sexta-feira, 30 de dezembro de 2011

Um ótimo Ano Novo a todos

Ao Brasil, Alemanha, Estados Unidos, Reino Unido, Portugal, a todos os continentes.
Que o mundo seja melhor em 2012, com menos desigualdades, mais justiça social, sem populismos , sem demagogia , sem mágicas, na Política e na Economia.



Melhor seleção brasileira de futebol que vi jogar 
Copa do Mundo de 1982


                  Sandra Bullock, americana, filha de uma alemã, cantora de ópera,ao discursar em alemão fluente numa entrega do prêmio Bambi, que ao contrário do que muitos podem pensar, é um prêmio aos melhores da televisão e mídia no geral.


Interpretação da histórica "Born in the Usa", por Bruce Springsteen

Interpretação fantástica do Rei George VI, por Colin Firth, no filme "O Discurso do Rei"



Alguma dúvida de que existem problemas no mercado interbancário europeu ?

Vejam fechamento ontem de Libor 3 meses e TED , ambos gráficos semanais:



Emergentes precisam evitar crises após aumento do crédito, diz FMI


Alerta vem do FMI.

Veja matéria publicada no jornal "O Estado de São Paulo":

Crédito: Dow Jones

http://economia.estadao.com.br/noticias/economa%20brasl,emergentes-precisam-evitar-crises-apos-aumento-do-credito-diz-fmi,97807,0.htm




Emergentes precisam evitar crises após aumento do crédito, diz FMI
Para vice-diretor-gerente do Fundo, 'emergentes criaram novos grandes riscos nos últimos dois anos e seus empréstimos aumentaram muito rapidamente'

Danielle Chaves, da Agência Estado
PEQUIM - As economias emergentes precisam tomar medidas efetivas para evitar potenciais crises resultantes do crescimento exageradamente rápido do crédito bancário nos últimos anos, afirmou o vice-diretor-gerente do Fundo Monetário Internacional (FMI), o chinês Zhu Min.

"Os países emergentes criaram novos grandes riscos nos últimos dois anos e seus empréstimos aumentaram muito rapidamente", em parte porque eles tentaram combater os efeitos da última crise financeira global, disse Zhu em declarações publicadas hoje pela revista Caixin.

Zhu afirmou que os novos empréstimos na China em comparação com o crescimento do Produto Interno Bruto (PIB) do país subiu para 200% em 2010, de 100% antes de a crise global começar, com o colapso do banco de investimento norte-americano Lehman Brothers, em 2008. "Em um período de desaceleração da economia global, muita dívida e possíveis problemas com a qualidade dos ativos significam risco potencial", disse.

Os bancos chineses formalmente concederam 7,95 trilhões de yuans (US$ 1,21 bilhão) em novos empréstimos neste ano, acima da meta do governo de 7,5 trilhões de yuans. No entanto, os bancos também criaram 3,47 trilhões de yuans em crédito fora do balanço financeiro, segundo cálculos do Banco do Povo da China (PBOC, o banco central do país).

Os órgãos reguladores têm pressionado os bancos a ampliarem seu capital e suas provisões para cobrir dívida podre. Eles também têm apresentado uma posição rígida com relação aos empréstimos fora dos balanços financeiros.

Analistas preveem que os bancos da China enfrentarão um crescente volume de dívida podre depois de fornecerem um recorde de 18 trilhões de yuans em novos empréstimos durante os dois anos desde 2008. Uma grande parte desse dinheiro seguiu para projetos de infraestrutura, mas outra parte foi aplicada em projetos de construção de imóveis mais especulativos. As informações são da Dow Jones.

quinta-feira, 29 de dezembro de 2011

É hora de olhar o semanal again, again and again







Não gosto de ruídos

Não dá pra dormir, não dá pra cantar, não dá pra passear, não dá pra pensar acima de tudo.

Quando começo a "ouvir" ruídos, vou tomar um café, uma cerveja, me permita uma propaganda, vou tomar uma heineken, vou andar na praia, vou andar no Parque do Ibirapuera em São Paulo.

E, acima de tudo, saio do diário e vou pro semanal, pro mensal.

Vejam acima os 2 gráficos do SP500 e do Dow Jones no semanal.

