quarta-feira, 30 de abril de 2014

Momento da Semana....Presidente Dilma Rousseff "copia" o Ex-Presidente Fernando Collor de Melo e diz, com outras palavras : "Não me deixem só"

O Ex-Presidente da República do Brasil, Fernando Collor de Melo, no auge da crise política em 1992, momento "pré-Impeachment", começou a ficar isolado politicamente.

Foi perdendo apoio dia após dia, semana após semana, de políticos, partidos ou mesmo de outras correntes sociais que, meses antes, o alçaram a Presidência da República e o davam apoio nas várias esferas políticas e sociais.

O Governo de Fernando Collor de Melo foi se esfacelando.....

Em determinado instante, consciente de delicada situação, Fernando Collor foi a TV e num pronunciamento lançou a famosa frase :" NÃO ME DEIXEM SÓ"

Hoje, a imprensa divulga que a Presidente da República Dilma Roussef diz, sucintamente, que irá ser candidata com ou sem apoio dos partidos aliados.

O que ela quer dizer com isso ?

Foi um recado para o movimento interno do PT "Volta Lula" ?

Foi um recado para a base aliada, de fato ?

A realidade é que, independentemente da interpretação, fica claro que seu governo vai "se esfacelando".

Vai perdendo apoio aqui e ali........

A Presidente Dilma poderia ter dito:

"Não me deixem só"

Vejam a reportagem, crédito: Revista VEJA

http://veja.abril.com.br/noticia/brasil/dilma-diz-que-sera-candidata-com-ou-sem-apoio-dos-partidos-aliados


30/04/2014 - 09:27

Dilma diz que será candidata com ou sem apoio dos partidos aliados

Em entrevista a rádios baianas, presidente mudou o discurso e afirmou que "tocará em frente" sua campanha mesmo se siglas aliadas continuarem defendendo o "Volta, Lula"

Constrangida por aliados que já defendem abertamente o "Volta, Lula" e índices de aprovação de governo derretendo, a presidente Dilma Rousseff afirmou na manhã desta quarta-feira que será candidata com ou sem o apoio dos partidos que integram sua base no Congresso Nacional.

"Gostaria muito que, quando for candidata, eu tivesse o apoio da minha base, da minha própria base. Agora, não havendo esse apoio, a gente vai tocar em frente", disse, em entrevista a rádios da Bahia. Na sequência, ela emendou uma frase enigmática e encerrou o assunto: "Sempre, por trás de todas as coisas, existem outras explicações".

As declarações mostram uma mudança no tom adotado pela presidente, que havia minimizado um manifesto lançado por deputados do PR pedindo a volta do ex-presidente Luiz Inácio Lula da Silva. "Isso não me pega", disse Dilma em jantar com jornalistas esportivos no Palácio do Alvorada, na noite de segunda-feira. "Ninguém vai me separar do Lula nem ele vai se separar de mim."

O PR (ex-PL) apoia o PT em eleições desde 2002, quando José Alencar, morto em 2011, aceitou concorrer como vice na chapa de Lula. A aliança ajudou a romper a resistência de parte do empresariado e do setor financeiro à candidatura do petista. Mais tarde, após a descoberta do mensalão, o então PL acabou arrastado para o centro do escândalo – o ex-presidente da sigla Valdemar Costa Neto foi um dos condenados a prisão pelo Supremo Tribunal Federal (STF) pelo esquema de corrupção.

Além dos problemas com o PR, reportagem de VEJA desta semana mostrou que a Dilma enfrenta um momento inédito de fragilidade. Além de ter problemas na economia, como o crescimento baixo, a inflação persistente e o desmantelamento do setor elétrico, ela perdeu apoio popular e força para barrar, no Congresso, iniciativas capazes de desgastá-la. A aprovação ao governo caiu a um nível que, segundo os especialistas, ameaça a reeleição. Partidos aliados suspenderam as negociações para apoiá-la na corrida eleitoral. Já os oposicionistas conseguiram na Justiça o direito de instalar uma CPI para investigar exclusivamente a Petrobras.


Acuada, Dilma precisa mais do que nunca da ajuda do PT, mas essa ajuda lhe é negada. Aproveitando-se da conjuntura desfavorável à mandatária, poderosas alas petistas pregam a candidatura de Lula ao Planalto e conspiram contra a presidente. O objetivo é claro: retomar poderes e orçamentos que foram retirados delas pela própria Dilma. A seis meses da eleição, o PT está rachado entre lulistas e dilmistas — e, para os companheiros mais pragmáticos, essa divisão, e não os rivais Aécio Neves (PSDB) e Eduardo Campos (PSB), representa a maior ameaça ao projeto de poder do partido.







SSEC - China x Bovespa - Brasil

Abaixo, a semelhança da dinâmica do índice SSEC, o principal índice do mercado de ações chinês e o Bovespa do Brasil.

Os últimos 6-10 meses têm uma ligeira diferença; lá há um repique no meio, uma volta ao fundo anterior, outro repique praticamente do mesmo tamanho e um outro retorno ao fundo anterior em curso; o que parece mais uma congestão de 6-12 meses...

Por aqui, faltaria uma nova perna de baixa.

A semelhança com a China daria a essa perna de uma baixa uma volta a pontos próximos ao fundo anterior antes do rally de alta, ou seja, uma volta próxima aos 45.000 pontos


SSEC da China em "verde-vermelho" e Bovespa em "cinza"







Bovespa e mercados americanos batendo em faixas importantes com baixo volume

Abaixo os gráficos do Bovespa e dos mercados americanos com Dow Jones e SP500

Todos em faixas importantes.

Porém, estão batendo aí nos últimos 30 dias com baixo volume........

Parecem apenas armar uma perna um pouco mais forte e com muito mais volume pra baixo.

Bovespa resvala novamente hoje ma LTB mais longa, passando ali por volta de 52.500

Foi lá hoje pela manhã e recuou forte em quase todo o resto do pregão

Dow Jones batendo ali na faixa de 16.500-16.600..

SP500 batendo na faixa de 1.880, parecendo uma LTB no curto prazo

Bovespa, diário, escala logarítmica



Dow Jones, diário, escala logarítmica





SP500, diário, escala logarítmica









terça-feira, 29 de abril de 2014

Forte revés na nossa operação de Venda em SANB11 por conta da operação da MATRIZ Espanhola

O anúncio da compra das ações das UNITS do SANTANDER BRASIL , a SANB11, pela matriz do SANTANDER na Espanha, fez nossa posição de VENDA em SANB11 ser massacrada.

Vamos zerar a posição em 14,70, valor do horário de  16:54.

Nossa posição estava em VENDA a 12,94.

Portanto, com o peso de 15,81% de nossa posição, o impacto da perda é de 2,13%





segunda-feira, 28 de abril de 2014

Bovespa em 28-04-2014

LTB abaixo destacada

Bandas já muito estreitas

MACD no tempo diário cruzado na VENDA

Resistências: 51.500; 52.000 e 52.460.

Suportes: 51.200; 51.000; 50.700 e o principal nesse momento em 50.000 pontos

Bovespa, diário, escala semi-logarítmica










sábado, 26 de abril de 2014

A Bolha da Telefonia Fixa....A Primeira do Brasil....Alô UFRJ, USP, FGV, Insper e IBMEC

Mãe: "Meu filho.....Já ligou pra sua tia ?"

Filho: "Ainda não, mãe......não consigo linha no telefone !!"

Quem, com mais de 35 anos, não teve esse diálogo, quando adolescente ou criança com sua mãe ?

Toda mãe tem aquele lado "chato" de ficar te lembrando o dia do aniversário da tia, do tio, do primo, prima, avô, avó...enfim......nossas mães apresentam uma memória incrível nesse sentido.....não sei como elas conseguem.....

No final dos anos 80 eu era adolescente.......e a cada mês,,,,a cada 2 meses......a cada 3 meses, lá estava minha mãe me lembrando sobre o aniversário da minha tia, tio, primo e todo tipo de parente......

No entanto, naqueles distantes anos do Brasil havia um obstáculo quase que intransponível entre a minha mãe e o meu tio, tia, primo ou prima......

O TELEFONE !!!

Sim........O telefone fixo no Brasil dos anos 80 e início dos anos 90 era uma loucura !!..

Linhas cruzadas a toda hora, ruidos , barulhos intermináveis ao longo das ligações e o pior......linha......um "desgraçado" sinal de linha !!!!

Sim.....o ápice foi exatamente a primeira metade dos anos 90, quando o Brasil parecia estar mergulhado na mais absoluta desordem.

Você pegava o telefone e cadê a linha ??? Esperava 10, 20, 30 segundos e nada......com sorte, em 1 minuto a "linha" aparecia !!! e quando não beirava 3,4, 5 minutos

É claro que, em muitas vezes, você desistia no meio do caminho....

Mas nesses dias de aniversário dos parentes, lá estava a sua mãe a te lembrar !!

Já ligou meu filho ?

Teve um dia que eu fiquei tão p,,,que quebrei o telefone !!

Sim....bati tão forte e várias vezes o telefone na mesa que o quebrei.........maldita TELERJ.....a operadora estatal de telefonia fixa do Rio de Janeiro...

E o mais curioso não era isso......o mais curioso é que, a despeito da catastrófica qualidade da linha, elas simplesmente eram uma miragem a nossa frente.

