segunda-feira, 30 de junho de 2014

Sugestão de COMPRA de USIM5 no rompimento de 7,60

Vamos entrar com uma sugestão de COMPRA de USIM5.

O Post abaixo, mostrando uma LTA Longa sustentará essa sugestão, assim como fortes divergências altistas de IFR14 , MACD e histograma, vistas no gráfico abaixo no tempo diário.

O papel ainda opera abaixo de suas MME13 e MME21, o que dá um pouco mais de risco na operação.

Por outro lado , reparem que, nas 2 últimas grandes quedas, as reversões são rápidas.

Utilizaremos para ponto de entrada, um rompimento no tempo "60 minutos"

Rompimento em 7,60.

No tempo de "60 minutos", MACD cruzou na "compra" no último candle do dia

Daremos um peso menor, 10%.....

Portanto, sugestão de COMPRA de USIM5 no rompimento de 7,60.

STOP SUGERIDO: 7,45

PESO 10%

Objetivo : em aberto

___________________________________


USIM5, diário, escala semi-logarítmica




USIM5, 60 minutos, escala semi-logarítmica








USIM5 (USIMINAS PN) - Tempo MENSAL - 5,50......6,50......7,50.....e uma LTA Longa

Abaixo, o gráfico MENSAL  "sem os dividendos" em escala logarítmica da USIM5.

Uma LTA respeitada hoje em sua mínima.

Outra curiosidade......as bases em 5,50......6,50.....e hoje faixa de 7,50 (bateu na mínima 7,48).


USIM5, MENSAL, Escala logarítmica







O MACD do Bovespa, no Tempo MENSAL, cruzou na "COMPRA" no fechamento do mês.....mas vamos olhar também o MACD "MENSAL" da PETR4

A "linha MACD", assim como o histograma, é um rastreador "bastante razoável" perante a imensa maioria das ferramentas gráficas que temos por aí.

Isso, na minha opinião.

Porém, é óbvio que suas sinalizações, tanto de "compra", como de "Venda", não são 100% corretas, assim como qualquer outro "sinal gráfico".

Ainda assim, vale a pena "ficar de olho"......

Abaixo, vemos que no fechamento do mês de junho, fechamento de hoje, o Bovespa teve sua "linha MACD" cruzada na "compra".

O cruzamento destacado abaixo no início de 2013 é um pouco "forçado"

O Histograma também passou pra linha "acima de zero", sinalizando "compra" hoje.

Ambos, no TEMPO MENSAL.

É óbvio que é um alento positivo.

Por outro lado, observemos mais abaixo, o mesmo gráfico no tempo MENSAL, só que para a PETR4.

Reparem que o papel, no TEMPO MENSAL, teve já 5 cruzamentos desse tipo nos últimos 2 anos e meio.

O Histograma teve o mesmo comportamento. 5 "idas" "acima da linha zero".

Em todos esses momentos, o papel não deixou de reverter rapidamente, para que voltasse a fazer novas mínimas meses depois.

Cabe também uma reflexão; as mínimas não foram "tão abaixo" das anteriores, exceto a última, quando o papel apresentou uma perna de baixa muito mais acentuada, quase 2 anos depois do primeiro cruzamento de MACD.

Vamos acrescentar mais 1 gráfico (3o.abaixo) , no qual podemos ver os 2 BEAR MARKETS de 97-99 e 2000-2003.

A forma com que o Bovespa explicita os 2 BEAR-MARKETS é muito parecida com o gráfico atual da PETR4.

Se o atual BEAR-MARKET do Bovespa replicar os 2 últimos Bear-Markets, o gráfico atual do Bovespa se "ajustará" ao da PETR4, ou seja, ainda veremos novas mínimas para o Bovespa ao longo dos próximos meses, mínimas abaixo do fundo do ano passado em 44.100.

Outro ponto a favor dessa hipótese, é o fato de presenciarmos quedas acima de 50%, do topo ao fundo do Bear-Market. característica ainda não vista até agora, já que, dos 73.900 pontos, topo de 2010 em 73.100 até os 44.100, a queda é de 40%.

Isso, considerando o atual BEAR-MARKET, de 2010 em diante; obviamente descartando o BEAR-MARKET rápido de maio-2008 a dez-2008, que na verdade foi mais um CRASH, do que um "Bear Market"




 Bovespa, MENSAL, 2004-2014, Escala semi-logarítmica



PETR4, MENSAL, 2004-2014, Escala semi-logarítmica




 Bovespa, MENSAL, 1996-2005








Bovespa em 30-06-2014

Bovespa se segurou acima da faixa de 53.000 pontos no fechamento; fechou em 53.170 pontos, "no zero a zero"

Visto no gráfico de "60 minutos" abaixo, temos uma resistência intraday em 53.200 e uma mais forte em 53.500.

Acima, certamente a mais forte em 54.000.

Pra baixo, 53.000 pontos, a mínima de hoje, 52.700; depois, algo mais representativo apenas as faixas de 52.500 e 52.000 pontos.

No gráfico diário mais abaixo, uma MA50 ( em "azul") baliza nesse momento o índice.

A MA200 destacada em "vermelho" balizou o índice nas últimas quedas. Hoje, passa um pouco acima de 51.200

MACD e histograma ainda em modo "Venda" no tempo diário.


Bovespa, 60 minutos, escala semi-logarítmica




Bovespa, diário, escala semi-logarítmica











Dow Jones continua na expectativa de sua LTA longa

Abaixo, me parece apenas uma contagem regressiva para uma correção mais forte nos mercados americanos.

Divergências baixistas de IFR14 e MACD continuam lá no tempo diário.

No tempo SEMANAL, nem é melhor comentar, dadas as grotescas, gigantescas e alucinantes divergências baixistas de IFR14 e MACD.

A perda dessa LTA destacada abaixo deverá precipitar quedas acentuadas no intraday,sinalizando pra frente algo mais "perigoso".

MA5O no tempo de 60 minutos começa a embicar pra baixo


Dow Jones, diário, escala logarítmica









Começamos a semana com a lucidez de Fernando Henrique Cardoso sobre a inflação inercial no Brasil

A semana começa com uma entrevista dada pelo Ex-Presidente Fernando Henrique Cardoso ao Jornal O Globo, dentro do "aniversário de 20 anos do Plano Real.

Retiro apenas a peegunta que a ele se faz sobre "inflação"....

Vamos a a ela e a resposta:

http://oglobo.globo.com/economia/fh-so-politica-monetaria-nao-da-resolve-inflacao-13074917

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O GLOBO: Por que a inflação se mantém acima dos 6%?

FHC: Como se viu na época do Real, há um componente de inércia que conta. Já que os preços subiram e vão continuar subindo, na dúvida, façamos um pequeno aumento. São resquícios da memória inflacionária. Além disso, a política monetária sozinha não dá conta de controlar a inflação. É preciso combiná-la com a política fiscal. E o que estamos vendo, às vésperas das eleições, é afrouxamento fiscal.

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Aqui está ainda a lucidez de Fernando Henrique Cardoso sobre o impacto do que se convencionou chamar "INFLAÇÃO INERCIAL" no Brasil.

Boa parte do sucesso do Plano Real em acabar com o longo período de Hiperinflação no Brasil decorre do perfeito diagnóstico da inflação no Brasil naquele momento.

A inflação no Brasil seria "inercial' ?....

Fernando Henrique sabia disso....ou pelo menos intuia isso.....as palavras dele acima corroboram pela milésima vez essa perepção....

André Lara Resende e Persio Arida, 2 dos principais elaboradores do Plano Real, já haviam exposto tal consideração no paper chamado "LARIDA",  escrito em conjunto em 1984, e publicado apenas no círculo acadêmico.....o "PLANO LARIDA" é, de fato, a origem do Plano Real.

Fernando Henrique os conhecia.......

