no exterior. Sérgio Moro já determionou o bloqueio do imóvel. Servirá para ressarcir o Estado em caso de eventual condenação.

Numa entrevista que concedeu em 2013, nas pegadas do ronco do asfalto, o mago do marketing do PT disse que “os protestos não podiam ser em relação a Dilma.” Nessa tentativa de interpretar a voz das ruas, Santana disse que madame estava a salvo da revolta porque seria “honesta”, teria “comando” e estaria “gerindo bem” o governo.

Nessa mesma conversa, conduzida pelo repórter Luiz Maklouf Carvalho, João Santana sapecou: “A Dilma vai ganhar no primeiro turno, em 2014, porque ocorrerá uma antropofagia de anões. Eles vão se comer, lá embaixo, e ela, sobranceira, vai planar no Olimpo.”

A vitória de Dilma foi apertada. Sem vocação para antropófagos, os “anões” Aécio Neves e Marina Silva aliaram-se no segundo turno. E o tucano bateu com o bico na trave. Dilma prevaleceu graças ao enredo ficcional que Santana criou na propaganda eleitoral. Junto com as urnas, abriram-se as barragens da fábula. Escorreram indicadores tóxicos: inflação, estagnação, desemprego e mais corrupção. Muita corrupção.

Já está claro que o discurso de João Santana —ela “é honesta”, “tem comando” e “está gerindo bem”— virou pó. A honestidade de Dilma, responsável legal pelas arcas de sua campanha, está sub judice no TSE. Seu comando revelou-se inexistente. E sua capacidade gerencial é do tamanho da cabeça de um alfinete. Resta saber o que será feito do mandato de Dilma. A campanha vitoriosa de 2014 receberá voz de prisão junto com o marqueteiro João Santana.

"Percentual de cheques sem fundo em janeiro deste ano é o maior desde 1991", por Jornal "O Globo"

Notícia publicada pelo Jornal "O Globo"

http://oglobo.globo.com/economia/percentual-de-cheques-sem-fundo-em-janeiro-deste-ano-o-maior-desde-1991-1-18722210


Percentual de cheques sem fundo em janeiro deste ano é o maior desde 1991

Indicador Serasa Experian registrou devolução de 2,41% do total de compensações

por O Globo

22/02/2016 11:05 / Atualizado 22/02/2016 12:19

São Paulo – Em janeiro deste ano, o percentual de devoluções de cheques por falta de fundos foi de 2,41% do total, segundo o Indicador Serasa Experian. É o maior patamar da inadimplência para um mês de janeiro de toda a série histórica, iniciada em 1991. Antes desta marca recorde, o maior valor para um mês de janeiro havia sido a devolução de 2,29% registrada em 2009.

No mês anterior, dezembro/2015, a devolução foi de 2,42%. Já em janeiro do ano passado, a devolução foi de 2,06%.

De acordo com os economistas da Serasa Experian, o nível recorde da inadimplência com cheques observado em janeiro deste ano é consequência direta do aprofundamento da recessão econômica, do aumento do desemprego e da queda do poder de compra da população.






domingo, 21 de fevereiro de 2016

Chegamos à fase "medo" da Bolha Imobiliária ?

As notícias ruins continuam a envolver o Brasil; dessa vez, um novo rebaixamento da nota de crédito do Brasil pela Standard & Poor's

Difícil imaginar se tais notícias vão parar no curto prazo.

A sensação é de "vazamento" por todos os lados; por mais que você consiga "tapar" um buraco aqui, outro ali aparece.

É dentro desse contexto, que voltamos a falar da "nossa" Bolha Imobiliária".

Tenho lançado vários gráficos em outros artigos que fazem algum tipo de intersecção com o tema "Bolha Imobiliária";

Falaremos deles mais tarde.

Finalmente o tema "Bolha Imobiliária" tem avançado nos meios de comunicação; matérias de TV e jornais que mostram desconto, distratos e reclamações têm aumentado

Já escrevi mais de 1 artigo sobre a suposta Bolha de Imóveis; aqui, lanço uma outra direção. Além de voltarmos a discutir o que levou os preços dos imóveis ao atual estágio, lanço a seguinte dúvida e pergunta:

Chegamos a fase "medo" da Bolha Imobiliária ?

Toda Bolha de Ativos é caracterizada por 3 fases: Euforia, Negação e Medo; a última dá início ao colapso do "ativo", o "estouro" propriamente dito

Abaixo, tratemos, de imediato, da visão macro do que entendo como "Bolha Imobiliária"

Em seguida, os pontos principais traduzidos quase que na totalidade em gráficos e tabelas.