2 LTB´S  (1 com candle perfeito, outro passando na sombra do candle)
2 canais de baixa (1 com candle perfeito, outro passando na sombra do candle)

E no diário, a LTB do SP500 e o topo triplo do Dow Jones. queda de 1,1% ontem, alta de 1,1% hoje no Dow Jones....

Muito ruído........sem volume...........

VIX rompeu LTB curta, já destacado ontem, testou hoje os 22,50 "por cima". Mais um empurrão, MACD cruza na compra.


E o nosso BOVESPA ? Muito mal, péssimo. no "beijo da morte", foi testar essa semana o divisor importante de 58 k, pra fechar o ano no patamar "honroso" de 56.800, uma queda de praticamente 20% no ano de 2011.


Gráficos, como os registrados acima, encontro "aos montes" por aí nos mercados de renda variável olhandos os últimos 6 meses. Muitas LTB'S, muitos canais de baixa balizando vários índices e papéis


IFR14 períodos, no tempo diário, não toca a região de 70 há pelo menos 6 meses nos índices americanos, do Brasil e da Alemanha, entre outros. 


Como ser otimista diante desse quadro ? Como passar para um visão bull com esse quadro ?



DAX em situação delicada em 2 quadros





Vejam acima o triângulo do índice alemão DAX.

Não apenas o triângulo do índice, vejam também os triângulos de MACD e IFR14.

É claro que não dá pra afirmar a direção de todos esses rompimentos, porém analisemos apenas 2 pontos:

1- Certamente as empresas exportadoras alemãs sofrerão com um mercado mundial em forte desaceleração.

2- Não sabemos até onde vai o contágio dos bancos alemães com todo o tipo de empréstimo para os inúmeros países endividados europeus, assim como, para seus pares bancários europeus, também pressionados por deságios e "remarcações a mercado" de suas carteiras de crédito.

Os pontos acima também não podem ser analisados isoladamente; há um "sem-número" de interrelações com outros mercados, outras empresas, que também serão afetados.

E então ? O que você faria ? Meu pensamento leva a crer que ainda teremos um longo caminho de "reprecificações" para baixo de todo o mercado alemão.




quarta-feira, 28 de dezembro de 2011

VIX rompeu LTB curta e Bovespa a caminho de 54.500





Acima, o gráfico diário do índice VIX mostra o rompimento de uma LTB curta; próxima parada nos 27,50,  ponto que, de cara, poderá levar os mercados americanos a testar a LTA também acima destacada.

Hoje, a despeito de já martelar há alguns dias um cenário pessimista para o curto-médio prazo para os mercados, inclusive "apostando" no teste da faixa 9.600-9.800 pontos para o DOW JONES, o principal teste é exatamente essa LTA.

Outro teste, a mínima da última pernada de baixa em 11.695 para o Dow Jones.

No entanto, dado todo o raciocínio que tenho exposto aqui nos últimos posts, mais especificamente, o comportamento do VIX, o topo triplo no Dow Jones com divergências baixistas de MACD e IFR14, assim como, a disparada das taxas interbancárias no mercado europeu, me parece que, uma vez furando a LTA ora destacada, os mercados entrarão numa espiral forte de queda até o patamar também acima ressaltado, de 9.600/9.800 para o Dow Jones.

No que tange ao índice brasileiro, o Bovespa, embora sem muito volume hoje, dado ser o penúltimo dia útil, não me parece que a direção não seja essa.

A direção do Bovespa é, no curtíssimo prazo, o teste nos 54.500. Para janeiro, o estresse aumentará sobremaneira, sem garantias, por ora, que o suporte forte de 47.500 vá segurar.

terça-feira, 27 de dezembro de 2011

O último suspiro dos mercados de renda variável ?








Os gráficos acima mostram o seguinte :

1 - Podemos manter sim o argumento do topo triplo do Dow Jones nos últimos 2 meses, faixa de 12.250/12.300, mesmo com um toque nos 12.330 hoje (fechamento abaixo de 12.300), com divergências baixistas de MACD e IFR14


2- SP500 com o toque hoje na LTB maior que vem desde julho-2011


3 - Vix com um toque na LTB de curtíssimo prazo, sem, no entanto, rompê-la


4- O gráfico do SPXA50R mostrando topos descendentes nos últimos meses, mesmo com Dow Jones formando um "topo triplo"


5 - Índice financeiro dos EUA praticamente tocando sua LTB de julho-2011 pra cá, exatamente em um divisor, a faixa de 13,20.