Andre Lara Resende não gosta do termo "inflação inercial" até os dias de hoje.....

Na verdade, nunca entendi isso dele ....

Mas a discussão em torno dessa "característica" era forte nos anos 80 e 90...

Fernando Henrique Cardoso, com extrema lucidez, mostra que a discussão "não morreu"

Deixo apenas, através desse post, a  "bola quicando"....

Pra quem quer explorar um pouco esse tema, sugiro ler o livro chamado:

"Conversa com Economistas Brasileiros"...

Um ótimo inicio......

A inflação atual pode ter incorporado, novamente, a maléfica composição "inercial" dos anos 80 e 90 ?






  

domingo, 29 de junho de 2014

20 Anos de Plano Real, por Jornal O GLOBO

O início do mês de julho de 2014 marca 20 anos de PLANO REAL. O Plano que mudou a cara do Brasil. Um divisor. Temos o Brasil de "antes do REAL" e o "depois do REAL".

O Brasil convivia com um ciclo inflacionário perverso e humilhante; nas vésperas de planos que não deram "em nada", na tentativa de controlar a inflação, sua taxa mensal girava em torno de 50%.

Sim ! 50% ao mês !......o ápice foi uma INFLAÇÃO MENSAL em torno de 80% às vésperas do Plano Real.

Os jornais de hoje e a Revista Veja desse final de semana contam, em detalhes, vários momentos do Plano Real, algumas particularidades, cenários, o "pré" e o "pós" Plano...

Para quem viveu ou não, vale a pena tentar ler o máximo dessas matérias....

Por aprendizado, por curiosidade, por conhecimento e, acima de tudo, pra não deixarmos que aqueles que foram "contra", caso do Partido dos Trabalhadores, o tomem pra si.

O Brasil não nasceu em 2003.

Getúlio Vargas, Juscelino Kubitschek e tantos outros presidentes da República deram algum tipo de contribuição pra chegarmos até aqui.

Dos contemporâneos, coube a Fernando Henrique Cardoso conduzir o pior e mais difícil obstáculo pelo qual o Brasil passou.

Um cenário arrasado, após um impeachment do ex-presidente Fernando Collor de Melo, finanças públicas em estágio de completo caos, um povo massacrado e descrente após tantos planos econômicos, e uma inflação crônica, descontrolada, que insistia em corroer o poder aquisitivo de cada brasileiro.

O Partido dos Trabalhadores, assim como outros, pode ter contribuído, aqui e ali, por avanços.

Mas, o Brasil é um outro país após o Plano Real.

20 anos de Plano Real precisam ser ressaltados.

Até para que os brasileiros tomem consciência de como um país pode sim ir para o "buraco" se formos conduzidos de forma errada, precipitada e displicente.

Abaixo, uma parte da matéria de hoje do Plano Real publicada pelo Jornal O Globo.

http://acervo.oglobo.globo.com/fatos-historicos/em-1994-plano-real-domou-inflacao-9246030


Em 1994, Plano Real domou a inflação

Estabilização da economia abriu caminho para a eleição de Fernando Henrique Cardoso


Quando começou 1994, ninguém apostaria que seria o ano da estabilização econômica. Era o último ano do curto período do presidente Itamar Franco. O Brasil entrava para a História como um dos países de pior, mais longa e resistente inflação. Para as empresas, era mais produtivo o repasse dos custos aos preços do que corte de desperdícios e busca da eficiência.

Como fazer um plano de estabilização num fim de governo de um vice que virara presidente, num ano eleitoral e para uma população vacinada? Anunciar com meses de antecedência uma mudança monetária, usando como mecanismo de passagem um indexador.

A URV, Unidade Real de Valor, foi reconhecida depois como o instrumento que conseguiu o que parecia impossível: desligar o mecanismo de reprodução da inflação. A ideia que tiveram os economistas André Lara Resende, Pérsio Arida, Gustavo Franco, Edmar Bacha, levados para o governo pelo então ministro da Fazenda Fernando Henrique Cardoso, era simples e complexa ao mesmo tempo. A URV valia o mesmo que o dólar, mas subia diariamente em relação à moeda brasileira. A economia foi incentivada a usar a unidade como referência.

Ao lado, o cruzeiro real continuava se desvalorizando. As pessoas foram aprendendo a conviver com duas unidades. Até que num dia pré-determinado, 1º de julho, todo o dinheiro velho foi trocado pela nova moeda que era a herdeira da URV.

O país foi avisado com antecedência da troca da moeda. Para efetuá-la, o brasileiro teria que dividir os cruzeiros reais por 2.750. No meio do processo eleitoral, a moeda virou o capital político do candidato do governo, Fernando Henrique (eleito no primeiro turno). A oposição acusou o plano de eleitoreiro. As urnas mostraram que a população queria a estabilização.

A inflação fora de 780% nos primeiros seis meses de 94. E caiu para 18% no segundo semestre. Nos índices que retiraram os resquícios da inflação velha, a taxa do segundo semestre caiu para um dígito. O Brasil não via isto desde o começo da década de 70. Nos anos seguintes a inflação anual caiu para um dígito. Quem naquela época estivesse fazendo 40 anos, estava vendo tal fato pela primeira vez na vida.






sábado, 28 de junho de 2014

Soros, Pizza, Banco Marka e Bolha Imobiliária

Em 1992, George Soros, embora já notado entre vários gerenciadores de Hedge Funds do mundo, entra de vez para o foco ao ganhar US$ 1 bilhão com a "quebra da libra esterlina" .

Vocês têm idéia de como Soros ganhou essa fortuna ? Qual sua estratégia ? Quais parâmetros de decisão ? Quais ferramentas de decisão ? Análise Gráfica ? Análise fundamentalista ?

É bom lembrar, antes de tudo, que em 1992 ainda não havia o EURO como moeda "unificada"; por outro lado, existia um mecanismo "embrionário" do EURO chamado "ERM", uma sigla abreviada de Exchange Rate Mechanism.

O "ERM" buscava estabelecer um "razoável" equilíbrio entre as inúmeras taxas de câmbio/moedas européias.

Ao ler um dos livros e relatos de George Soros, fica claro que ele já não via o "ERM" como algo estável há um "certo tempo".

Vamos a alguns desses relatos, boa parte colocado em primeira pessoa:: (Retirado de Wien, Byron e Koenen, Krisztina. George Soros (Rio de Janeiro: Nova Fronteira, 1996): págs. 89 e 90)

“Tive uma primeira pista em um discurso do presidente do Bundesbank, Schlesinger, pronunciado em uma reunião prestigiosa. Ele disse que os investidores estavam cometendo um erro quando viam a ECU (European Currency Unit) como uma cesta fixa de moedas. Ele estava se referindo em particular à lira italiana como uma moeda não muito sólida. Depois de seu discurso, eu lhe perguntei se gostava da ECU como moeda, ele disse que gostava da ECU como um conceito, mas não gostava do nome. Ele preferiria que fosse chamada de marco.
Eu captei a mensagem. Ele nos encorajava a ter posição vendida na lira italiana, e, de fato, a lira foi forçada a sair do sistema europeu de taxa de câmbio um pouco depois. Era um claro sinal de que a libra estava também vulnerável (...) O clímax foi finalmente alcançado quando o governo britânico subiu a taxa de juros em 2% para defender a libra. Era um ato de desespero que nos sinalizava que a posição britânica era insustentável. Isso nos encorajou a continuar a vender libra ainda mais agressivamente do que antes. Este era o fim: as taxas de juros subiram ao meio-dia. À noite, a libra tinha saído do ERM. 
  Soros defende-se dos críticos que o acusam de ter conspirado contra a libra esterlina, vendendo-a durante toda a tarde, respondendo, basicamente, que ele não era o único no “jogo” e muito menos tinha a reputação que tem hoje, reputação essa que o atrela a uma capacidade de influenciar mercados. Admite, no máximo, que tenha influenciado no fim do processo. Determinante mesmo para a quebra da libra esterlina foi, segundo Soros, o Bundesbank. Insiste ele: “Seguimos as ordens de nosso mestre, o Bundesbank. Talvez tenhamos entendido melhor do que os outros quem era nosso mestre e tivemos um ouvido melhor do que os outros para captar os sinais. Mas, para mim, não havia dúvida de quem era o mestre da caçada.”