A figura acima é o gráfico do índice "IVG-R", o índice produzido pelo Banco Central e que tem como objetivo refletir a evolução dos preços dos imóveis desde 2001.

Sobreposto ao gráfico, pontos que procuram, como disse acima, envolver todo o tema .

Apesar do índice indicar um aumento de cerca de 75% entre 2001 e 2007, reduzo a "Bolha", ou o extraordinário avanço dos preços dos imóveis , ao período 2007-2013, período da "EUFORIA"

Nesse período, o "IVG-R" sai de uma faixa de 170 para uma faixa de 550; cerca de 220% de aumento.

A Dinâmica da "nossa Bolha Imobiliária" carrega 2 vertentes: a interna, traduzida mais especificamente por meio dos retângulos azuis acima, e a externa, traduzida pelos pontos "soltos" no círculo verde.

Qual o significado ?

Os componentes externos agem de forma indireta; ainda que produzam efeitos em uma direção, como no caso da Bolha de Commodities, quando proporciona a "superescalada de preços" do minério de ferro, o que provoca um forte fluxo de capital; o forte fluxo inunda o mercado sob várias formas, a partir de uma simples visão "reação em cadeia". 

Quantitative Easing e"Política Monetária Frouxa" (taxas de juros reais negativas), componentes externos, por outro lado, produzem efeitos em várias direções; ao se depararem com taxas de juros reais negativas, os investidores direcionam seus "fundings"para vários mercados em busca de novos patamares de rentabilidade. Os fluxos se exacerbam e impulsionam, esgarçam e inflacionam os ativos ao redor do mundo. Aqui, acabam, em última análise, por distorcer os preços dos imóveis em algum ponto.

O Reflexo da Política Monetária Frouxa americana, por exemplo, pode ser vista na trajetória "surreal" dos títulos de 10 anos do tesouro americano vista no gráfico abaixo; trajetória essa que fez com que os títulos atingissem patamares abaixo do período "Pós-Guerra":


Títulos de 10 anos do Tesouro Americano, período 100 anos

Fonte: tradingeconomics.com


Os componentes internos são movimentos que, ora são iniciados pelo setor privado, ora pelo público.

Aqui, destacamos 4, particularmente; 1 deles, ilustro com o gráfico 

1-  A explosão do crédito, visto no gráfico abaixo:

Crédito em relação ao PIB

https://www3.bcb.gov.br/sgspub/consultarmetadados/consultarMetadadosSeries.do?method=consultarMetadadosSeriesInternet&hdOidSerieSelecionada=20622

Conceito, segundo "página Banco Central do Brasil"

"Relação percentual entre o saldo de crédito concedido pelo Sistema Financeiro Nacional e o valor do PIB acumulado nos últimos doze meses a valores correntes."



Saldo da carteira de crédito em relação ao PIB, período 10 anos

Fonte: Banco Central do Brasil



2 - Lançamento do Programa "Minha Casa Minha Vida", do Governo Federal

3 - Copa do Mundo e Olimpíadas

4 - A explosão dos IPO'S das Construtoras - período 2006-2008

Poucos são os textos ou pessoas que direcionam um olhar para o papel dos IPO'S das Construtoras sobre o avanço dos preços dos imóveis no Brasil.

Com o dinheiro em caixa, a partir do sucesso dos inúmeros IPO's, as Construtoras foram `"às compras" em busca de terrenos que possibilitassem a construção dos imóveis que suprissem a suposta e prevista forte demanda em potencial. A busca desenfreada e alucinante das inúmeras Construtoras certamente contribuiu para um novo rearranjo de preços dos terrenos disponíveis, movimento até então inédito. O novo rearranjo dos preços dos terrenos, naturalmente, mexeu com a estrutura de custos das recentes construções, abrindo igualmente um novo rearranjo de preços dos imóveis em si


Sob o "guarda-chuva" do que chamo de "RISCO ZERO MUNDIAL", indicativo capaz de "abraçar" os fatores internos e externos, ondas e interações produzidas por esses fatores  alimentam, ao longo de 2007-2013, um aumento no preço dos imóveis; 

Nada é capaz de conter o aumento; a "Euforia" se espalha, o sentimento emocional torna-se mais um ingrediente, e ninguém ousa a ir "contra a maré"; afinal, os preços vão "subir pra sempre".