Conseguir uma linha telefônica no Brasil naquela época era uma tarefa hercúlea,

As estatais brasileiras de telefonia fixa não somente eram incapazes de lhes oferecer um mínimo de qualidade, mas também eram incapazes de lhes oferecer a própria linha.

Foram nesses anos loucos do Brasil que fomos apresentados a primeira e grande Bolha de Ativos.....

A BOLHA DO TELEFONE FIXO....ou melhor....A BOLHA DA LINHA TELEFÔNICA

O Brasil já havia decretado a moratória de sua dívida externa em 1987, flertava com uma inflação de 30%, 40%, 50% e, no ápice, 80% ao mês !!. ainda namorava com a ditadura militar, passava por um impeachment do Presidente da República, mas, ainda assim, estava mergulhado numa BOLHA DE ATIVOS !

"Mas, Márcio,.......peraí.......linha telefônica não é ATIVO ?"

Ah, não ????

Vai dizer isso para o brasileiro dos anos 70...80 e 90.......

LINHA TELEFÔNICA era até registrada no Imposto de Renda !!

Uma linha telefônica no Brasil do final dos anos 80 e início dos anos 90 era negociada no "paralelo" por valores em torno de US$ 2 mil.....US$ 3 mil...............

No início era um valor mais baixo.......mas à medida que as pessoas e empresas não obtinham a linha e tentavam obttê-la com boa qualidade, elas pagavam mais e mais, no paralelo.

Sim......Porque, além de oferecerem a linha, o mercado paralelo ainda prometia uma "boa linha", isto é, sem ruídos, barulhos e as infindáveis esperas a que éramos submetidos.

US$ 3 mil era o preço da insanidade da tão sonhada linha telefônica no "Brasil louco" dos anos 80 e 90.

Estamos em 2014.

Qual o preço da insanidade da tão sonhada Casa Própria ?

O que está, de fato, por trás da trajetória insana dos preços dos imóveis no Brasil ?

O propósito aqui não é dar respostas......

É fazer o maior número de questionamentos e perguntas acerca de muita coisa que gira em torno do tema.

 Com meia dúzia de perguntas, a questão fica muito clara......

E é por isso que fazemos Pesquisa.....o problema, no Brasil, é que, pelo menos quando falamos sobre Bolha Imobiliária, a pesquisa tem sido, com raríssimas exceções, nulas; absolutamente nulas.

Cadê a UFRJ ? A COPPEAD-UFRJ ?
Cadê a USP ?
Cadê a FGV ?
Cadê o INSPER ?
Cadê o IBMEC ?
A UFMG ?

Onde estão os estudantes de Mestrado e Doutorado no Brasil que não reservam 12 meses pra fazer pesquisa sobre a Bolha Imobiliária Brasileira ?

A disparada dos preços do imóveis no Brasil não se sustenta com meia-dúzia de perguntas.

O discurso velho e "batido" de que, aqui no Brasil, não criamos o mesmo cenário dos Estados Unidos, famosos pela crise de 2008 provocada pelo estouro de uma Bolha Imobiliária, também não resiste a meia dúzia de perguntas.

Os caminhos que levam a sustentar que os preços dos imóveis no Brasil não sofrerão uma correção forte, seja ela no curtíssimo prazo, seja ela pelo impacto inflacionário, são carregados de  tantos buracos, que me causa assombro a inexistência de  pesquisa em grande intensidade a nível da "Academia",

Deixarei algumas delas.....algumas eu mesmo já respondi em alguns artigos-posts, ou mesmo as respondo aqui .


1- Imóvel, assim como o telefone fixo dos anos 80, pode, de fato, ser considerado um "Ativo" para fins de "rentabilidade" ?

Imóvel é um bem, como tantos outros, diferente apenas pelo fato de ser, intrinsicamente, "imóvel", e, não "móvel"......

Uma empresa, a construtora, compra um terreno, incorpora pedra, cimento, pilares, concreto, design e produz o "imóvel"......pronto.........custo, mais margem igual preço final.....

Por quê então esse "preço final" sobe 200%, 300% em tão curto espaço de tempo ?

Tava "barato" ? Hum.........mas o "Tava barato" não era "custo+margem= preço final" ?

O "novo imóvel" está localizado numa área completamente, francamente, largamente, "espetacularmente" remodelada para justificar um acréscimo em seu valor em 300% ?

Eu posso normalmente "alugar" esse imóvel, "rentabilizá-lo" com o "aluguel", assim como o faria com o "meu automóvel" ou "a minha roupa importada de Marte ou Plutão".........disponibilizar um "bem", imóvel ou móvel, para outro e obter um ganho é absolutamente normal e "explicável" economico-financeiramente, já que um terceiro usufrui daquele objeto.

Mas obter um ganho de 300% com o "imóvel" num curto espaço de tempo é explicável ?

Afinal, o que eu faço com o imóvel ? "Apenas" o consumo, isto é, apenas vivo nele.......

É explicável obter um ganho de 300% com as ações da construtora que o constrói, já que ela pode, em escala suficiente, produzir mais e mais imóveis, vendê-los, aumentando, por conseguinte, o lucro num curto espaço de tempo,

A "aposta" e o ganho espetacular de quem produz o imóvel faz sentido.....

Porém, faz sentido o ganho espetacular "em cima" do "imóvel em si" ?

Peguem o gráfico exposto abaixo do índice "Case-Shiller", o índice que melhor representa o preço dos imóveis nos Estados Unidos, país sobre o qual podemos nos ater, já que os dados remontam a 120 anos atrás.



Em 120 anos de preços dos imóveis americanos, não há desvios muito grandes de preços. Pra baixo, ainda temos os períodos das 2 Grandes Guerras Mundiais.

Nesses 120 anos, aumentos de, no máximo 40% , foram os "permitidos" nesse universo. Ou seja, um momento mais eufórico aqui, de maior liquidez acolá, enfim, nesses momentos, as construtoras e o próprio mercado puxaram os preços pra cima....

"Apenas" depois de praticamente 120 anos de dados sobre os imóveis nos EUA, é que há um grau de insanidade que levou os preços em elevado grau para cima; ali no período 2000-2007....

Depois, o forte ajuste e o estouro.

Fica claro que lá, imóvel nunca, nunca foi "um bom negócio" no longo prazo.

Talvez fazendo-nos refletir e pensar sobre o que, intrinsicamente, carrega o imóvel no consciente dos agentes econômicos.

Imóvel é pra comprar e "usá-lo", ou seja, usufrui-lo como moradia, como "lar".



2- A Relação de Crédito Imobiliário / PIB no Brasil é bem menor do que nos Estados Unidos quando houve o estouro da Bolha Imobiliária.

O argumento acima é, talvez, o mais utilizado por aqueles que defendem que aqui no Brasil  não reunimos as condições de uma Bolha Imobiliária, já que a relação de Crédito Imobiliário / PIB Brasil é bem menor do que a relação americana no ápice da Bolha Imobiliária

Ora...ora....ora.....

E desde quando relação de "causa e efeito" explica alguma coisa ?

O Bom de ser ler Filósofos da Ciência, como David Hume e Karl Popper, é termos sempre a mente aberta e o ceticismo em relação ao atual "Estado das coisas".

E isso passa por sempre, eu disse, sempre desconfiarmos de qualquer relação "causa e efeito" e das verdades absolutas.

David Hume ajuda muito quando "destrincha" a "Teoria da  Causalidade", e Karl Popper também, quando a pega pra aprofundar a sua "Teoria da Falseabilidade".

Para Karl Popper, "tudo" é "falseável".....tudo, absolutamente tudo pode ser refutado,,,,"falseado", tudo é "inerentemente falseável"....tudo....toda "verdade absoluta".......

É preciso ter uma alta relação de "crédito imobiliário / PIB" para termos uma Bolha de Ativos Imobiliários ?

Hum.....

Então...seguindo a mesma relação de "causa-efeito" , a "Bolha de Ativos de Linha Telefônica" dos anos 80 só foi possível dada uma "ALTA RELAÇÃO DE CRÉDITO DE LINHA TELEFÔNICA / PIB BRASIL ANOS 80".....

O país, como eu já disse, era um caos absoluto nos anos 80 e início dos anos 90.......até calote externo o País praticou......então crédito para as linhas telefônicas era a última coisa a se pensar......até mesmo porque, era tudo "no paralelo".........e, mesmo assim, os preços das linhas telefônicas atingiam valores inimagináveis.....

E o que dizer da pesquisa do BIS, BANCO DE COMPENSAÇÕES INTERNACIONAIS, da qual eu já tangenciei aqui 1 ano e meio atrás ?

A Pesquisa, do ano de 2002,  tinha como objetivo estudar as flutuações de preços dos imóveis  encontradas nos EUA, Reino Unido, Canada, Austrália , Irlanda e Holanda, ao longo, mais especificamente, do período 1995-2001.

Nesses países , 3 variáveis foram particularmente importantes na flutuação de preços dos imóveis; a saber, o crescimento do PIB, a taxa de juros e o "preço-comportamento" do mercado de ações.

Ver parte da pesquisa aqui : http://www.bis.org/publ/qtrpdf/r_qt0209f.pdf

Ora,,,,,,

Sobrepondo as 3 variáveis acima ao caso Brasileiro, estamos longe de uma relação "causa-efeito" minimamente consistente ou determinante....