Andamos até os dias de hoje, mais precisamente para o Brasil.

Segundo o indice FIPE-ZAP, os preços dos imóveis em São Paulo avançaram, nada mais, nada menos, do que 205% entre Jan/2008 e mai/2014 . No Rio de Janeiro, a alta foi ainda maior; no período, a alta foi de insanos 254%.

Ao longo dos últimos meses tenho lido várias coisas, várias análises e várias discussões sobre a tal da "suposta" Bolha Imobiliária no Brasil; isto é, a alta espetacular dos preços dos imóveis em tão curto espaço de tempo.

E o que me impressiona é o discurso repetido da "demanda reprimida" daqueles que saem em defesa da Tese de que não há  Bolha Imobiliária no Brasil.

Semana passada, li, pela "milionésima vez", esse argumento numa matéria divulgada pela imprensa.

Mais; o argumento vinha de uma importante e destacada Escola de Administração e Economia do Brasil.

"Demanda reprimida" é a única variável que se "pesquisa" no país em relação a variação dos preços de imóveis ?

O Dinamismo que uma economia mundial e brasileira impõem não deveria provocar um discurso e uma pesquisa mais ricos em recursos e variáveis ?

As variáveis e os atores se mexem, se interligam e se interrelacionam ao longo do tempo. Nada é estático, linear e simples.

O exemplo de Soros acima destacado é mais um, dentre tantos outros, de que é preciso um olhar muito mais "criativo" e "ousado" sobre questões aparentemente simples.

E o que significa isso na prática ?

Há pouco mais de 3 meses, descobri o tal aplicativo-software do táxi; um aplicativo que, uma vez instalado num smartphone, te permite chamar um táxi .

Não sou um cara muito "antenado" em tecnologia, daí eu ter descoberto tardiamente tal aplicativo.
No entanto, hoje em dia a garotada e os "adolescentes de 30 anos" têm acesso a vários mecanismos tecnológicos, alguns inúteis, outros nem tanto. Quase tudo gira em torno da internet e desses mecanismos tecnológicos.

É dentro desse contexto que começamos a nos valer de algumas ferramentas pra identificar alguns movimentos, alguns sinais, mesmo que, eventualmente, tais sinais sejam meros "ruidos".

Qual o dia em que se mais pede PIZZA por telefone ?

"Ora Márcio.....todo mundo sabe que é na sexta-feira, no sábado e no domingo......"

Hum....é mesmo ?........

Vamos ver se a ferramenta do "Google Trends" confirma isso ?

 Já falei sobre essa ferramenta outro dia aqui.....a ferramenta apresenta em um gráfico o movimento da "palavra-chave" citada na "busca do google" ao longo de um determinado período..

Abaixo, temos o gráfico da palavra "pizza entrega" ao longo dos últimos 90 dias.







E não é que o gráfico confirma o "senso comum" de que os picos de entrega de pizza são no final de semana ?

Todos os picos acima vistos, DE FATO, equivalem aos dias de final de semana, sexta, sábado e domingo (30 mar, 19 de abril, 27 de abril, 3 de maio, 24 de maio, 01 de junho, 08 de junho e 15 de junho)......alguns picos também são vistos em feriados, como o dia 1 de maio.

Quer dizer que é RAZOÁVEL  nos valer de uma "ferramenta nova" pra "brincar" com certos cenários ?

Sim, ainda que, com ressalvas.....ruídos podem estar no meio do caminho.

Então vamos brincar mais um pouco.....

Ssupõe-se que as pessoas, assim como no caso da pizza, comecem a se informar sobre compra de imóveis através do google ou qualquer site de "busca".

Então, vamos digitar algumas palavras correlatas para que possamos ver qual a tendência atual, sob o viés de uma ferramenta do "mundo cibernético", de certos "desejos", nesse caso, o "desejo da compra de um imóvel"

Abaixo, as palavras "compra e venda de imóveis" e "compra de imóveis"



Por esse gráfico, parece que nos ultimos 2-3 anos a procura tem sido decrescente , a despeito de um aumento dos preços.

Hum......

Será que a "demanda reprimida" não é tão "reprimida" assim ?

Contiunemos a cruzar algumas "palavras-chaves"

"financiamento imobiliário e simulação financiamento"





A palavra "financiamento imobiliário" vem de fato subindo até alcançar um pico em 2012; dai em diante, não mais recupera esse pico após mais de 2 anos. A outra palavra que pode sinalizar uma vontade "mais concreta" de ter acesso aos valores de financiamento também dá sinais de estabilidade, porém, percebe-se uma queda mais acentuada a partir de meados do ano passado.

Se financiamento e simulação de financiamento podem representar "no "mundo cibernético" o desejo concreto de comprar um imóvel, os gráficos acima também deixam dúvidas de que a "demanda reprimida" exista mesmo.....

Será que "a demanda reprimida" existe ???

Vamos para uma última combinação.....Vamos colocar 4 nomes das principais construtoras do país; nesse caso, a interpretação não é tão linear ou direta assim, já que as pessoas entram e procuram suas "páginas" por inúmeras razões; seja por reclamações, para comparações de preços, buscar informações sobre preços, enfim. No entanto, não deixa de ser um "razoável termômetro", dado que um dos primeiros passos pra se comprar um imóvel é dar "uma olhada" no portfólio das construtoras....

Se eu quero comprar um imóvel, entre outras coisas, "vamos dar uma passada" nas páginas das construtoras.

Abaixo, a tendência de 4 "palavras-chaves":

"PDG" (em Azul ), "GAFISA" (Em Vermelho ), "MRV" (em Amarelo) e "CYRELA" (Em Verde).

4 das principais construtoras do país.




PDG é um caso "à parte"; a tendência é fortemente decrescente, com alguns picos no meio do caminho.

GAFISA E CYRELA mantém uma tendência decrescente também há muito tempo, com alguns picos ao longo do tempo. Ressalta-se que ambas até agora não recuperaram o pico atingido no segundo de semestre de 2008.

A MRV também mostra-se um "caso à parte" . Vê-se uma clara tendência de alta até fevereiro de 2012, diferente das outras 3; entretanto, esse topo não é mais recuperado desde então; o que se vê agora é uma clara tendência de queda nos últimos 2 anos.

Não esqueçamos que a MRV é a construtora mais atuante no segmento do programa do governo federal "Minha Casa , Minha Vida".

De maneira geral, se objetivo é "procurar" a "tal da demanda reprimida", por aqui, também fica difícil encontrá-la.

Tirando a construtora que tem como foco o "Minha Casa, Minha Vida", programa esse com condições completamente diferentes da média do mercado, 3 das principais construtoras do Brasil não empolgam entre os "internautas brasileiros", aqueles que deveriam "demandar".

Essa história de não olhar o dinamismo ao redor, de não perceber a maneira como a realidade se ajusta às inúmeras variáveis e seus respectivos interrelacionamentos, a maneira como a realidade muda ao longo do tempo,  me faz lembrar a forma como o EX-Banco Marka, de Salvatore Cacciola, atuou em boa parte dos anos 90, mais precisamente, após o Plano Real em 1994, até quebrar.

Pra quem não sabe ou esqueceu, o Banco Marka era um banco de investimentos de médio porte nos anos 80 e 90; segundo matérias e informações colhidas ao longo de tal período, o Marka buscava uma filosofia muito próxima a dos Bancos Pactual e Garantia (esse vendido em 1998 para o Credit Suisse).