O quadro não sofre um arranhão sequer, mesmo diante de indicadores que nos remetem para panoramas duvidosos de "risco x retorno"

Isso é possivel quando olhamos, por exemplo, para 3 deles:

 "yields" dos imóveis no Brasil em torno de 5,10% anual


Retorno anual (Gross Yields)
fonte: globalpropertyguide.com





Ou  quando esses mesmos "yields" refletem 20 anos de recuperação do "principal", abaixo refletido na relação "price/ratio"



 Relação "Retorno valor principal preço imóvel" (Price / Ratio)
(Expressa o número de anos para retorno do valor principal"
fonte: globalpropertyguide.com







Ou quando analisamos o aumento dos preços dos imóveis nos últimos 5 anos frente a países espalhados pelo mundo. Brasil, com o segundo maior aumento, 96%, atrás apenas do Peru

Aumento nos preços dos imóveis no últimos 5 anos
fonte: globalpropertyguide.com






O mundo começou a mudar......

Ou pelo menos, no âmbito interno, ali por volta de 2014, o Brasil começou a dar sinais medíocres.

Entretanto, falar de "Bolha Imobiliária" ainda parecia um tabu. 

Bolha ?

"Não há bolha"; pelo menos é o que a imensa maioria dizia.

O período "2014-2015" pareceu marcar um período de "NEGAÇÃO"......

"Não há motivo para pensarmos numa bolha de imóveis no Brasil", diziam.....

As razões?

Responde aqui, ali, acolá, e o resumo era sempre o mesmo:

"Há uma enorme "demanda reprimida" no Brasil.....imóvel é sempre um bom investimento"

A despeito da "NEGAÇÃO", os sinais insistiam em mostrar que a "tal demanda reprimida" não sustentava a "Euforia" anterior.

O mundo "RISCO ZERO" parece ter ficado pra trás.......

Vejam o gráfico TED, "spread" entre a taxa londrina Libor de 3 meses e os títulos do tesouro americano de 3 meses"

TED, Semanal, período 8 anos

TED, período 30 anos




Fatores externos ?

- Não temos mais QE
- O FED promoveu no final do ano passado o primeiro aumento das taxas de juros desde 2008
- A Bolha de Commodities estourou, e levou consigo a derrocada dos preços do minério de ferro, uma das grandes molas de sustentação do fluxo de dinheiro para o Brasil nos últimos anos; também levou junto o crash do preço do barril de petróleo, importante na rede que sustenta a cadeia "Petrobrás-fornecedores" no Brasil

Fatores internos ?

- Não temos mais os IPO's das Construtoras, responsáveis por encher seus "caixas"
- "Copa do mundo" se foi.....Olimpíadas, em 6 meses a ilusão tem fim....

Do lado do fluxo de dinheiro, há sinais por todos os lados que a farra acabou, seja pelo impacto provocado pelas ondas e interações dos já citados fatores externos, seja pelo impacto provocado pelas ondas e interações dos já citados fatores internos.

Crédito, PIB, Impostos, Taxa de desemprego e inflação, alguns dos componentes internos aqui levantados, interagem entre si moldando um cenário "auto-alimentador" negativo que mina a demanda em torno do imóvel.

Sem fluxo de dinheiro, a renda cai, o crédito cai, o desemprego sobe, a renda é novamente pressionada, arrecadação de impostos cai; o fluxo de dinheiro volta a cair, apertando mais o crédito, que volta a pressionar o emprego e a demanda, ampliando os efeitos que, num primeiro momento, pareciam de curto alcance.
Inflação alta por longo tempo passa a ser mais um ingrediente negativo nesse quadro negativo.

O aumento do Risco e a diminuição da forte liquidez mundial, que, também num primeiro instante era um vetor "motivador", passa a ser, agora, também consequência.da inércia negativa acima construída

Vamos a algumas das fotos dessa dinâmica:


- Crédito em colapso ? Vamos a 4 desses sinais.....

-  Percentual do total de provisões em relação a carteira de crédito do Sistema Financeiro Nacional (em vermelho)
fonte: Banco Central do Brasil


Indicador de condições de crédito: todos eles em forte queda

Grandes Empresas: Oferta observada (linha vermelha)
Crédito para Consumo: Oferta observada (linha azul)
Crédito para Habitação: Oferta observada (linha verde)

fonte: Banco Central do Brasil



-  Inadimplência da carteira de crédito total (em vermelho)

Em todos os níveis, há uma forte reversão de tendência verificada nos últimos 12-18 meses

fonte: Banco Central do Brasil




-  Percentual da carteira de crédito com atraso entre 15 e 90 dias - Total (em vermelho)

Em todos os níveis, há uma forte reversão de tendência verificada nos últimos 12-18 meses

fonte: Banco Central do Brasil





PIB em colapso ?