5 Pontos, 5 gráficos indicando o limite da "corda esticada", com volumes diários baixíssimos nos últimos 3-4 dias..

Por outro lado, MACD ainda cruzado na compra no diário. média móvel exponencial de 13 ainda acima da MME21, OU SEJA, sinais clássicos de compra no diário.

Porém, o que você acha ?

Cada um tem uma análise, cada um uma opinião; se todos tivessem a mesma idéia, o mercado só teria "1 lado".

Seria muito mais fácil dizer, abaixo de tal suporte é pra vender, acima de tal resistência, é pra comprar.

Mas, nesse momento, não dá pra esconder o fato de que, na minha percepção, estamos no último suspiro da próxima forte pernada pra baixo que devará o índice Dow Jones para a faixa de 9.600-9.800 nos próximos 20-30 dias, assim como os mercados mundiais para fortíssimas quedas.


Brasil, 6a. Economia do Mundo ? - Barcelona 4 x 0 Santos

Segundo dados publicados pelo jornal "THE GUARDIAN" ontem, 26/12/2011 (ver http://economia.estadao.com.br/noticias/economia,brasil-bate-reino-unido-e-se-torna-6-maior-economia-do-mundo-diz-jornal,97257,0.htm, o Brasil já se tornou a 6a. economia do mundo, ao ultrapassar o Reino Unido.

É meus amigos ! Que ótima notícia não ?

Caso eu pegue o meu carro nesse exato momento aqui no Rio de Janeiro, Brasil, e percorra 20 km, devo parar em cerca de 60-80 sinais de trânsito. Em pelo menos 10, eu disse , 10 sinais !, terei o meu carro abordado por alguma pessoa vendendo bala, água, refrigerante, doces, frutas, guloseimas em geral.

Sim ! Essa é a sexta economia do mundo ! Perguntarão vocês se alguma dessas pessoas têm algum tipo de instrução.

95% não têm ! 

Mas o nosso Ministro da Fazenda está em estado de êxtase e, agora há pouco, disse que em menos de 4 anos seremos a 5a Economia do Mundo !! Nossa !!! Veja em http://economia.estadao.com.br/noticias/economia,brasil-vai-ser-5-economia-do-mundo-antes-de-2015-diz-mantega,97429,0.htm

No início dos anos 70, na época da ditadura militar no Brasil, éramos o país do futuro !

"90 milhões em ação, PRA FRENTE BRASIL, SALVE A SELEÇÃO !" , todos cantavam !....era a época do milagre econômico, da qual já falamos aqui.

Veja



5 anos depois , já estávamos em "maus lençõis", com a dívida externa explodindo, a classe média endividada e a inflação fora de controle.

Há cerca de 3 meses, comprei uma lata de coca-cola de 350 ml no supermercado aqui no Rio de Janeiro, por R$ 1,10. Ontem comprei a mesma lata por R$ 1,75 . Sim, um aumento de 60% ! Sem promoção , sem nada, em ambos os cenários.

Hoje em dia, não temos um governo militar, mas temos um governo populista, não o de Chavez, que persegue a imprensa, mas um governo populista que massacra a classe média ao lhes imputar uma insana carga tributária  apenas com um fim, arrecadar fundos para "comprar" os votos daqueles que vivem abaixo da "linha de pobreza" e para sustentar um setor público caro e ineficiente.

Dirão alguns, mas isso é "redistribuição de riqueza".

O Plano Real (veja na própria página da Fazenda http://www.fazenda.gov.br/portugues/real/planreal.asp, ), criado em 1994, redistribuiu renda, sem "bolsa-família", ao baixar a inflação mensal de 80% ao mês, (no ápice da hiperinflação brasileira) para uma inflação média anual no período 94-2000 de 11,4% , medida pelo IPCA  (ver http://www.planalto.gov.br/publi_04/COLECAO/6anos2.htm).

Abaixo, vemos a trajetória do salário minimo em relação a cesta básica e da inflação no período pós-Plano Real








O brasileiro é um povo que tende a ser tolerante com várias coisas, tem sentimentos de "grandiosidade" em inúmeros universos, como o futebol e belezas naturais.