Parecia estar no rumo certo; e os primeiros anos do Plano Real o colocavam muito próximo desse objetivo; nunca o Marka ganhara tanto dinheiro como no período 94-98

Pra entender o cenário, é preciso voltar no tempo.

O câmbio era um dos pilares principais do Plano Real, plano de estabilidade monetária lançado em 1994 que tinha como meta acabar com a hiperinflação no Brasil.

Na verdade, o Plano Real  não era exatamente um "plano", mas uma série de itens e mecanismos que, em conjunto, procuravam extirpar a hiperinflação do dia a dia dos brasileiros.

Numa economia excessivamente atrelada ao "dólar", como a brasileira dos anos 80 e parte dos anos 90, o dólar representava um desafio, ao mesmo tempo em que passara a ser encarado como um "âncora" do Plano Real.

Calibrá-lo corretamente não era objetivo secundário, face às baixas reservas internacionais brasileiras dos anos 90 e frente a um universo econômico que ainda pensava "em dólar".

Pra início de conversa, o câmbio não era livre, assim como conhecemos hoje; ele "flutuava" numa banda "minimamente" controlada pelo governo, uma espécie de "câmbio livre sujo" .

Tal banda e um ambiente econômico, interno e externo, instável, permitiam ótimas oportunidades de ganhos no curto prazo para os atentos players do mercado de câmbio

Ao longo de boa parte do início do Plano Real, o ex-Banco Marka, de Cacciola,  se "especializou" em apostar "a favor" do "Real" e contra o "dólar", não importavam as inúmeras crises que apareciam nos países emergentes, assim como as inúmeras pressões que se avolumavam dentro do próprio Brasil, especialmente dos industriais brasileiros até então acostumados com seus produtos artificialmente competitivos, por conta de recorrentes desvalorizações cambiais.

Veio a Crise do México em 1994, logo após a implantação do Plano Real, e tome pressão para cima das moedas dos países emergentes; o recém criado "REAL" não foi diferente.

"O governo não vai aguentar....repetiam os analistas brasileiros e internacionais"...."O Brasil vai ter que desvalorizar sua moeda"....

Frases como essas eram ouvidas a toda hora....

E lá estava o ex-Banco Marka dizendo:

"não"........"não"......"o governo não vai desvalorizar coisa nenhuma"......"o governo precisa do câmbio"......

E lá estava  ex-Banco Marka "operando vendido em dólar"...........

"BINGO"!!!........Passada a tensão, o governo não desvalorizou, e o Marka ganhou dinheiro......muito dinheiro....

Não foi diferente com a Crise da Ásia em 1997.......Países emergentes tiveram suas moedas "atacadas"...

O Brasil não foi diferente......

E novamente, o que se ouvia...

"O governo não vai aguentar..repetiam os analistas brasileiros e internacionais"...."O Brasil vai ter que desvalorizar sua moeda"....


E lá estava o ex-Banco Marka dizendo:

"não"........"não"......"o governo não vai desvalorizar coisa nenhuma"......"o governo precisa do câmbio"......

E lá estava  ex-Banco Marka "operando vendido em dólar"...........

"BINGO"!!!........Passada a tensão, o governo não desvalorizou, e o Marka ganhou dinheiro......muito dinheiro....

Veio a Crise da Rússia em 1998.....moedas dos países emergentes novamente atacadas......

E novamente, o que se ouvia...

"O governo não vai aguentar..repetiam os analistas brasileiros e internacionais"...."O Brasil vai ter que desvalorizar sua moeda"....

Aqui, nesse momento, as coisas pareciam estar em patamar muito mais perigoso....

"A coisa" realmente "estava esquisita" no segundo semestre de 1998.......

Num primeiro momento, as vozes eram as mesmas, o Marka continuava "vendido" em dólar, e no curtíssimo prazo, obteve novo sucesso em sua estratégia

Mas, a tensão parecia ter chegado ao ápice......

Estávamos em vésperas de eleição presidencial, havia muita pressão política contra o governo de Fernando Henrique Cardoso.

O PT era uma oposição que via ali, naquele momento conturbado, uma chance pra ganhar as eleições. Medidas fiscais que eram importantes pra amenizar a pressão contra o "REAL" foram constantemente brecadas e/ou contestadas.

As reservas internacionais, já baixas, continuavam a sangrar.

A dinâmica dos fatos e variáveis começavam a moldar um cenário "aparentemente" diferente de 94 e 97.

Montar uma posição na "ponta de VENDA" do dólar parecia muito mais arriscado agora....

Mas o ex-Banco Marka parecia convencido de que o cenário era o mesmo de 94 e 97, e que o governo federal não iria desvalorizar o câmbio.

Afinal, pensava o "MARKA", se Gustavo Franco, o então Presidente do Banco Central, mexer no dólar, o Plano Real explodirá.

E o Banco Marka continua sua aposta "contra o dólar"

O ápice da tensão foi ao longo do mês de dezembro, quando o governo de Fernando Henrique não consegue aprovar no Congresso importante mudança na tributação do funcionalismo público.

"A pá de cal" viria em janeiro de 1999. 

O Governo do Estado de Minas Gerais decreta uma moratória momentânea de sua dívida com o Governo Federal, fato que soou catastrófico entre os investidores estrangeiros..

Fernando Henrique Cardoso "joga a toalha", demite Gustavo Franco e, a despeito do conturbado período de Chico Lopes na presidência do BC, abre espaço para a desvalorização do câmbio, agora, já sob a liderança de Armínio Fraga, novo presidente do BC.

O estrago naqueles primeiros dias de janeiro de 1999 já era visível;  a questão era apenas "contar" os cadáveres.

O ex-Banco Marka, que novamente se posicionara "vendido" em dólar,  era um deles; talvez, o maior e mais delicado.

"Olhou apenas para "Gustavo Franco", o hábil e corajoso "defensor da âncora cambial" ?"

Talvez outras variáveis pudessem ser vistas......o cenário, de fato, não teria mudado de 94 e 97 para 98 ?

São perguntas que o Marka poderia ter feito, assim como outros que se posicionavam na ponta "vendida em dólar"

Vamos mexer nas variáveis ?

Que tal mexermos nas variáveis da PETROBRÁS......

"Patinho feio" da Bolsa Brasileira, tem sido fortemente penalizada nos últimos anos por ser refém e parte integrante da desastrosa politica econômica, e sua vertente, a política de controle da inflação, do governo federal.

Como o governo petista de Dilma Rouseff não faz a sua parte no controle da inflação, os preços "chamados livres" disparam, comprometendo mais e mais a manutenção da inflação brasileira no "centro da meta".

Pra isso, o governo federal se vale dos chamados "preços administrados", basicamente energia elétrica e derivados do petróleo, pra tentar controlar uma inflação "já descontrolada".

Controlar preços de derivados de petróleo significa prejudicar a Petrobrás em sua política "normal" de preços.

Assim, as ações da estatal têm caido fortemente nos últimos anos.

Mas se a oposição ganhar nas próximas eleições presidenciais no final do ano ?

Se tivessem apenas 2 alternativas pra marcar num cartão, postas da seguinte forma:

1- Comprar e investir em imóveis no Brasil
2- Comprar e investir nas ações da Petrobrás


O que você faria ?

Qual o "custo-benefício" de cada uma das alternativas acima ?

Bem.......

Vamos ao gráfico abaixo, TEMPO SEMANAL, da PETR4 (Petrobrás PN).

Reparem o aumento colossal de volume apresentado no papel nos últimos 15 meses marcado abaixo em azul.

O papel não vem conseguindo romper uma LTB mais longa de 2-3 anos.

No entanto, o volume de compra na faixa 12,00-20,00 tem sido muito forte......




Sim......as coisas podem mudar......

O que não muda, parece, é o discurso da "Demanda Reprimida" dos imóveis.......

Peço apenas um pouco mais de calma no longo artigo.