Nosso PIB PER-CAPITA sobe forte dos anos 90 pra 2007.....Bolsa de Valores idem, e, nem por isso, os preços dos imóveis sobem.....

taxas de juros cairam fortemente em meados de 2012 até meados de 2013, mas os preços dos imóveis já estavam na "estratosfera".....

Ou seja.......o tripé de "causa-efeito" PIB-JUROS-MERCADO DE AÇÕES que funcionou para os 6 países acima, não funcionou para o Brasil....

Esqueçam a história de "causa-efeito" de "Crédito / PIB BRASIL".....

Isso não vai funcionar.....

3- Não seria melhor pesquisar uma outra "Causa-efeito"  ?

E qual seria ?

Vamos contar uma outra história pra criar o contexto...

Outro dia vi um debate que dizia o seguinte....

"Não temos a condição no Brasil para uma BOLHA IMOBILIÁRIA", pois não temos ou não tivemos "fluxo".......ele ainda usou o nome em inglês......"FLOW".....

Hum....pensei eu..........

Aí, fui pesquisar um dado que também já havia registrado aqui antes.......

Entre 2005 e 2007, as principais CONSTRUTORAS do Brasil foram ao mercado de ações e captaram com seus respectivos IPO'S a "bagatela" de R$ 7,56 BILHÕES !

Ao final do texto, colocarei uma espécie de anexo onde mostrarei as fontes e como cheguei a esse número.

R$ 7 bilhões e meio não é fluxo ??

Com R$ 7, 5 Bilhões em caixa, dinheiro e fluxo "novinhos em folha", as construtoras  foram "às compras" e inundaram o mercado de fluxo.....

Inflacionaram os terrenos, gerando um efeito cascata, inclusive no mercado secundário de usados.

Abaixo, no gráfico do IVG-R, um índice imobiliário publicado pelo Banco Central para acompanhar preços dos imóveis no Brasil,  dá pra perceber que alta percentual que ocorre logo em seguida ao período dos IPO'S das construtoras, é maior do que a alta verificada no período seguinte.





Isso é fluxo verdadeiro.........


Vamos finalizar...

4 - Demanda reprimida 

Oh.........a tal da DEMANDA REPRIMIDA !

Um outro argumento dos que defendem  de que não há Bolha Imobiliária no Brasil  repousa sobre o nome de "Demanda Reprimida"....

Havia uma demanda reprimida no Brasil que justifica e justificou a alta forte dos preços dos imóveis...

Uma questão de "OFERTA E DEMANDA"

Ora....ora....ora......

Deixe-me ver......

Demanda Reprimida......

Hum.....

OPA......peraí....perai.....perai......

Vamos voltar ao TELEFONE FIXO dos anos 80 e parte dos anos 90 !!!

Essa coisa me persegue !!!

Havia uma DEMANDA REPRIMIDA de TELEFONE FIXO no Brasil !!!

Afinal......as estatais de telefonia fixa não só não ofereciam qualidade na linha telefônica, como não conseguiam atender a "DEMANDA REPRIMIDA"...

E aí, obter uma linha telefônica era uma questão de espera de meses.....anos.....daí, a BOLHA NO "PARALELO" e a insanidade dos preços de até US$ 3 mil numa linha telefônica oferecida pelo "mercado paralelo", em poucas semanas, às vezes , dias.....

E veio a PRIVATIZAÇÃO DAS ESTATAIS TELEFÔNICAS !!!

Ufa !!!

As empresas agora privatizadas investiram e, em poucos meses, até por uma exigência da regra das Privatizações, elas passaram a oferecer LINHAS TELEFÔNICAS à imensa sociedade brasileira !

Uma imensa DEMANDA REPRIMIDA foi atendida

E os preços CAÍRAM !!

Não é curioso ??

Prestem atenção !

A suposta DEMANDA REPRIMIDA no mercado de imóveis é utilizada e "justificada" para explicar uma ALTA INSANA dos preços dos imóveis.

Ora, no mercado de imóveis uma DEMANDA REPRIMIDA explica uma alta nos preços,; numa direção completamente inversa, uma DEMANDA REPRIMIDA no mercado de TELEFONIA FIXA explica uma queda nos preços das linhas telefônicas.

É mais ou menos aquela história de 2 Consultores que foram a um país imensamente populoso avaliar o potencial de um novo produto para a empresa em que trabalhavam.

Um deles, quando voltou ao escritório e se reuniu com o chefe, disse que havia um enorme espaço a conquistar, já que tratava-se de "novidade", e ninguém utilizara até então algo tão "diferente" .

O outro, numa outra reunião, mostrou-se pessimista, e relatou que haveria enorme dificuldade, já que tratava-se de algo "diferente" para "aquele país" assimilar.


UFRJ
COPPEAD-UFRJ !
USP
FGV
INSPER
IBMEC..
UFMG......

Mestrandos e Doutorandos......

A Bolha Imobiliária Brasileira tem um vasto caminho a ser estudado....

Vamos cruzar dados.....gráficos...informações.....

Sem caminhos "fáceis".........artificiais....

Vamos colocar David Hume e Karl Popper debaixo do braço....e fazer pesquisa sobre Bolha Imobiliária Brasileira.............

Inclusive, saber se a Bolha da Telefonia Fixa foi a Primeira no Brasil; pelo menos , a Primeira no Período Republicano Brasileiro

Precisamos de muito mais.....



__________________________________________________________

ANEXO com os IPO'S das principais construtoras do Brasil e links



1- CYRELA 

SET-2005

 R$ 900 milhoes

http://exame.abril.com.br/revista-exame/edicoes/0939/noticias/sobreviva-ganhe-depois-428515

2- GAFISA 

FEV-2006

R$ 926 MILHOES


http://gafisa.riweb.com.br/Mobile/ShowMobile.aspx?idConteudo=7/RkGohUvf6WDv7CKRtVeg==&idCanal=8NiGdr6IG71amYGdnDASGw==

3- BROOKFIELD

Outubro de 2006

R$ 765 MILHOES

http://ri.br.brookfield.com/brookfield/web/conteudo_pt.asp?idioma=0&conta=28&tipo=36956


4- MRV ENGENHARIA

JUL-2007

R$ 1,19 BILHÕES

http://portal.anbima.com.br/informacoes-tecnicas/boletins/mercado-de-capitais/Documents/TabelasdeRegistros_012014.xls

5- PDG

JAN-2007

R$ 724 MILHÕES

http://portal.anbima.com.br/informacoes-tecnicas/boletins/mercado-de-capitais/Documents/TabelasdeRegistros_012014.xls

6- EZTEC

JUNHO-2007

R$ 542 MILHÕES

http://portal.anbima.com.br/informacoes-tecnicas/boletins/mercado-de-capitais/Documents/TabelasdeRegistros_012014.xls

7- JHSF

ABRIL-2007

R$ 432 MILHÕES

8- EVEN

MARÇO-2007

R$ 460 MILHÕES

9- TECNISA

JAN-2007

R$ 910 MILHÕES

10- RODOBENS

JAN-2007

R$ 448 MILHÕES

11- HELBOR

25-10-2007

R$ 267 MILHOES

http://portal.anbima.com.br/informacoes-tecnicas/boletins/mercado-de-capitais/Documents/TabelasdeRegistros_012014.xls


TOTAL:  R$ 7,56 BILHÕES


Novo livro de Ivan Sant'anna....: "1929"

Melhor escritor de ficção do universo financeiro do Brasil....Ivan Sant'anna........pra mim, o melhor....

Em seu livro "Mercadores da Noite", Ivan Sant'anna chega ao nível dos melhores do mundo.....

À época, cheguei a lhe mandar um email dizendo que Julius Clarence, o protagonista do livro, era muito mais interessante do que Gordon Gekko , o protagonista do filme "WALL STREET 1", de 1987.

Enfim......há menos de 60 dias chegou às livrarias o novo livro de Ivan Sant'anna, "1929".

Fica a mensagem.....apenas o tenho em mãos hoje.......

A primeira impressão é muito boa.....

Abaixo, a sinopse, a capa e o link da livraria da travessa.....


Também um link de uma entrevista dele concedida na última quarta-feira no programa do "Jô Soares" falando sobre o livro....

http://www.travessa.com.br/1929/artigo/d421e520-7ad3-42d3-a5e1-dc08629111f1




Em 1929, Ivan Sant’Anna descreve em detalhes os dias, semanas e meses que precederam a quebra da Bolsa de Nova York, o grande colapso do mercado financeiro norte-americano e mundial, a partir da trajetória de personalidades famosas e pessoas comuns.

Para narrar os eventos de um dos capítulos mais sombrios e complexos do capitalismo mundial, o autor pesquisou a fundo a vida de pessoas que tiveram, em questão de horas, seus destinos retraçados. Superando a aridez das análises econômicas, Sant’Anna oferece ao leitor a dimensão humana dos acontecimentos.

Charlie Chaplin, Joe Kennedy, Irving Berlin. A vidente Evangeline Adams, o banqueiro Jack Morgan. O carteiro Homer Dowdy e sua esposa doente. A adolescente Jolan Slezsak. Os relatos revelam como o ano de 1929 mudou a vida de cada um deles. Tristes, comoventes, impactantes, surpreendentes — esse mosaico de histórias compõe um retrato singular dos anos 1920.