Mas uma hora a realidade vem à tona. E não há governo militar, populista, ou de qualquer outro símbolo, que esconda o descontrole nas contas públicas, a corrosão do poder aquisitivo e tantas outras mazelas que, nos tempos de bonança, teimam em ficar por baixo do tapete.

 A criatividade da analogia do jogo  "Barcelona 4 x 0 Santos" não é minha, é do ótimo colunista Celso Ming. que, em seu texto publicado no jornal "O ESTADO DE SÃO PAULO" hoje, põe o PIB brasileiro no seu "devido lugar"


Abaixo, o ótimo texto:

http://blogs.estadao.com.br/celso-ming/


 
Ficou maior. E daí?
26 de dezembro de 2011 | 19h50
Celso Ming

O Guardian – importante diário de Londres – publicou matéria nesta segunda-feira que já considera o Brasil a 6.ª maior economia do mundo, ultrapassando a do Reino Unido – segundo conclusões de consultoria privada inglesa. A “novidade”, no entanto, já constava em dados divulgados pelo FMI em setembro, mas pouca gente deu importância à projeção (veja a tabela).

O risco é o de que agora o governo de Brasília e o cidadão médio deem mostras de subdesenvolvimento e recebam a informação com doses excessivas de autolouvação – e, assim, se perca o senso de realidade.

Também em economia, o brasileiro tende a se considerar maioral. E, como no futebol, continua nutrindo a sensação de campeão do mundo. Lá pelas tantas, sobrevém a lavada de 4 a 0 do Barcelona em cima do Santos para devolvê-lo ao rés do chão. Assim, é preciso ver com objetividade notícias assim e a confirmação que virá mais cedo ou mais tarde.

Tamanho do PIB é como tamanho de caneca. E o Brasil é um canecão. Tem quatro vezes a população do Reino Unido e 35 vezes a sua área territorial. Natural que, mais dia menos dia, ultrapasse o tamanho da economia de países bem mais acanhados em massa consumidora e extensão.

Enfim, é necessário examinar esses conceitos não só pela dimensão da caneca, mas também pela qualidade de seu conteúdo. A renda per capita britânica, por exemplo, é mais de três vezes maior do que a do Brasil e a partir daí se começa a ver as coisas como realmente são.

A economia brasileira ainda é um garrafão de mazelas: baixo nível de escolaridade, concentração de renda, bolsões de miséria, déficit habitacional, grande incidência de criminalidade, infraestrutura precária, enorme carga tributária, burocracia exasperante, Justiça lenta e pouco eficiente, corrupção endêmica… e por aí vai.

É claro que isso não é tudo. O potencial é extraordinário não só em recursos naturais, como também em capacidade de inovação e de flexibilidade da brava gente.

Mas há a energia que domina um punhado de emergentes – e não só o Brasil. Enquanto o momento é de relativa estagnação dos países de economia avançada, é ao mesmo tempo de crescimento bem mais rápido das economias em ascensão.

Esse grupo, liderado pela China (que ultrapassou neste ano o Japão como 2.ª economia do mundo), responde hoje por cerca de 40% do PIB mundial, ou seja, por 40% de tudo quanto é produzido no planeta. É também o destino de nada menos que 37% do investimento global – registra levantamento do grupo inglês HSBC.

Tal qual em outros temas, estimativas variam de analista para analista. Mas é praticamente inexorável que, até 2050, pelo menos 19 emergentes estarão entre as 30 maiores economias do mundo.

Mais impressionante é a velocidade do consumo. Só a China incorpora ao mercado perto de 30 milhões de pessoas por ano. Na Ásia, a classe média – diz o mesmo relatório do HSBC – corresponde a 60% da população (1,9 bilhão de pessoas).

Boa pergunta consiste em saber se o mundo aguenta esse novo ritmo de produção e consumo.



O crescimento de apenas 4% na média para a China na próxima década

O crescimento na média de 4% para a próxima década é a visão defendida pelo professor de Yale, Vikram Mansharamani na matéria publicada hoje pelo "Wall Street Journal". 
No texto, não é difícil identificar uma visão extremamente pessimista acerca da China em vários pontos.