Vamos pra parte mais "emocionante".......vamos falar em outras "coisas reprimidas"......

Dólar.......
Inflação
Taxa de juros americana.....

O que parece indicar o gráfico do "dólar x real" visto abaixo ?

Parece que a trajetória ascendente ainda está longe de terminar........a parada nos 2,49 foi apenas por conta de uma forte resistência nessa faixa....

Caiu, acompanha uma Linha de Tendência de Alta, acumula volume.......

Temos aqui um clássico caso de "dólar reprimido" ?






Inflação....

Hum.....inflação nós já falamos......

"Preços livres" continuam subindo sem que o governo federal apresente credibilidade aos agentes econômicos de que é capaz de apresentar os remédios necessários para o recuo.

E tome "inflação reprimida"





E a taxa de juros americana ?

O Federal Reserve, o Banco Central Americano, calibra suas taxas de juros de curto prazo entre 0 e 0,25% desde dezembro de 2008.

O reflexo disso podemos ver abaixo através do gráfico de 100 anos dos bonds de 10 anos do Tesouro Americano.

Parece insano, não é ? E é insano.....

Por outro lado, o mais interessante não é essa queda......o mais curioso é perceber que esses bonds já começaram um rally no curto prazo.......

Reparem novamente no gráfico abaixo, que uma LTB baliza as taxas há mais de 20 anos.......o rompimento poderia acelerar a alta desses bonds......

Parece que os mercados dos bonds de longo prazo se antecipam a alta na taxa de curto prazo.....


Treasuries 10 anos EUA - Período 100 anos



Treasuries 10 anos EUA - Período 4 anos, Tempo SEMANAL







Parece que estamos numa "reprimida taxa de juros americana".

Se essas variáveis se mexerem e interagirem, teremos muito mais coisa "reprimida".

Emprego é um deles......o "crédito farto" é outro....ambos serão "reprimidos"...e muito mais......

Agora, lhes pergunto caros leitores.


O que sobrará da "demanda reprimida" de imóveis, se algumas dessas variáveis decidirem, todas juntas",sairem do lugar" ?

Alta da taxa de juros americana
Crédito farto no mundo desaparece
Mais alta do dólar......
Mais pressão na inflação...
Mais pressão sobre o desemprego.....
Menos crédito....
mais desemprego.....
menos crescimento.....
menos demanda.....menos demanda....menos demanda....
menos crédito.....

As variáveis mudam......as "coisas mudam"......a "realidade" muda....

E, aí ?

Vai aplicar em que ?

1- Imóveis brasileiros

ou :

2- Dólar
3 - Renda Fixa
4- Bonds Americanos























Bovespa - Final de Semana

Bovespa fez ontem um novo pivotzinho de baixa ao fazer nova mínima um pouco abaixo da faixa de 53.000.

Fechou em 53.150 pontos, queda de 0,65%.

Abaixo, temos ainda a MME13 acima da MME21, um sinal de compra no diário.

No entanto, a LTA armada no curto prazo foi rompida como vemos abaixo.

Pra melhorar no curto prazo tem de voltar pra cima de 54.000, pra buscar 54.500 e 55.000

Pra baixo, atenção no rompimento de 52.900-53.000; depois, temos a faixa de 52.500 e 52.000 pontos.


Bovespa, diário, escala logarítmica













sexta-feira, 27 de junho de 2014

Gráfico da Semana - VALE5 - Diário e Semanal

VALE5 ainda pressionada por pivots de baixa no curto prazo.

Configurou uma LTB curta que não conseguiu romper nos últimos 2 dias, embora no intraday ontem o rompimento tenha acontecido.

O pivot a ser visto agora pro papel liberar pra novas altas é a faixa de 26,68.

Pra baixo, olhamos a faixa de 25,30 e o fundo do ano em 24,88.

Divergências altistas de IFR14 e MACD, embora não destacadas abaixo,o estão muito fortes.

Curiosidade ?

Vejam no TEMPO SEMANAL que a faixa de 26,68, pivot a ser visto "pra cima", será ponto da LTB longa em 3 a 4 semanas.......

Vamos "brincar" um pouco......

Ainda que o papel venha pra baixo no curto prazo, 3 a 4 semanas serão suficientes pra ele ganhar força, romper o pivot de 26,68 e a LTB mais longa ?


VALE5, Diário, Escala semi-logarítmica



VALE5, SEMANAL, Escala semi-logarítmica











Dow Jones - Fechamento da Semana......Paciência......paciência.....

Dow Jones, diário, escala logarítmica















"A copa pode estar sendo a tal “copa das copas”, mas a economia não chega nem perto da “economia das economias”. Melhor curtir o espetáculo enquanto ele durar e assistir ao drama dos nossos vizinhos nas cortes de Nova Iorque", por Monica de Bolle

Monica de Bolle, aquela que tem se sobressaido entres os novos valores da pesquisa econômica brasileira,  nos brinda com mais um belo artigo publicado no Jornal O Globo na terça-feira última , também disponível no site do Instituto "Casa das Garças"

http://www.casadasgarcas.com.br/

Espero vê-la num eventual governo de Aécio Neves.....

Vamos ao artigo:


"Catimba"

Texto de Monica Baumgarten de Bolle para O Globo a Mais.
Publicado em: 24/06/2014


Parece simples. País sofre grave crise, fica sem recursos para pagar suas dívidas. Depois de algum drama, com direito a corridas bancárias, bloqueios de depósitos, brigas com organismos multilaterais, panelaços nas ruas, uma ruidosa moratória ameaça a estabilidade financeira, senão do mundo, ao menos de parte significativa de uma região. O caos se instala de vez. Ministros caem, Presidentes vêm e vão em poucas semanas, os protestos tomam conta da capital. Por sorte, o momento não é de todo ruim. Par de anos depois, a economia global volta a crescer, levando junto o país perdulário e indisciplinado. Na bonança, o país consegue organizar uma reestruturação de sua dívida, deixando para trás a moratória, trocando os títulos daqueles que aceitam participar da operação, enquanto os que se recusam a fazê-lo têm pela frente uma árdua e ingrata briga nas cortes do mundo para reaver nem que seja uma mínima parte daquilo que entregaram no passado a um país que, pelo visto, não merecia o voto de confiança. Vida que segue, certo? Não, disse o juiz Nova-Iorquino.

Reestruturações de dívida, termo complicado, um trava-línguas. Tentem repetir rapidamente a palavra “reestruturações” três vezes, como o divertido “um tigre, dois tigres, três tigres”. Deu bolo? Pois é, no caso da Argentina também. É fácil pensar que uma reestruturação é simplesmente uma transação organizada por gente que sabe o que está fazendo para, ou tirar o país de uma situação de moratória, ou evitar que tal repúdio de pagamentos acabe por gerar uma cascata de problemas nos mercados financeiros globais, como foi o caso da operação articulada às pressas para a Grécia depois da crise deflagrada em 2010. Contudo, reestruturações, além de serem complexas, muitas vezes se alastram além da conta nos tribunais internacionais. E, quanto maiores e estrepitosas, mais duradouras.

Todos conhecem a história da Argentina. Depois da moratória de 2001/2002, o país decidiu, em 2005, lançar uma operação de reestruturação envolvendo um haircut, ou uma redução do valor de face da dívida, considerável. Em média, os detentores de títulos da Argentina perderam mais de 70% daquilo que haviam investido originalmente. Evidentemente, com uma perda dessa magnitude, alguns donos da dívida da Argentina preferiram ficar fora da operação, isto é, não aceitaram os termos da reestruturação e seguraram seus títulos, muito obrigado. Porque o fizeram? É simples o motivo: quando há um haircut da magnitude do envolvido na reestruturação argentina, o custo de entrar na justiça com uma ação coletiva de grupos organizados de detentores de títulos compensa a dor de cabeça de fazê-lo, ou seja, a perspectiva de conseguir resgatar algum valor aparentemente perdido pode sobrepor-se à perda de tempo e de dinheiro com advogados. Não é por outro motivo que os holdouts – aqueles que optaram por não participar da operação de reestruturação – foram tão numerosos na Argentina.