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http://gshow.globo.com/programas/programa-do-jo/O-Programa/noticia/2014/04/ivan-santanna-relata-historias-envolvendo-o-crash-da-bolsa-em-1929.html







sexta-feira, 25 de abril de 2014

Pra 6-12 meses, tirando VALE5......eu não compraria muita coisa.....Bandas no SEMANAL demoram a estreitar.....

Oportunidade boa na COMPRA....boa mesmo........com "risco x retorno" interessante......papel com liquidez,,,,,,,empresas medianamente sólidas......com bom-confortável índice de liquidez..........pra 6-12 meses......difícil........

Vários papéis esgarçaram muito suas bandas no SEMANAL.....

Irei apenas colocar aqui abaixo o da BBDC4..........

Mas, pelos motivos já expostos aqui nos últimos 15-20 dias.......tiraria dessa as da "VALE"......Por questões de "preferência", tenho me restringido a VALE5.......

Ainda vejo na VALE5 uma alta mais "ousada".........

falta a VALE........Falta a VALE ainda pro Bovespa armar a próxima grande perna de BAIXA.....

Até a VALE5 ousar e ter mais uma bela perna de alta, ainda acho que o Bovespa não arma a próxima e forte PERNA DE BAIXA.......

Sei que a "carteira blog" está VENDIDA em "VALE5" a 29,10.......devo armar a COMPRA na faixa de 26,00........


Enquanto isso.......escolham uma trilha sonora  e esperem.........coloquei a minha.......4 vídeos....anos 70.....80...90....2000

Uma trilha sonora um pouco mais nostálgica, já que o Brasil mergulha de peito aberto" nos anos 70-80



BBDC4, SEMANAL



ANOS 70

"ABC" com os JACKSON 5, incluindo Michael Jackson quando criança no Vocal





ANOS 80

"LET THE RIVER RUN "com Carly Simon 





ANOS 90

"Throwing It All Away", Com Genesis de Phill Collins 





Anos 2000

"Just Like A Pill", com PINK 








quinta-feira, 24 de abril de 2014

As fortes divergências do "DOWA50R" e "SPXA50R" com o Dow Jones e SP500.....as chances de uma correção em torno de 7-10% aumentam

Em alguns momentos lá atrás eu já resgatei os gráficos "DOWA50R" e "SPXA50R" para demonstrar algumas divergências que esses índices apresentam com os seus "pares" DOW JONES e SP500.

Os gráficos "DOWA50R" e "SPXA50R" nada mais são do que "a representação" do percentual de ações constantes dos respectivos índices que estão acima da Média Móvel Simples de 50 períodos.

As divergências acontecem quando os "pares" estão em "diferente sintonia", isto é, um continua subindo ou no mesmo patamar, enquanto o outro caindo (fazendo topos descendentes).......como acontece com qualquer tipo de divergência

Abaixo, marquei os respectivos períodos os quais quero ressaltar.

As divergências mais gritantes dos últimos 3 anos, no tempo diário, aconteceram com o DOW JONES.

Agora, mais uma vez......o índice resvala novamente em seu topo histórico, ou o mesmo topo de janeiro e mès passado, com "menos papéis" acima da MA50....

Falo novamente......

Prestem atenção no "DOWA50R" em out-nov-dez-2013, por exemplo.......Dow Jones subindo......e "DOWA50R" com topos descendentes no mesmo período....em seguida.........correção mais acentuada....

Agora, tecnicamente, o Dow Jones ainda não foi ali por volta de 16.600-16.630......foi até 16.560......faltam 40-70 pontos.....

Mas, desde já, podemos ver que a ida até essa faixa marcará uma nova e forte divergência

O SP500 pode ser comparado da mesma forma com o "SPXA50R".....

Faltam, com a máxima da semana, apenas 2-3 pontos para o topo histórico em 1.897 pontos.......

E, nesse momento, a divergência baixista é gritante com o "SPXA50R" .....

Ou seja......o índice SP500 alcançando o mesmo topo com um número cada vez menor de papéis "acima da MA50"

Esse tipo de divergência põe muita pressão numa correção acima de 5%......muito mais pra 7-10% de correção

Vamos aos gráficos......

DOWA50R, Diário, período 4 anos




DOW JONES, Diário, período 4 anos




SPXA50R, Diário, período 4 anos





SP500, Diário, período 4 anos












Não vamos falar sobre o Bovespa....e sim de seu "espelho"......o "BZQ"

Abaixo, o "BZQ".....

O ETF-Espelho que temos sempre resgatado nas "supostas" reversões......pelo menos nos momentos em que, na minha visão, o Bovespa começa a atingir níveis "ambíguos" ou "delicados"......com sinais "estranhos" por todos os lados, além das divergências mais comuns, mais especificamente, as que vêm do IFR14.

Estou falando do índice "BZQ".....uma espécie de hedge do Bovespa....

Continua com uma forte divergência altista de IFR14 no tempo diário.

E com um fundo ali na faixa de 63-64, faixa importante vista no gráfico SEMANAL.

Detalhe........com uma LTB longa "respeitada"

Da mesma forma que a ida ali na faixa de 107-108 soou o alarme de que o Bovespa poderia ter atingido o fundo há 45 dias......e isso foi ali em 46.000 pontos.....o Bovespa "´precisou" ir aos 45.000..

Ou seja,,,,da mesma forma que os 107-108 soaram com um alarme......essa faixa de 63-64 pode sinalizar que o topo do Bovespa nesse rally de alta é a faixa de 53.500 alcançada 15 dias atrás....

Um pouco mais, um pouco menos......enfim......

Hoje, o Bovespa fez novas mínimas.......e na máxima resvalou na importante faixa de 52.000 pontos....

BZQ, DIÁRIO, Escala logarítmica





BZQ, SEMANAL, Escala logarítmica










ARTR3 ficou "ex-dividendos" em R$ 0,3588 hoje.....ajuste efetuado na "carteira blog"

ARTR3 ficou "ex-dividendos" em R$ 0,3588 hoje.....ajuste efetuado na "carteira blog"

Havia uma entrada de "ARTR3" na "VENDA" em 18,39 na "carteira blog". Com o ajuste "ex-dividendos", a entrada passa a ser de R$ 18,03.

Ajuste efetuado e planilha atualizada no link "carteira blog"




quarta-feira, 23 de abril de 2014

Enquanto o Bovespa vai estreitando suas bandas, vamos voltar a falar da VALE5

Bovespa ainda em sua fase de estreitamento das bandas bollinger, tanto no diário, como no Semanal.

Enquanto isso, vamos voltar a focar na VALE5

Abaixo, GRÁFICO SEMANAL.

LTB vista pelos fechamentos semanais ainda não deu "mostras" de rompimento.

Papel agora vem fazendo no diário "topinhos e fundos descendentes" depois de um forte rally de quase 20% do fundo de 24,88

Hoje, fechamento em 27,70, abaixo de um pivotzinho na faixa de 28.10-28,30.

Portanto, ainda teria que novamente romper pra cima esse pivotzinho pra anular a tendência de baixa no curtíssimo prazo.

Pra baixo, passamos a olhar 27,60, faixa da mínima de hoje; depois 27,10-27,20.

O mais forte e significativo pivot abaixo do atual que podemos ver é a faixa de 25,80-26,00; ida bastante provável nesse momento.

Mais importante agora, principalmente no gráfico SEMANAL, é olharmos a LTB e a dinâmica da linha MACD e o HISTOGRAMA, que mostraram medianamente confiáveis no curto-médio prazo nos últimos rallys de alta dos últimos 2 anos.

Hoje, tanto a LINHA MACD como o histograma, marcados abaixo, encontram-se em modo "VENDA" no tempo SEMANAL


VALE5, SEMANAL, Escala semi-logarítmica








terça-feira, 22 de abril de 2014

DAX Alemanha sobe 2% depois de fechar "em cima" da LTA de 3 anos semana passada

Mercados mundiais continuam absolutamente insanos......

Especificamente, os mercados americanos e alemães continuam salvando LTA's em cima de LTA'S, dia após dia, semana após semana, mês após mês.

Aquela LTA de 5 anos do Dow Jones que venho expondo aqui, somente será "salva" ao final desse mês de abril, se o DOW JONES fechar acima de 16.500 pontos.

Hoje, passou próximo do topo histórico em 16.630 pontos, máxima em 16.566 pontos; fechamento em 16.510.

Agora, reparem no fechamento do DAX-Alemanha hoje.

Ontem, o mercado alemão, assim como o nosso, manteve-se fechado.

Hoje, alta de 2%, de volta à faixa de 9.600 pontos.

Respira um pouco mais longe da LTA.


DAX-Alemanha, Diário, escala logarítmica



DAX-Alemanha, SEMANAL, escala logarítmica









Bovespa em 22-04-2014

Bovespa fechou em queda de 0,26% em 51.980 pontos; ligeiramente abaixo de importante divisor de 52.000 pontos.

Hoje, na máxima, passou muito próximo da primeira longa LTB, um belo teste, depois do rally fantástico de alta que vem desde os 45.000 pontos há pouco mais de 1 mês. Máxima de hoje foi em 52.460 pontos.

 LTB abaixo destacada passando hoje ali por volta de 52.500-52.600.

MME13 ainda sobre a MME21 no tempo diário, portanto, ainda em modo COMPRA no tempo diário.

No entanto, estou dando muito menos peso a esse cruzamento, já que a alta em 40 dias foi muito forte; assim, uma nova perna de baixa pode fazer com que essas Médias se cruzem rapidamente na direção contrária sem que a tendência de alta no curto prazo seja eliminada.