Variação anual do PIB
Fonte: tradingeconomics.com




Impostos em colapso ?


impostos, líquidos de subsídios, sobre produtos, período 1996-2015, plotado a partir de dados do IBGE em http://seriesestatisticas.ibge.gov.br/lista_tema.aspx?op=0&no=12&de=73



Inflação em alta por um período longo
Periodicidade mensal "anualizada"
Fonte: tradingeconomics.com



Os dados acima são alguns dos elementos que lanço mão para discussão, reflexão e questionamentos sobre a mudança de cenário que sustentou o aumento espetacular dos preços dos imóveis no Brasil.

Não há dúvida que o quadro é outro. Os pilares que moveram e mantiveram de pé o patamar "surreal" dos preços dos imóveis no Brasil são corroídos dia a dia, semana a semana, mês a mês.

O estágio final de uma Bolha de Ativos é caracterizado por medo, onde a porta de saída se mostra apertada; a consequência é uma queda forte e rápida de de seus preços.

Chegamos a esse ponto ?

A clara desaceleração, tanto em valores nominais, como em valores reais, dos preços dos imóveis no Brasil nos últimos meses, vista abaixo, pode nos dar alguma pista

Em valores reais, já visualiza-se uma queda não desprezível a partir do início de 2015, segundo a "globalproperty.com-Índice FIPE-ZAP"


Fonte: globalpropertyguide.com-FIPE-ZAP"














"Banqueiros, porém, estão cada vez mais preocupados com o crescimento da inadimplência. Já foram alertados por seus executivos que, do jeito que a coisa vai, o calote de pessoas físicas explodirá logo mais.", por Painel, jornal "Folha de São Paulo"

Da Seção "Painel"do Jornal Folha de São Paulo, hoje:

http://painel.blogfolha.uol.com.br/2016/02/21/cunha-pautara-projeto-que-aumenta-gasto-da-uniao-e-dara-relatoria-a-rival-de-aliado-de-picciani/

Será terrível

 Banqueiros, porém, estão cada vez mais preocupados com o crescimento da inadimplência. Já foram alertados por seus executivos que, do jeito que a coisa vai, o calote de pessoas físicas explodirá logo mais.




sábado, 20 de fevereiro de 2016

Bovespa - Final de Semana

Sem ainda tocar e falar do "EWZ", o "Bovespa operado pelos etrangeiros",vamos voltar a falar do Bovespa com o fechamento de ontem, sexta-feira.

Depois de resvalar na faixa 41.000-41.200 no intraday de quinta e ontem, Bovespa recuperou no finalzinho do pregão de ontem e ainda fechou em alta de 0,16%, a 41.540 pontos.

É uma faixa de resistência de intraday, pois a mais importante é a faixa de 42.000-42.500

Mas, olhando o gráfico diário abaixo, podemos ver uma LTB curta que vem lá de 48.750.....ontem, fechou "praticamente em cima"

Temos uma interessante MA50 que está ali por volta exatamente de 41,500.

Outro ponto interessante, é que ontem, a MME13 cruzou pra cima sobre a MME21, dando COMPRA no tempo diário , depois de 3 meses.

No entanto, as Médias Móveis têm funcionado mais, isto é, seus sinais nos cruzamentos têm se mostrado mais eficazes quando eles cruzam na VENDA. Talvez pelo claro e forte tendência de baixa do Bovespa nos tempos mais longos.

Por outro lado, fiquemos de olho.

Defendi lá atrás, mesmo quando o Bovespa foi perdendo os pivots de 42.000, 40.500, 40.000, que dificilmente ele perderia a faixa de 35.700-36.000 antes de algum forte repique; possivelmente até 44.000-45.000

O repique já foi até 42.500, sem ter tocado a faixa de 36.000; foi apenas nos 37.000.

Ainda é bastante possível a ida até os 44.000-45.000.

Resta saber qual a dinâmica que poderia levá-lo lá.

Será que vamos "direto"? Ou ainda precisaríamos de mais 30-60 dias mais cá embaixo pra ganhar força e buscar os 44.000-45.000 ?