Pouco antes de 2005, trabalhei no FMI em outra operação de reestruturação de dívidas soberanas, mais simples, mas que serviu de base para a reestruturação grega quase dez anos mais tarde. A reestruturação do Uruguai, que renegociou toda a dívida nas mãos de estrangeiros, foi um sucesso estrondoso. Apesar do haircut – bem menor do que o da Argentina, cerca de 15% a 20% apenas – a adesão ao plano uruguaio foi de mais de 99% dos detentores de títulos, isto é, quase não houve holdouts buscando alguma forma de compensação futura. A reestruturação da dívida grega, por ter envolvido um altíssimo grau de “persuasão moral” por parte dos líderes europeus e dos organismos multilaterais, além de estar concentrada nos bancos, sempre mais fáceis de se deixar “convencer” do que as pessoas físicas, os fundos de pensão e outros investidores institucionais, também teve um contingente pequeno de holdouts. Mas, a Argentina não.

Eis que, portanto, um juiz da corte de Nova Iorque, jurisdição dos títulos argentinos reestruturados, deu ganho de causa aos fundos que representam os interesses dos holdouts de 2005 – ou, que têm, eles próprios, interesse em reaver os pagamentos desses títulos tendo adquirido-os no mercado a preço de banana. Quais as implicações disso? De um lado, se a Argentina desobedecer e não cumprir a ordem do juiz, ela estará, novamente, em moratória. De outro, se cumprir o estabelecido, aqueles que participaram da operação em 2005 poderão sentir-se lesados e terão argumentos para entrar na justiça contra o país, desfazendo a ruidosa transação feita há quase dez anos. O precedente estaria dado: qualquer país que fizesse uma reestruturação nos moldes da Argentina em 2005 estaria sujeito a ver o castelo de cartas ruir alguns anos depois, o que inviabilizaria, de antemão, tais operações. Essa é a trama principal da notícia veiculada nos jornais dos últimos dias, mas que, como sempre, é menos direta do que parece. A Argentina faz pronunciamentos contraditórios porque sabe que há cláusulas legais que ainda a protegem: se enrolar os credores e a corte americana até dezembro, desembolsando uma quantia representativa para os credores nesse ínterim, aqueles que participaram da reestruturação de 2005 não mais poderão acioná-la na justiça. A catimba, afinal, é especialidade dos hermanos.

Não só dos hermanos, diga-se. A catimba já é, há muito, especialidade nacional na economia. O governo chuta a bola para cima de qualquer jeito, simula faltas, demora a repor a bola em campo, recua para o goleiro – às vezes cometendo um gol contra, inadvertido – tudo isso para esticar o jogo perdido. Planos para a indústria poucos meses antes das eleições? Palavras de ordem do eterno milongueiro, o ex-Presidente Lula? Discursos inúteis da Presidente?

A copa pode estar sendo a tal “copa das copas”, mas a economia não chega nem perto da “economia das economias”. Melhor curtir o espetáculo enquanto ele durar e assistir ao drama dos nossos vizinhos nas cortes de Nova Iorque, sem sombra de dúvida o que há de mais interessante na economia mundial.

O resto é nada mais que o um a zero insosso, aquele protagonizado pela Bélgica da Comissão Europeia e a Rússia de Vladimir Putin.







Índice VIX com dificuldade de romper a importante faixa de 12,00 e sua MA50

Índice VIX, o principal espelho de hedge e volatilidade do SP500, com dificuldade de romper a importante faixa de 12,00 e sua MA50.

Reparem abaixo que já faz 2 meses que o VIX teve sua MA50 embicada pra baixo e, desde então, não consegue rompê-la

Nesse momento, além da MA50, a própria faixa de 12,00 é uma barreira importante

VIX, diário








quinta-feira, 26 de junho de 2014

Hora do Recreio: Por dentro da Sloan School of Management , a Escola de Administração do MIT

Uma pausa para o "Recreio":

Um pouco da Sloan School of Management, a Escola de Administração do MIT (Massachussets Institute of Technology).....10 minutos.....









quarta-feira, 25 de junho de 2014

Bovespa em 25-06-2014

Bovespa fechou o dia em queda de 1,58%; fechamento em 53.428 pontos.

Rompeu pra baixo a importante faixa de 54.000 pontos, o que, certamente, pressiona o índice no curto prazo.

Pode ser que venha retestar essa faixa, apenas como pullback, visando novas mínimas no curto prazo.

Até os 51.200, ainda é tendência de alta no curto prazo.; também tracei uma LTA curta destacada abaixo que pode nos sinalizar alguma coisa.

O Fechamento de hoje foi justamente próximo a essa LTA traçada.

MACD já cruzou na "VENDA" no tempo diário.

Resistência agora é 54.000, depois 54.500, 55.000 e 55.300

Suportes mais fortes em 53.000, depois 52.000 e 51.200


Bovespa, diário, escala semi-logarítmica











Dow Jones em 25-06-2014

Dow Jones, diário, escala logarítmica










"Carteira blog" atualizada com o ajuste de "BBDC4" e inserção da posição de VENDA "ITSA4"

"Carteira blog" atualizada no "link" e abaixo com o ajuste de "BBDC4" e inserção da posição de VENDA "ITSA4" realizados hoje











"BBDC4" ficou "ex" dividendos hoje em R$ 0,207.....portanto, vamos fazer o ajuste no mesmo valor na "carteira blog"

"BBDC4" ficou "ex" dividendos hoje em em R$ 0,207.....portanto, vamos fazer o ajuste no mesmo valor na "carteira blog"





Acionada Sugestão VENDA "ITSA4" (Itausa PN) no rompimento de 9,00

Havíamos dado Sugestão VENDA "ITSA4" (Itausa PN) no rompimento de 9,00 ontem.

Pela manhã, a SUGESTÃO foi ACIONADA.

Portanto, entrará para a posição da "carteira blog":

VENDA "ITSA4" (ITAUSA PN) a 8,99

STOP SUGERIDO: 9,22

PESO: 15%

OBJETIVO: 8,40






Sugestão de VENDA "ITSA4" (ITAUSA PN) no rompimento de 9,00

A "carteira blog"vai abrir uma nova sugestão de VENDA

Sugestão de VENDA "ITSA4" (ITAUSA PN) no rompimento de 9,00

STOP SUGERIDO : 9,22 , caso posição acionada

Peso: 15%

Objetivo: 8,41

______________________________

Gráfico diário, com fortes divergências baixistas no período abril-maio, e figura com "quase topo duplo" na faixa de 9,32

ITSA4, Diário, escala semi-logarítmica




ITSA4, tempo "60 minutos" escala semi-logarítmica












terça-feira, 24 de junho de 2014

Bovespa em 24-06-2014

Bovespa começa a ficar um pouco "mais emocionante".

Foi até os 55.300 há alguns dias atrás; veio até a faixa de 54.000 pontos, repicou forte até os mesmos 55.300; voltou à faixa de 54.000 pontos; repicou hoje no intraday quase que direto até os 55.000, faixa "redonda" e um pouco abaixo do topinho anterior de 55.300, pra voltar à mesma faixa de 54.000 nas últimas 2 horas do pregão..

Fechamento em 54.280, ainda uma alta de 0,13%.

Pelo gráfico abaixo, ficam claros os seguintes pivots, certamente os mais representativos:

Pra cima, a faixa de 55.300 pontos.

Pra baixo, a faixa de 54.000, depois 53.500, depois 53.000 e 52.000 pontos.

Pra baixo de 52.000, temos 51.200, 50.000 e 48.000 pontos.