Mas está lá. inclusive essa primeira forte perna de baixa até os 50,000 pontos foi até justamente a MME21 e média bollinger configurada para 20 períodos
.
Ou seja, pra quem gosta de operar médias, sejam elas exponenciais de 21 ou "médias bollinger", o "primeiro dever de casa" foi cumprido.

Suportes agora 51.680, mínima de hoje, 51.500, 51.000; depois muito picote.....50.800.....50.500 e o mais forte em 50.000 pontos.

Bovespa, SEMANAL, Escala logarítmica









segunda-feira, 21 de abril de 2014

"Cara....na boa.......quando todo mundo começa a "só falar" em Inflação no Brasil...é porque acabou.....estamos nos anos 80 e parte dos anos 90....acabou..entenderam ? GAME OVER..."

Quem lê o blog, e viveu como adolescente ou não os anos 80 e parte dos anos 90, sabe o que quero dizer com o título do post.....

Sabe o que é viver falando e discutindo inflação no Brasil "toda hora"....

Nos anos 80 e parte dos anos 90 era assim....

Só se falava sobre inflação......só se discutia sobre inflação.....

Ali por volta de 1997, eu comprei um livro chamado "CONVERSAS COM ECONOMISTAS BRASILEIROS"...o livro é de 1996 e foi editado pela EDITORA 34

Faço questão de expor a capa do livro logo abaixo.

Eu considero esse livro um dos mais importantes livros de Economia Brasileira, pois nos oferece a visão de alguns dos principais estudiosos, pesquisadores e economistas brasileiros, principalmente quando falamos de economistas que estudaram e pesquisaram a crônica Inflação Brasileira do final dos anos 70, dos anos 80 e parte dos anos 90

Aqui está  a capa....volto em seguida




O livro, em forma de entrevista, é um "colírio" acerca do que pensam alguns dos maiores economistas brasileiros sobre vários temas, mas, especificamente sobre inflação.....

Ainda que o livro fosse de 1996, 2 anos após a criação do Plano Real, o tema inflação ainda era presente.  Com o sucesso do Plano Real, o universo Econômico voltara a atenção para a discussão sobre as causas desse sucesso; isto é, o que foi determinante para que a inflação brasileira, que beirou insanos 80% ao mês no início dos anos 90...sim ao mês !!!, fosse controlada...

VALE A PENA LER O LIVRO !!

Mas, voltando.........

Esse universo permeava toda a discussão econômica no Brasil nos anos 80 e 90.......

O tempo passou, uma nova geração de estudantes foi incorporada e o tema INFLAÇÃO foi posta um pouco " de lado".....

Estamos em 2014 !!!!

E não é que começamos a ver, aqui e ali, uma profusão de discussões em torno da INFLAÇÃO !!!

Por que será ????

A inflação fugiu ao controle no Brasil ???

E, como diz o próprio Luiz Gonzaga Beluzzo, em entrevista apresentada abaixo, e que ainda darei uns pitacos, em um mundo em que se discute DEFLAÇÃO !!!

Ou seja......o mundo se preocupa com DEFLAÇÃO e aqui no Brasil, volta-se a discutir INFLAÇÃO !!!

Por que faço questão de trazer  a entrevista de Luiz Gonzaga Beluzzo publicada anteontem no jornal " O Estado de São Paulo" ?

Não vou negar que, depois que Belluzo "se aliou" ao "modo petista" de pensar, "o deixei" um pouco de lado.....

Não leio o Belluzo com tanta frequência como o lia nos anos 80......

Mas, enfim......não sou "radical"..........eventualmente o leio, até mesmo pra ter as 2 visões.....

E o que está abaixo.....em sua entrevista, me acende um alerta !!

Vocês terão a oportunidade de confirmar isso ou não....

A entrevista é muito, mas muito longa.......

Tirei vários trechos.....

Mas, em menos de 5 minutos de leitura, vocês ficarão "assustados" em relação ao número de vezes em que a INFLAÇÃO foi tratada.....foi discutida....

MEU DEUS !!

Estamos em 2014 !!!

Não estamos em 1984...1988....1990....1992......

Estamos em 2014 e Luiz Gonzaga Beluzzo durante cerca de 20 minutos fala mais da metade do tempo sobre INFLAÇÃO !!!!

Reparem que o próprio Belluzo está no livro que citei.....CONVERSAS COM ECONOMISTAS BRASILEIROS.....

Belluzo sempre foi um atuante debatedor e pesquisador sobre INFLAÇÃO NO BRASIL.....

Aqui está ele, novamente, 20, 30 anos depois, falando sobre INFLAÇÃO !!!

BIZARRO !!!!

Fiquem, antes da entrevista, com um documentário sobre INFLAÇÃO NO BRASIL....para os mais jovens ou não tão jovens assim......eu já havia colocado esse vídeo aqui......hoje, muito mais oportuno.

Mais abaixo, parte da entrevista do Economista Luiz Gonzaga Belluzo...









'Desembrulhar o pacote de 2015 não vai ser fácil', diz Belluzzo
Para o economista que já foi conselheiro do ex-presidente Lula, a política fiscal caminha num corredor estreito, mas o cenário para os investimentos é promissor
19 de abril de 2014 | 16h 37

Alexa Salomão e Ricardo Grinbaum
Mesmo sendo um economista "menos crítico ao governo", como ele mesmo diz, Luiz Gonzaga Belluzzo acredita que é importante realinhar a rota do governo: "é preciso dar mais peso ao investimento do que ao consumo e elevar a meta de superávit primário", diz.

Na sua avaliação, outra tarefa prioritária é se dedicar à solução de problemas estruturais, como a indexação, que faz a inflação persistir, e o baixo crescimento. Entre as estratégias que defende está o fortalecimento da Petrobrás, que pode contribuir com a reindustrialização, e a permanência da política de campeões nacionais. "Você não pode entrar na competição global com uma carroça e concorrer com os caras que estão em carros de Fórmula 1", disse na entrevista que segue.

Como o senhor está vendo a economia?

Luiz Gonzaga Belluzzo- Eu vejo a economia brasileira eivada de contradições e, às vezes de aporias – contradições que não se resolvem. Hoje o Brasil tem dificuldade para lidar com o regime de metas e para colocar a inflação na meta. Ouço muita gente dizer: vamos fazer uma recessão e colocar a inflação na meta. Pensar isso é ótimo, mas você vai ter que enfrentar as consequências políticas.

Os economistas em geral navegam numa abstração em que o homem real e concreto não é levado em consideração – é como se dissessem, se você vai se estrepar o problema é seu. É difícil explicar alguns problemas na linguagem dos economistas. Por que coloco a inflação em primeiro lugar? Porque esse é o tema que no momento mais suscita debates, mas a questão vai além. Se você olhar ao longo do tempo fica muito claro que, desde a estabilização, a inflação está, na média, em 5,7%. É uma situação peculiar. Recentemente, isso chamou a atenção de um economista do Fundo Monetário Internacional (FMI) chamado Shaun Roache. Ele escreveu sobre essa persistência da inflação.

Falei sobre isso em um artigo na Carta Capital. Roache fez uma análise econométrica muito sofisticada para identificar essa persistência. A sua conclusão é: não há certeza se essa situação se deve ao fato de a indexação ainda sobreviver na economia ou se o problema decorre da reação do Banco Central, que, na expectativa dos agentes, é inadequada. No fundo, há um conflito entre o passado e o presente na política de metas. A política de metas não considera que as pessoas olham para o passado. Mas os agentes olham o passado – olham a indexação. Está correto olhar para frente, mas isso não permite que você elimine a indexação.

Quando a gente fala isso, as pessoas ficam nervosas porque, para muitos os agentes, os formadores de preços, olham apenas para as condições futuras – quando na verdade não é bem assim. Os salários, por exemplo, estão indexados e, por isso, permitem que qualquer choque de preço passe adiante. Eu costumo usar o exemplo do tomate. O choque de preço do tomate passa para o salário, para o transporte, para a educação. Dentro a indexação dentro da Facamp (Faculdades de Campinas, instituição da qual Belluzzo é sócio e professor).

Sofremos, por exemplo, a indexação das tarifas públicas. Falava sobre isso ontem com João Manuel (economista João Manuel Cardoso de Mello, também sócio e professor da Facamp). A segunda questão é o crescimento. Outra vez: se olharmos uma base longa, perceberemos que o Brasil vem tendo problemas para crescer. A partir dos anos 80, sofreu uma crise bastante importante que teve efeitos de longo prazo e estruturais. São 30 anos desde então. Primeiro, houve a década perdida.

Eu, infelizmente, fui para o governo depois da crise da dívida externa. A situação era incontrolável. O financiamento organizado pelo comitê dos bancos (Comitê Assessor dos Bancos, representante dos credores) e pelo do Fundo Monetário Internacional nos mantinha com a água aqui no queixo. Havia a tensão sempre presente do estrangulamento cambial, que obrigava a desvalorização do câmbio. Houve vários choques na tentativa de se conter a inflação.