De qualquer maneira, ainda defendo qque, depois desse repique, virá uma onda muito forte que levará o Bovespa pra faixa de 25.000-29.200


Suportes: 40.000, 39.000, 38.600, 38.000, 37.000
Resistências: 42.000, 42.500, 43.500 e 44.000


Bovespa, diário, escala logarítmica








sexta-feira, 19 de fevereiro de 2016

ADR's de Itaú e Bradesco em Nova York.....Diário e Semanal....Pivots e LTB's longas e curtas

ADR's de Itaú e Bradesco em Nova York.....Diário e Semanal....Pivots e LTB's longas e curtas


ADR Itaú em Nova York, Diário, escala logarítmica



ADR Itaú em Nova York, SEMANAL, escala logarítmica






ADR Bradesco em Nova York, Diário, escala logarítmica





ADR Bradesco em Nova York, Semanal, escala logarítmica










quarta-feira, 17 de fevereiro de 2016

Assim como o IBOV, o "IMAT"(índice de materiais básicos) faz um pullback na faixa de 1.200

Assim como o IBOV, o "IMAT"(índice de materiais básicos) faz um pullback na faixa de 1.200

IMAT, diário, escala logarítmica




IMAT, SEMANAL, escala logarítmica







Índice "IEEX" (Índice de Energia Elétrica) toca na máxima do dia sua LTB de 10 meses

Índice "IEEX" (Índice de Energia Elétrica) e sua LTB de 10 meses

IEEX, Diário, escala logarítmica



IEEX, SEMANAL, escala logarítmica









O "EWZ", o "Bovespa operado pelos estrangeiros", não rompe o "topinho anterior"....e é por isso que eu ainda acho que no médio prazo, o Bovespa ainda pode buscar a faixa de 44.000-45.000, mesmo que volte aos 37.000

O "EWZ", o "Bovespa operado pelos estrangeiros", não rompe o "topinho anterior", como fez o Bovespa hoje, quando rompeu a faixa de 41.500 e foi até a faixa de 42.500....e é por isso que eu ainda acho que no médio prazo, o Bovespa ainda pode buscar a faixa de 44.000-45.000, mesmo que volte aos 37.000

Ou seja.....o Bovespa deve voltar pra faixa de 37.000 nos próximos 45 dias...talvez até mesmo 36.000......mas poderia ainda voltar a faixa de 44.000.45.000, para, aí sim, vir pra baixo com uma perna de baixa alucinante em busca dos 25.000-29.200......

Tentarei falar mais no fim de semana...

Mas, quem acompanha o blog , já viu eu levantando esse raciocínio...

Isso tem a ver com o segundo gráfico abaixo, tempo semanal, e a reprodução do algoritmo da VALE5


EWZ, Diário, escala logarítmica




EWZ, SEMANAL, escala logarítmica, período 12 anos








"DJUSST" (Dow Jones Steel Index) e sua primeira LTB rompida e a segunda um pouco mais acima

"DJUSST" (Dow Jones Steel Index) e sua primeira LTB rompida e a segunda um pouco mais acima


"DJUSST" , SEMANAL, Escala logarítmica





"CRB" Commodities e sua LTB de 6 meses

"CRB" Commodities e sua LTB de 6 meses

"CRB", SEMANAL, Escala logarítmica





Cobre e sua LTB de 1 ano

Cobre e sua LTB de 1 ano

Cobre, SEMANAL, Escala logarítmica






Bovespa fecha "em cima" da MA50 e "em cima" de uma LTB, depois de tocar uma faixa de resistência-suporte interessantíssima

O Título do post resume muito bem a dinâmica do Bovespa hoje, depois das altas dos últimos dias, e de seu próprio fechamento.

Ou seja

Bovespa fecha "em cima" da MA50 e "em cima" de uma LTB, depois de tocar uma faixa de resistência-suporte interessantíssima

Vejam abaixo, no tempo diário, em linha amarela a Média Móvel Simples de 50 períodos.....Bovespa foi lá na faia de 42.500, mas rapidamente reverteu, a ponto de fechar em cima dessa MA50.

Uma LTB que comecei a monitorar, curiosamente passava ali por volta dessa MA50....portanto, fechamento também "em cima" dela

A faixa interessante de 42.500, pode ser vista no segundo gráfico abaixo, e também no próprio gráfico diário, quando o Bovespa bateu 42.800 e repicou no final do ano passado

Tem um ponto interessante a ser visto também.....a MME13 (linha verde) já está colada a MME21 (linha azul)

Suportes agora em 41.500, 41.000, 40.000,, 39.000, 38.500, 38.000 e 37.000
Resistências em 42.000 e 42.500 


Bovespa, diário, escala logarítmica



Bovespa, SEMANAL, escala logarítmica, período 10 anos