MME13 ainda acima da MME21, o que dá ainda um sinal de compra no tempo diário para o Bovespa.

Bovespa, diário








Dow Jones em 24-06-2014

Dow Jones, diário, escala logarítmica










Objetivo atingido na posição de VENDA "PETR4" da "carteira blog" em 18,01

A "carteira blog" tinha uma posição de VENDA "PETR4" aberta em 11-06-2014 a 18,79.

O Objetivo explícito na "carteira" era de 18,01.

O objetivo foi atingido hoje no final do pregão.

Portanto, posição VENDA "PETR4" encerrada.

VENDA "PETR4" a 18,79

COMPRA "PETR4" a 18,01

Lucro de 4,15% , impacto positivo de 0,62% para a "carteira blog".

Depois, atualizaremos a planilha







segunda-feira, 23 de junho de 2014

"Estamos num lugar onde jamais estivemos....algo como "Alice no País das Maravilhas"", diz o Vice-Presidente do Jupiter Fund Management

Em entrevista publicada pelo canal de notícias CNBC agora há pouco, Bonham Carter, Vice-Presidente do Jupiter Fund Management, diz ao se referir a atual política monetária americana e às baixas taxas de juros praticadas pelo FED:

""Estamos num lugar onde jamais estivemos....algo como "Alice no País das Maravilhas""

Vejam abaixo a o vídeo e a matéria:












‘Prudent’ to expect a sell-off: Bonham Carter
Katrina Bishop | @KatrinaBishop
6 Hours Ago

A stock market sell-off could be on the way, the vice chairman of Jupiter Fund Management warned on Monday, describing the current low-interest-rate environment as "artificial and somewhat Alice in Wonderland."

Speaking at the FundForum International event in Monacco on Monday, Edward Bonham Carter urged caution, given the recent rise in equity markets.

"After such a strong run, one should be a bit more cautious and valuations are getting a bit more stretched," he told CNBC.

But predicting the timing of a market downturn was "notoriously difficult," Bonham Carter, who is the brother of actress Helena Bonham Carter, added.

"All I know is our fund managers are finding it a bit harder to find value out there, so it would be prudent to expect some sort of sell-off," he said.
"But the basic economic conditions around the world are still pretty solid."

A number of stock indexes have hit new highs recently, with the U.S. benchmark S&P 500 and Germany's Dax still trading near record levels.

Despite the risk of a correction, Tom Caddick, head of global multi-asset solutions at Santander Asset Management, told CNBC he remained long on equities.

He stressed that although markets were near record highs in absolute terms, "on a long-term PE (price-to-earnings ratio) basis, there is still some value to be had."

Caddick added: "Is the case as compelling as it was 18 months ago? Absolutely not. But there's still value, even over a six-month to a one-year view in equities."

'Alice in Wonderland'

The rise in stock markets over the course of this year has been accompanied by low volatility, with the much-watched Volatility Index (VIX) falling to a pre-financial-crisis seven-year low earlier this month.

Bonham Carter said that quantitative easing by central banks like the U.S. Federal Reserve had led to record-low interest rates and dampened volatility.

"We're in a place we've never been before and the so-called experts can't give you an agreed answer about what's going to happen," he said. "So it is artificial and somewhat Alice in Wonderland."







"VALE5" , Tempo diário

"VALE5" , Tempo diário, escala semi-logarítmica e sua LTB Curta











Índice "Merval"Argentina tem alta de 8,7% após mudança de discurso da Presidente Cristina Kirchner sobre a decisão da Suprrema Corte dos EUA semana passada

Semana passada a Suprema Corte americana havia recusado a forma como a Argentina renegociou o calote de sua divida externa de 2001 nos anos de 2005 e 2010

Mais especificamente a recusa da Suprema Corte em aceitar os termos da renegociação beneficiaria 2 fundos americanos
Num primeiro momento, a Presidente da Argentina Cristina Kirchner criticou veemente a decisão.

Depois, voltou atrás.

O recuo da Presidente teve reflexos no dia de hoje no mercado acionário argentino.

Embora pequeno, a alta espetacular de 8,7% do mercado acionário argentino é marcante.


Vejam abaixo o gráfico diário:

MERVAL, diário









"A Presidente do FED continua "atrás" da curva dos bonds de 10 anos dos EUA ou o mercado a interpreta mal ?", por William Watts

Ainda a discussão sobre a leitura que o mercado vem fazendo sobre os dados da semana passada que indicaram que a inflação americana pode estar "por aí"........e, portanto, a leitura do FED poderia estar em errada, em dizer que os dados podem ser "apenas ruído".

Antes da matéria, o gráfico SEMANAL dos bonds de 10 anos dos Estados Unidos....

É esse gráfico que mostra que Janet Yellen está "Atras da curva", como diz o autor do artigo, William Watts......

Os bonds continuam subindo, a despeito da manutenção da política monetária expansiva do FED e da manutenção da taxa de juros entre 0 e 0,25% ao ano.




Crédito: Marketwatch.com

http://blogs.marketwatch.com/need-to-know/2014/06/23/is-yellen-behind-the-curve-or-are-investors-misreading-the-fed-chief/



Is Yellen behind the curve, or are investors misreading the Fed chief?
June 23, 2014, 6:51 AM ET

It’s hard to argue that Fed Chairwoman Janet Yellen has had much of a honeymoon. But with her dismissal last week of strong consumer-price index readings as possibly symptomatic of “noisy” data, she appears to have picked something of a fight with investors and commentators.

Jeff Miller at the Dash of Insight blog expects it to get a lot noisier this summer.

“The media and punditry will engage in their favorite sport — second-guessing the Fed,” he writes.

With that in mind, you can bet that this week’s release of the Fed’s favored measure of inflation, the personal consumption expenditure price deflator, will be eagerly dissected on Thursday. At least that might give a market that’s started to yawn even at the monthly jobs data something to chew on. Whether it will offer investors much guidance is another question. See: 5 reasons the Fed isn’t worried about inflation.

There’s certainly room to quibble about the Fed’s own rate expectations in the face of an economy that’s picking up steam, a labor market that’s finally beginning to tighten and accelerating inflation, writes James O’Sullivan, U.S. economist at High Frequency Economics. Fed policy makers’ median expectation for a Fed funds rate of 2.5% at the end of 2016 seems optimistic, he writes.

But while O’Sullivan has quibbles with the Fed, he says his “much bigger objection now is to market pricing,” which pegs Fed funds at just 1.79% in December 2016. “Traders were influenced much more by Fed officials’ words than their numbers,” he says.

Miller, meanwhile, has a helpful list of things investors should keep in mind when pondering inflation — a subject he notes everyone seems to think they’re an expert on because “we all shop.”

His conclusion is that Fed policy is on a stable course but is data dependent. “The market does not like this, since the preference is for certainty,” he writes. For investors, this presents opportunities, provided they “monitor data, not pundits.”






sábado, 21 de junho de 2014

O Taxista da Favela do Rio de Janeiro que ficou rico

Há cerca de 2 semanas, peguei um táxi no Rio de Janeiro.

Tal fato corriqueiro passaria em branco se não fosse por um detalhe; ao longo do trajeto, eu e o taxista iniciamos um papo que passou por vários assuntos.

Fatos banais e outros nem tanto; porém, um foi simbólico. E esse veio à tona depois que tangenciamos os preços dos imóveis que são praticados em qualquer grande cidade brasileira e, em especial, no Rio de Janeiro.

Ao comentar sobre os  níveis insanos a que chegaram os preços dos imóveis no Rio de Janeiro, o taxista respondeu:

"Graças a Deus senhor eu batalhei a vida toda pra ter o meu cantinho.....morei na favela quase toda a minha vida......mas em 2007, depois de poupar anos a fio, consegui comprar meu apartamento de 2 quartos no Flamengo".

- "No Flamengo ?" questionei-o

"Sim, senhor....no Flamengo.....paguei R$ 150 mil na época".