A economia teve um comportamento errático e o crescimento, na média, foi muito baixo. Depois da estabilização, tivemos problemas de política fiscal, monetária e cambial. A estabilização foi feita com a âncora cambial. Se você pegar a taxa média de juros da economia, a Selic, do período verá que ela foi de 22% real ao ano. Houve momentos de grande tensão, por causa das crises. Fernando Henrique Cardoso pegou a crise mexicana, a crise asiática, a Russa – e a política econômica imaginada não era adequada para o momento porque supunha que os ganhos de competitividade viriam de uma valorização cambial que forçava os empresários a tomar providências. Isso é pelo menos duvidoso.

Nenhum país em desenvolvimento fez isso. É muito fácil dizer que o governo de Fernando Henrique foi de baixo crescimento – de 2,3%, 2,4% na média –, mas houve as crises. O governo Lula (Luiz Inácio Lula da Silva) teve a seu favor uma melhora sensível das condições internacionais por conta da China. O preço das commodities abriu espaço para que ele fizesse as políticas corretas, sociais, com distribuição de renda. Isso foi inédita no período. A exceção de alguns emergentes, o movimento foi o contrário.

O mundo aumentou a desigualdade. Não que se tenha feito aqui uma nova classe média – fico nervoso quando ouço isso. Mas foi feito um avanço social importante, que teve repercussões até na forma de crescimento da economia. Entre 2004 e 2008, 2010, a taxa de crescimento foi mais elevada. Mas houve uma espécie de deslocamento da economia brasileira em relação ao que está acontecendo na economia internacional. Não conseguimos nos aproximar, nos articular, nas chamadas cadeias globais de valor. As mudanças no mundo nesses últimos anos foram muito profundas.

É essencial entender alguns fenômenos. Uma deles foi a mudança da manufatura para a Ásia. Criou-se um cluster asiático, principalmente com a China e suas relações com países asiáticos. A China tem a liderança na produção de várias manufaturas. Ocorreu uma reconfiguração da setor manufatureiro em escala global. Você produz na China, mas as empresas que estão capturando os ganhos não estão lá. Veja o caso da Foxconn, que produz o iPad para a Apple. Ela produz um iPad por US$ 150 na Ásia, mas nos EUA ele é vendido por US$ 500.

A Apple não produz quase nada nos Estados Unidos. O Brasil ficou fora dessa reconfiguração. Não avançamos na mesma direção que a industria global – tanto do ponto de vista da organização empresarial, quanto dos setores. Até o início da crise da dívida, diria que estávamos par e passo com o resto do mundo. Até o final dos anos 60, mais ainda. Se olharmos as taxas de crescimento e a diversificação da indústria brasileira, vamos perceber que estávamos bem ali, colados no que era a última palavra em indústria. Não é mais assim.

Por que falei de inflação e depois de crescimento? Porque há uma relação entre as duas questões – e essa é uma questão que vai estar presente nos próximos anos. Vários aspectos dessa recuperação tem relação com a condução da política anti-inflacionária. Temos ai um problema. É impossível recuperar – ou pelo menos buscar alguns nichos industriais – sem uma política cambial compatível com essa reindustrialização. Eu espero que ninguém esteja lendo minha entrevista tente o suicídio. O que estamos vendo agora?

O Banco Central fazendo um esforço enorme para impedir que a inflação avance. Para isso, está admitindo uma certa valorização do câmbio. As vezes noto, com surpresa, as pessoas dizerem que é ótimo o câmbio estar se valorizando. É ótimo no curto prazo, mas no longo é muito ruim porque afeta a indústria brasileira. Muitas indústrias se transformaram em importadoras. Muitas empresas praticamente fecharam as linhas de produção. Para a empresa, nenhum problema. Ela continua ganhando dinheiro importando. Mas isso pode nos custar muito no futuro. Vamos retomar a questão do crescimento.

No segundo governo Lula, as taxas de crescimento foram maiores também porque a política econômica foi compatível e tivemos o benefício da melhoria dos termos de intercâmbio e o bom comportamento da balança comercial. O déficit em transações correntes era muito pequeno, perfeitamente financiável. Quando os agentes do mercado internacional viram o comportamento das commodities, correram para os países que eram produtores de commodities. Não só para nós. Foram também para Rússia, para Austrália. Os capitais entraram generosamente – tanto que acumulamos US$ 375 bilhões de reservas. Foi o grande benefício desse período. Nunca tivemos reservas tão elevadas, nem em proporção do PIB.

A política do salário mínimo e a política social trouxeram um contingente importante de brasileiros para o mercado de consumo. Também ai houve um fator chinês. O preço das manufaturas despencou e o câmbio facilitou a aquisição de bens duráveis. Foi possível nesse momento, incorporar uma fração importante ao mercado de consumo e ao mercado de crédito. Nesse ponto vem a história da perda de dinamismo econômico.

Houve um momento, logo depois da crise, em 2009, em que o governo tomou as medidas de restauração do crédito, a compra de carteiras, a mobilização do fundo garantidor do crédito – tudo isso porque o Brasil sofreu um contágio em 2009. O PIB caiu 0,3%, mas todo mundo, de repente, cortou os programas de investimento. Os empresários ficaram apavorados. Não se sabia a dimensão da crise. O governo foi muito feliz ao reestimular o consumo. Mas houve neste ponto, na minha opinião, um hiato, uma demora em perceber que o ciclo de consumo tem suas limitações – tanto pelo lado do crédito, quanto pelo lado da natureza do bem. A não ser famílias, como dizem os franceses, nanti (abastadas em francês), ninguém compra três carros, três geladeiras. Há também o peso da dívida sobre a renda disponível.

O nível de renda aqui das classe mais baixas é bem diferente da dos Estados Unidos ou da Espanha. Logo se atinge um limite. Houve uma demora em coordenar a transição para os investimentos, principalmente em infraestrutura. Ao mesmo tempo, ocorreu algo muito delicado de se tratar: uma crise de confiança, que teve impacto sobre a decisão de investimento dos empresários e afetou muito a disposição dos bancos em conceder crédito. No último ano, quase 100% do crédito veio de bancos públicos. Os bancos privados se retraíram um pouco.

Desde o Getúlio Vargas até o regime militar, a relação entre Estado e setor privado, por razões históricas, que não cabe tratar aqui, sempre ocorreu entre tapas e beijos. Eu lembro que ainda em pleno segundo PND (Plano Nacional de Desenvolvimento dos anos 70), escreveram o Documento dos Oito (assinado por empresários do setor de bens de capital para romper a aliança do setor e o governo). Eu ajudei a escrevê-lo. Ele trazia a ambiguidade dessa relação, que tem momentos de auge, de satisfação, e momentos de desconfiança mútua. É normal.

No momento, por diversas razões, há baixa confiança. Há uma dependência muito grande da opinião do setor financeiro. Eles tem um peso enorme. E não por acaso, porque eles vivem de confiança. Vou fazer uma reflexão. As avaliações são muito voláteis nessa área. Seria bom que os economistas relessem a Ética Protestante e o Espírito do Capitalismo, de Max Weber, para ver como ele desloca a crença para o crédito.

Crédito vem do latim credere, crença. A questão da confiança é importante e não é calculável. Lá na China, o Estado tem o comando da economia e autonomia para tomar decisões. Mas aqui no Brasil, o Estado não tem essa autonomia. Tem a restrição de ter de fazer o jogo de convencimento para virar as expectativas do mercado ao seu favor. Não adianta querer subir na parede contra isso porque sempre foi assim. E pesa ainda o fato de o Brasil não ter uma classe empresarial parecida com a americana e com a inglesa. Aqui você precisa lidar com o problema de uma economia que não inova, que precisa de incentivo do Estado. A construção desse espaço de confiança é importante.

Esse é um desafio para o nosso crescimento. O desafio para 2015 é esse mesmo que todo mundo fala: é preciso dar mais peso ao investimento do que ao consumo.

Os críticos dizem que o governo Dilma cometeu um erro de diagnóstico: fez uma aposta errada em mais consumo, quando deveria apostar em mais oferta e que isso levou a mais inflação e pouco crescimento.

Luiz Gonzaga Belluzzo- É bom você perguntar, porque acho essa análise um tanto simplista. Eu não sou tão crítico do governo assim, mas eu falei isso antes de muita gente. Falei porque, a despeito das minhas relações afetivas com pessoas do governo, eu não vou me comportar como se fosse um porta-voz. Eu não sou um porta-voz deles. Graças a Deus, consegui sobreviver com uma certa independência.

É correto o que está sendo dito do ponto de vista da demora do governo para perceber a mudança. Escrevi um artigo sobre isso dizendo que não era para fazer mais do mesmo. O governo deveria ter preparado os programas de investimento em infraestrutura. Demorou muito. Além disso, houve um descompasso também em relação à Petrobrás, que tem um peso importante no aumento do investimento - ela tem uma participação na formação de capital e, mais que isso, um horizonte pela frente com o pré-sal.

A política em relação à Petrobrás também prejudicou o setor de etanol. Foi um pena, um descuido. A ideia original era desenvolver ao mesmo tempo o pré-sal e as energias renováveis. O Brasil com a cana tem vantagens em relação ao milho dos Estados Unidos, no entanto, pecamos nesse ponto que faria uma enorme diferença para o País.

Vai ser preciso reestruturar o setor, criar uma nova política de estímulo porque não dá para continuar com esse preço que está ai. Enfim, houve um descompasso. Eu também fiquei preocupado ao ver a ideia de que era preciso tabelar a taxa interna de torno da economia. Eu falei, várias vezes que isso não dava. O Guido (Guido Mantega, ministro da Fazenda) chegou a ficar chateado comigo, mas depois admitiu que eu tinha razão.

Enfim, atrasou e não foi favorável à conquista da confiança dos empresários. A demora foi corrigida e as coisas começaram a andar. A Petrobrás agora também começa a se recuperar. Temos que olhar para frente. Apesar de tudo, o Brasil tem um horizonte de investimento – coisa que não ocorre em muitos países. Do ponto de vista do longo prazo, é preciso explorar nichos para a reindustrialização. O que a Petrobrás demanda, por exemplo, de equipamentos e serviços são coisas muitas sofisticadas.

Não estamos vendo, mas muitas empresas estão fazendo joint ventures para atuar no setor de petróleo e gás e também no de infraestrutura. O Brasil conta com esses dois marcos, infraestrutura e Petrobrás, e se você me perguntar o que vejo quando olho para frente, vou dizer que o Brasil tem horizonte favorável. Diferentemente de outras pessoas, não creio que a China vá desacelerar. Achei engraçado que um jornal publicou que a china tinha desacelerado de 7,5% para 7,4%. O Estado atua sobre o crescimento da China e ele não vai ficar abaixo disso.

A demanda por commodities agrícolas e minerais vai se manter. Concordo com o presidente do Centro de Estudos Internacionais da Academia de Ciências que a China é outro arranjo entre Estado e setor privado. Lá o setor privado é muito maior. Há uma articulação maior entre privados e empresas estatais. O sistema de gestão da economia é muito eficaz. Mas, apesar de tudo isso, eu acho que o pacote de 2015 não vai ser fácil de desembrulhar – você vai encontrar coisas boas e coisas ruins.

Na hora que o pacote for desembrulhado, há um primeiro problema a atacar?

Luiz Gonzaga Belluzzo- A política econômica vai ter de caminhar em um corredor muito estreito. Eu disse outro dia que a economia brasileira está metida numa camisa de 11 varas – é uma expressão velha, da minha avó, mas define. Seria muito ruim se tivéssemos uma perda do controle da inflação – até pelas razões que eu mencionei. Muito rapidamente o vício da indexação pode ser retomado porque ainda não conseguimos debelá-lo.

Também é preciso considerar que o Brasil tem problema para administrar a inflação quando boa parte do mundo ruma para a deflação. A Europa está com deflação. O Japão não conseguiu se livrar do risco. Os Estados Unidos também está numa situação de baixo crescimento, com mercado de trabalho sem dinamismo. Há uma proporção muito alta de jovens desempregados.

Os republicanos dizem que estão preocupados com a inflação nos Estados Unidos. Não sei por qual razão. Como diria Keynes (economista inglês John Maynard Keynes), só estando num hospício para não ter deflação. Se você não tem crédito, não tem estímulo, não tem mercado de trabalho, como ter inflação? Até na China o cenário é de deflação.

A tendência quando se tem sobrecapacidade é ter deflação. O Brasil está na outra ponta. Tem tendência à persistência da inflação. Isso obriga o governo a ser muito cauteloso, principalmente com o ajuste do câmbio. Eu tenho lido no jornal o comportamento da balança comercial. A economia está com baixo crescimento, mas as importações crescem. Isso tem relação com preços relativos, não com o nível de absorção doméstica. Isso quer dizer: o câmbio está fora do lugar. Isso não ajuda em nada o processo de reindustrialização – ainda que a gente tenha essa perspectiva de investimento da infraestrutura e do investimento da Petrobrás.

É claro que é possível subsidiar com políticas domésticas. Vou discutir um pouco essa questão das encomendas das Petrobrás e da compra no mercado doméstico. Eu vejo que há uma discussão muito grande dos economistas sobre isso – que a Petrobrás compra mais caro. É verdade, porém, não se pode ter duas coisas ao mesmo tempo.

Ou você tenta recuperar a indústria nacional com essa política de compras – que está correta – ou acelera os investimentos da empresa e libera a empresa de comprar no mercado doméstico, perdendo uma oportunidade para recompor uma parte do setor industrial, como o metal mecânico e o de informática, entre outros. É claro que ai há outro conflito – o do câmbio com a inflação, o da política de investimento e com a política econômica. E não adianta fazer protecionismo a antiga.

Aliás, um comentário: lendo o artigo de um rapaz em O Globo outro dia, que falava dos pudores desenvolvimentistas da Unicamp (Universidade de Campinas), eu perguntei para o João Manual: João, nós somos desenvolvimentistas? Essa é uma palavra vaga. Na verdade, nos tentamos entender como funciona o capitalismo brasileiro em suas várias etapas e momentos. Não somos desenvolvimentistas. Somos outra coisa. Para vocês saberem: o desenvolvimentismo é algo muito datado. Vem dos anos 30 e vai até os anos 70.

Os militares deram sequência ao desenvolvimentismo nos anos do milagre. A preparação foi feita por Roberto Campos (economista e ex-ministro do Planejamento). Campos era como Monsieur Jourdain (personagem central da peça "O Burguês Fidalgo", do francês Molière, que deseja se tornar aristocrata). Era um desenvolvimentista sem saber, assim como Jourdain fazia prosa sem saber. Roberto era uma figura admirável porque falava uma coisa e fazia outra. Na verdade, reestruturou todo o sistema de empresas estatais, recompôs as tarifas, na reforma feita logo depois da revolução.

A gente não pode cometer o erro de fazer esse anacronismo em relação ao desenvolvimentismo. Voltando à contradição, ao problema do câmbio com a inflação. Hoje, muitos componentes são importados. Se você mexe no câmbio, o efeito sobre os preços e sobre a inflação é instantâneo. Na veia. O Banco Central está entendendo isso. É preciso conduzir isso com muito cuidado.

Mas como se combate a inflação com esses limites? Os críticos do governo dizem que boa parte da inflação veio do aumento dos gastos públicos e de uma redução dos juros que teria sido forçada...

Luiz Gonzaga Belluzzo- Essa questão do gasto público, no fundo, tem relação com a questão da confiança. Eu não imagino que estejam falando, neste momento, que a inflação surge porque o gasto público está produzindo excesso de demanda. Acho que tem relação com o comportamento das dívidas. Pela necessidade de o governo produzir um superávit primário que garanta a estabilização da dívida – e da dívida bruta, porque a líquida, francamente, está muito baixa, pelas razões que nós conhecemos.

Quando o câmbio é desvalorizado, a dívida líquida cai por um efeito meramente contábil. Para mim, seria muito mais razoável se o governo, nesse momento, fizesse um esforço fiscal maior. Eu já disse isso: colocaria menos peso sobre a política monetária. Como eu já disse, a questão da confiança está metida no meio da economia. A despeito de toda a oposição de economistas que pensam como eu e têm certa resistência em aceitar isso, acho que é um sacrifício necessário ter um superávit fiscal maior.

Por que a resistência?

Luiz Gonzaga Belluzzo- Não vale a pena falar. Às vezes é um keynesianismo de pé quebrado. Não quero criticar meus amigos, mas, do meu ponto de vista, é crucial para o governo dar esse sinal para o mercado – vai ganhar pontos e ter mais espaços para fazer um política menos apertado. Esse ganho de confiança teria um impacto sobre a inflação. A pior solução seria manter a taxa de juros nas nuvens e elevar o câmbio para combater a inflação.

O Banco Central, acho, está sendo cauteloso para usar esses instrumentos. Seria o caminho mais adequado do meu ponto de vista. Vai ser positivo se combinar o avanço dos investimentos em infraestrutura com os da Petrobrás – que, apesar de toda essa confusão, está indo bem melhor. Ela está batendo recordes seguidos de produção. Projeta 4,2 milhões de barris para 2020. Aliás, quero fazer um parênteses: é inaceitável o que aconteceu na Petrobrás. Uma coisa dessa não pode ser.

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Pergunto porque algumas pessoas chegaram a falar em mudar a meta.

Luiz Gonzaga Belluzzo- Não acho que seja o caso. O próprio regime permite que o prazo para colocar a inflação na meta seja estendido. Isso está no modelo.

Mas ainda há uma inflação represada...

Luiz Gonzaga Belluzzo- Sim. Eu ia falar disso - e quanto mais você demorar para ajustar isso, vai ser pior.

Qual o tamanho do superávit necessário?

Luiz Gonzaga Belluzzo- Acho que caminhar para 3% seria mais confortável.

O senhor não está dentro do governo, mas onde seria mais fácil cortar para administrar esse superávit?

Luiz Gonzaga Belluzzo- Quem está no governo sabe que há coisas no orçamento que podem ser cortadas – só não pode cortar o investimento, que já é baixo. Se eu fosse examinar o orçamento, em detalhe, poderia suspender vários contratos. Há emendas parlamentares também que, mesmo com as dificuldades políticas, podem ser adiadas porque não são urgentes. Há espaço para fazer cortes.

Se a economia não cresce, fica mais difícil gerar o superávit. Se a economia tem recessão, você não consegue vencer a tendência ao déficit. Como dizia um bom keynesiano, o Joseph Stiglitz (economista americano, prêmio Nobel em 2001), o déficit e o superávit são endógenos: você pode determinar quanto você pode gastar, mas não pode determinar o resultado dessa decisão. Isso depende do funcionamento do resto da economia, de como ela reage. Veja o exemplo dos países europeus que estão tentando reduzir o déficit com corte de gastos.