Pra quem não conhece o Rio de Janeiro, o bairro do Flamengo é um bairro de classe média-alta......

Um apartamento de 2 quartos no bairro do Flamengo hoje é oferecido por cerca de R$ 800 mil.

"Deus" não tem nada a ver com isso. "Deus" tem muito mais coisa a se preocupar.....

Mas, o taxista não sabe; e eu tive certeza disso depois de papear por mais alguns minutos até o fim do meu trajeto.

Mas, o taxista teve a "sorte" de não ser pego pela Bolha Imobiliária que atingiu o Brasil a partir de 2008.

O amigo dele, que passou pelo mesmo "perrengue"durante "anos a fio", quando conseguiu juntar os mesmos R$ 150 mil dois anos depois, pensou que fosse comprar o mesmo apartamento no Flamengo do seu amigo.

Pobre ingenuidade.......com sorte, os mesmos R$ 150 mil talvez dessem a ele a chance de comprar uma kitnete no bairro da Pavuna, longe cerca de 30 km do centro do Rio de Janeiro, carente de infra-estrutura e com mazelas muitas vezes quadruplicadas em comparação com a média da cidade do Rio de Janeiro.

Dias estranhos, não ?

O mesmo problema do amigo do taxista terá o novo garoto de 22 anos formado por Harvard  e sustentado pelos pais, morador do bairro do Leblon, bairro nobre da Zona Sul do Rio de Janeiro ou de seu "semelhante", morador da Vila Nova Conceição, em São Paulo.

Quantas prestações o novo formado por Harvard terá de pagar pra conseguir comprar um apartamento no bairro do Flamengo, cujo valor médio oferecido é de R$ 800 mil ?

Ah.......antes de pensar em quantas prestações, ele tem de pensar no valor da entrada........um cálculo rápido me diz que ele terá que poupar cerca de 10 anos de seu salário de "recém-formado" de R$ 4.000 para poder dar entrada no seu apartamento de 80 m2. no bairro do Flamengo.

Aí sim, ter a chance de se enfiar em 200 prestações mensais para quitar o seu tão sonhado apartamento no bairro do Flamengo......

Dias estranhos, não ?

Talvez seja pelo medo de "confisco da poupança"....
Sim !! Isso existe no Brasil de hoje, por incrível que pareça !.

Comprovei in loco semana passada ao almoçar com um casal amigo meu.....

Falando sobre Bolha Imobiliária e comparações de ganhos com renda fixa e aluguel, a esposa me questiona se não seria melhor deixar o dinheiro em imóveis já que o PT poderia "confiscar" o nosso dinheiro....

Respondi que o PT não seria capaz de fazer isso.....o PT é incompetente pra lidar com questões básicas de Teoria Econômica, mas não faria confisco algum......

Mas os anos 80 e 90  de Lula promentendo dar o calote na dívida externa e o confisco praticado pelo ex-presidente Fernando Collor de Mello ainda geram temores até hoje....

E, assim, uma equação minimamente razoável de matemática é "jogada por terra"...

Dias estranhos, não ?   

"Você sabe quanto custa um croissant no bar da esquina ?"

Outro dia, entrei num "café" e ia pedir um croissant, quando vi o preço.....R$ 7,50.....

"O quê ? R$ 7,50 ? Não pago isso mesmo.....

Aí, vem outro amigo meu e diz......

-"Pô Márcio....outro dia eu paguei R$ 10,00"......

"Mas, caraí !!!......um croissant custava R$ 2,50-3,00 há 2-3 anos atrás, !!"

Quando ele me falou isso, pensei.........deixa eu ir lá na Starbucks pra ver se eles aumentaram o preço do café expresso....

Cheguei na loja da Starbucks, e o preço estava lá ...R$ 3,80........A Starbucks havia entrado no Brasil em 2007.....todo mundo especulando sobre o preço do café expresso....alguns diziam que ela iria cobrar R$ 10,00 pelo café...

Em 2007, 3 dias depois da abertura da primeira loja em São Paulo, lá estava eu bebendo um café expresso na loja da Starbucks do Morumbi Shopping por R$ 3,20.........

Hoje, 6 anos e meio depois, o preço está em R$ 3,80, um aumento menor do que 20%......e o dólar aumentou cerca de 40% de lá pra cá ...

Ou seja, os americanos tiveram um "impacto negativo" de cerca de 40% em suas remessas de lucros a partir de uma alta do dólar......

Como os americanos aumentaram "apenas" 20% o preço do café em aproximadamente 6 anos, diante de uma resistente inflação muito acima disso no mesmo período e uma forte pressão no lado do dólar, enquanto o brasileiro aumentou o café expresso, na maioria das vezes, num percentual muito maior, pra não falar no já citado croissant ?

Como explicar isso  ?

Ganância ??

Não.....não acho.....essa tese seria muito bem vinda e aplicada por qualquer cidadão desatento ou petista "anti-imperialista"........nesse caso, os "ianques" e "imperialistas norte-americanos" foram muito mais benevolentes com os preços do que os brasileiros.....

Temos que voltar aos anos 80 e 90 pra entender o que está por trás da inflação brasileira.......por aqui, temos uma questão inercial enraizada nos agentes econômicos.....

Se o governo federal é claramente "displicente" com as mais básicas variáveis inerentes ao processo inflacionário, os agentes econômicos brasileiros "deitam e rolam".......

A "inércia" por aqui talvez seja muito mais acentuada do que lá fora......

Como os "americanos da Starbucks" não carregam a "inércia inflacionária histórica", as diferenças ficam mais evidentes entre um agente e outro.......

Dias, estranhos, não ?

No início do mês de junho, o Banco Central Europeu decidiu baixar mais ainda suas taxas de juros.....para os bancos, baixou para 0,15%.....

As taxas de juros de depósito, passaram para, Pasmem !!!, -0,1%.......sim.......negativo em 0,1%.

Isto é, quem quiser deixar o dinheiro parado no Banco Central Europeu terá de "pagar" 0,1% ao ano.

Os Estados Unidos mantém suas taxas de juros de curto prazo entre 0 e 0,25% ao ano desde dezembro de 2008, há quase 6 anos !

E, pasmem, ainda com seguidas e seguidas injeções de liquidez monetária, o "famoso Quantitative Easing", por anos, até sua redução no ano corrente em 2014.

Não coincidentemente, os mercados de ações americanos se valorizaram cerca de 200% desde então.

E ainda tem analista financeiro apostando em mais alta......

Dias estranhos, não ?

Pra não tornar o texto uma dissertação de Doutorado, lhes pergunto o seguinte.

"Você aprende isso na Faculdade de Economia e Administração ?"

A trajetória atual dos preços dos bonds americanos, dos imóveis no Brasil, do croissant nos bares brasileiros, dos valores do Dow Jones, todos eles muito longe da "média" , você aprende nas Faculdades de Economia e Administração ?

Eu vou deixar 2 gráficos pra ilustrar apenas "parte" dos dias estranhos em que vivemos....

2 Gráficos do Índice Dow Jones.

1, no TEMPO SEMANAL, com sua Média Móvel Simples de 200 períodos, mostrando o quanto o índice está longe dela......assim como estava nos dias que antecederam às quedas fortes de 2000-2001 e 2007-2008

Outro, semelhante; no entanto, a Média Móvel Simples de 200 períodos apresentada corresponde ao TEMPO MENSAL.

Também, muito longe da Média, assim como nos dias que antecederam às quedas fortes de 2000-2001 e 2007-2008.

O Taxista que eu peguei na cidade do Rio de Janeiro não sabe disso.....

Isso é um assunto muito, mas muito distante da realidade do seu dia a dia.

Mas, ele está rico hoje.



DOW JONES, tempo SEMANAL, período 20 anos




DOW JONES, tempo MENSAL, período 20 anos