É complicado. É difícil. A atividade cai e a receita do Estado cai junto. É endógeno. De qualquer maneira, é possível decidir onde cortar sem afetar setores cujo impacto é maior sobre a economia. É por isso que um bom keynesiano gostaria de ter um orçamento de capital aparte, separado do orçamento corrente. É o que Keynes recomendava. O orçamento de capital é o regulador da economia. Ele determina qual vai ser o fluxo de gasto que você vai sinalizar para o setor privado reagir na direção de seus próprios investimentos. O investimento é a coisa mais sensível que existe.

Qualquer desconfiança em relação a realização do que foi projetado, leva à retração. Veja o caso americano. As empresas americanas estão com trilhões no caixa e não investem porque não estão confiando que a economia vai deslanchar. Essa proposta de Keynes, que é antiga, diz que é preciso haver uma coordenação entre estados e municípios para se articularem. Aqui no Brasil, temos uma problema sério, que não mencionei, mas que inibe o crescimento.

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O sr. falou da função das estatais na condução da economia. Temos o exemplo de Petrobrás, que teve os preços de seus produtos represados e virou a empresa mais endividada do mundo. A Eletrobrás teve R$ 6 bilhões de prejuízo. A Infraero está numa situação difícil. Como o sr. avalia a situação das estatais no governo Dilma e o que é preciso fazer para corrigir os problemas – se que é o sr. vê algum problema?

Luiz Gonzaga Belluzzo- Essa ideia de segurar as tarifas foi aplicada nos anos 70 e deu no que deu. A Petrobrás tem um horizonte que permite que a gente entenda que essa alavancagem vai cair. Já mencionei que esse tentativa de segurar o preço teve efeito sobre o setor de etanol e setores correlatos, como os fabricantes de equipamentos para o setor de etanol, que também foi afetado. Isso não é bom. Afeta a capacidade e a velocidade do investimento da empresa – que tem um papel prioritário. Sei que tem impacto sobre a inflação. Mas lá atrás, quando era necessário subir o preço, tinha que ter sido feito. Era para absorver o impacto sobre a inflação.

Não há o melhor dos mundos. É preciso fazer escolhas. Parece que numa reunião recente, com banqueiros, alguém perguntou o que fazer. Eu vejo alguns economistas falarem – inclusive alguns que deram entrevistas para vocês – como se soubessem os caminhos das pedras. Ninguém sabe o caminho das pedras. Você avança pulando de pedra e pedra para não afogar. Algumas questões que vem lá de trás, não foram tratadas tempestivamente, o que vai acontecer? Você vai pagar pela decisão. Não tem jeito de enrolar e dizer que não está acontecendo nada.

Eu me lembro que em maio de 2013, quando discuti esse tema com algumas pessoas, eu disse: está na hora, a inflação esta retrocedendo. Você não pode ter todas as vantagens ao mesmo tempo. Mas agora vai ter de trata com cuidado esse problema da Petrobrás.

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Tínhamos falado do modelo de crescimento. Um dos pontos centrais mencionados pelo senhor é que o câmbio – com essa limitação da inflação. Como a economia pode voltar a crescer sem o motor do câmbio e como tratar o câmbio no próximo governo?

Luiz Gonzaga Belluzzo- Essa questão do câmbio é muito difícil de ser tratada. Se produzir um deslizamento mais suave, ao longo do tempo, o efeito sobre a inflação não será grave. O problema é a desvalorização abrupta. Já falei: com a atual estrutura de fornecimento vai ser um problema.

O câmbio não suficiente para reanimar a indústria. São necessárias outras medidas, incentivos para recuperar certos elos das cadeias produtivas que foram eliminados. É preciso uma política de investimento e de "funding" (financiamento). Estou sempre pensando como fazem os asiáticos. Eu seu que esse é um exemplo complicado, mas o General Park Chunk-hee, o grande responsável pela industrialização coreana, decidiu fazer a petroquímica, os economistas dele disseram para ele não fazer. Mas ele insistiu e disse que iria dar incentivos, estímulos à industria do setor. Isso porque não faz industrialização apenas com câmbio.

É preciso ir devagar. Não se pode mais permitir um período tão longo de valorização, como foi permitido porque ai temos outra questão – temos uma moeda não conversível. Somos um País ainda em crescimento. Precisamos de uma política específica para o câmbio. Se outros países mais desenvolvidos não tem é porque as moedas deles são conversíveis. Não sofrem choques.

O senhor está defendendo o controle de capitais?

Luiz Gonzaga Belluzzo- Claro. Temos de ter o controle de capitais como outros países. Recentemente, o Fundo Monetário Internacional publicou um documento importante sobre essa questão do controle de capitais dizendo, claro, que o controle de capitais não é desejável em si mesmo, mas é preciso que se tenha a capacidade de dirigir a entrada de capitais de forma a te beneficiar. Muitos países já fizeram isso. Não é nenhuma heresia econômica. O que é inconveniente é ter momentos de euforia e depressão.

O senhor falou da necessidade de recuperar a confiança. Mas isso não provocaria o efeito inverso, na medida que controlaria a retirada de dinheiro do Brasil?

Luiz Gonzaga Belluzzo- Seria preciso fazer o controle da entrada de capitais. É evidente que o capital de curto prazo, que vem apenas fazer arbitragem, especulação com a sua moeda, não é desejável. Os chineses permitem a entrada de capital. Aliás, o crescimento chinês foi feito com a entrada maciça de capitais estrangeiros...

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O sr. é um interlocutor frequente da presidente Dilma?

Luiz Gonzaga Belluzzo- É o seguinte: depois que ela assumiu a presidência, falei duas vezes com ela. Não sou tão frequente assim. A frequência era muito maior com o presidente Lula. Com ela, foram duas vezes. Porque é o estilo dela. Eu não quero também me apresentar como interlocutor frequente da presidente.

Você ficar assoprando coisas no ouvido do "príncipe". Eu vejo que muitos economistas ficam envaidecidos com essa possibilidade de falar com o presidente. Isto não é legal. Você tem que falar com o público. Não chegar lá e começar a soprar coisas. Com o Lula, tenho muita liberdade. Conheço o Lula desde os anos 70, quando ele ainda estava criando o PT. Eu secretariei a primeira Conclat (Conferência Nacional das Classes Trabalhadoras), em Niterói. Sou amigo dele, gosto muito dele. Ele chamava a mim e ao Delfim (Delfim Netto, economista) com muita frequência. Ele ouvia a gente, ouvia mais gente, ouvia todo mundo e tomava a decisão.

Eu nunca tive a ilusão porque sou conselheiro do presidente. É uma coisa ridícula. Posso dar minha opinião de outras formas. No caso dele, eu o considero uma pessoa amiga, pela qual tenho grande admiração pessoal. Ele é uma pessoa afetiva. Gosta dos amigos dele. Eu gosto muito dessa coisa do cara que gosta dos amigos. Ter amigo é bom. Eu me considero amigo dele, apesar das nossas divergências futebolísticas.

Para dizer a verdade, ele era muito sábio nestas coisas. Ouvia todo mundo e tomava a decisão que achava conveniente. Foi assim na crise. Ele escolheu o caminho. Ele e o Guido Mantega – que, aliás, é muito injustiçado porque na crise ele foi muito bem. Agora, no caso dela, não. Ela tem outro estilo. Eu tenho até carinho por ela. Foi minha aluna. Mas isso não tem nada a ver. Não é um estandarte que se deva estar erguendo toda hora. Acho uma coisa muito ruim, muito brasileira, essa ideia de "tenho ali minha relação particular com o presidente". Não é legal. É melhor que seja uma coisa mais impessoal – até porque me dá liberdade para falar o que eu falei para vocês sobre os problemas do governo. Se não, você fica driblando na área.

Da mesma maneira, você não pode tratar o teu adversário na democracia como um inimigo. Eu vejo que, mesmo nas entrevistas que vocês fizeram, as pessoas têm um ressentimento partidário. Isso não é bom na discussão. Eu posso ter minhas preferências partidárias, mas não posso usar isso para elogiar ou para criticar.

Eu tenho de fazer um esforço para me afastar dessa coisa. É muito difícil você dizer que nessa questão você vai fazer uma análise objetiva. Vocês são jornalistas e sabem que objetividade é uma questão relativa. Tem que, na realidade, tomar distância. Ser objetivo é um problema filosófico complicado. O que é a objetividade? O que é o real? Não vamos discutir isso. Mas você tem que se destacar e dizer com clareza, como eu estou dizendo aqui, partindo da minha visão de economia. Schumpeter (Joseph Alois Schumpeter, economista natural da República Checa) é que dizia: a análise vem depois.

Primeiro vem a visão. Uma visão geral da questão, de como é que funciona. Como é que funciona esta economia capitalista hoje? Tem que partir desta visão. Pode ser que eu esteja completamente equivocado. Não obstante, nos últimos anos na análise dos antecedentes da crise, eu não me equivoquei tanto. Mas você se equivoca porque, na verdade você, não tem capacidade de incluir todos os dados que são relevantes na sua hipótese.

Tem que admitir que sua análise está sujeita a falhas. A coisa que mais incomoda nos economistas são as certezas esféricas. Quando se olha por todos os lados, tem as mesmas certezas. É preciso ponderar. Tem que dizer o seu ponto de vista, mas considerar que é possível que as coisas não sejam assim.