Curioso notar que, no longo prazo, Mansharamani destaca que empresas brasileiras de commodities poderiam se beneficiar.


OK, tudo bem, no longo prazo," todos estaremos mortos", porém, fica  registrada abaixo, talvez uma das visões mais pessimistas sobre o crescimento potencial do mercado chinês na próxima década.


http://www.marketwatch.com/story/5-money-moves-one-china-bubble-buster-is-making-2011-12-27?siteid=rss


Dec. 27, 2011, 12:01 a.m. EST
5 money moves one China bubble-buster is making
Record art prices, empty shopping malls are clear warning signs


By Laura Mandaro, MarketWatch
SAN FRANCISCO (MarketWatch) -- Investing’s holy grail, spotting a bubble before it busts, may be two parts science, one part art and a large dose of luck.


In the brew concocted by Vikram Mansharamani, a former private-equity investor and current Yale University lecturer who recently penned a book on the subject, a range of hard and soft indicators from ballooning credit to record art prices have been raising Chinese bubble flags for the past year.


But he has some ideas on where to find refuge if the Chinese growth engine slows from around 9% to 4% -- his projection for the country’s average growth rate over the next decade.


In sum, short the commodities producers and related assets These could include Brazilian stocks, the Australian dollar AUDUSD -0.12%    and resource conglomerates such as BHP Billiton BHP +0.49%   AU:BHP +1.44%  .


“I’m not optimistic on commodities, commodity countries, and anyone supporting the investment boom in China,” he said.


Yet a longer-term view that certain natural resources are facing tight conditions makes him favor a certain breed of commodities investments, namely those that promise payouts further in the future because of untapped reserves.


“Emerging markets will continue to grow. They may grow at slower rate than people think, but as they grow, demand for oil will rise and we will see signs of supply struggling to keep up,” he said.


Peaks and panic


Mansharamani, who is teaching a course at Yale on — what else — spotting the next market boom and bust, is first and foremost worried that China is on the same unsustainable run that took U.S. home prices, Internet stocks and Japanese equities to peaks and then panic.


As he wrote “Boombustology” in the summer of 2010, he looked at indicators from the number of empty shopping malls in China to record prices fetched at art auctions (some jacked up by wealthy Chinese buyers) and the building of new record-high skyscrapers. In past booms, he says, such gauges have signaled a coming bust.


“My single biggest fear is that China will be dramatically slowing, and with it will expose significant overcapacity in industrial commodities” and emerging markets, he said.


Since Mansharamani first spoke to MarketWatch for this article in October, plenty of indicators have shown the Chinese dragon is starting to look a little piqued. Related stocks and commodities prices have already fallen hard.


Chinese manufacturing surveys from November showed the sector slipped into contraction, the weakest readings since 2009. In late November, the People’s Bank of China appeared to respond to possible strains on its economy by cutting a requirement on bank reserves. Read more on sharp deterioration in business conditions and Read related item on China easing on the Tell blog.


Loosening of credit “is the biggest admission of a weakening economy that any country can give,” Mansharamani said in a mid-December interview. “I think my thesis is playing out.”


And the Shanghai Composite CN:000001 -1.09%   has dropped to 2009 levels, setting off alarm bells among U.S. and European investment strategists who view it as a bellwether for Chinese growth. Read more on Shanghai Composite's drop.


1. Short global supply companies


If these data points are only the start of a more profound retreat, global shipping companies are particularly vulnerable, Mansharamani said.


That’s because the industry is still adding new capacity as it fulfills orders made when global growth and shipping demand was on a tear.


A sharp cooling in Chinese growth could ripple across the global supply-chain industry, from banks that supply trade finance to port operators to logistics firms.


“Anyone involved in feeding the investment beast in China will be seen as having too much capacity,” he said.


The industry is already suffering. Some fear many companies could be forced into bankruptcy if China growth slows abruptly.


In November, oil-tanker operator General Maritime Corp. GMRRQ +38.17%   filed for Chapter 11 bankruptcy protection, citing a drop in tanker rates. Shares of shipping operator Frontline Ltd. FRO +3.57%   have sunk 84% this year. DryShips Inc. shares DRYS +0.47%   have fallen 60%. Read WSJ story on General Maritime.

Vendas de Natal decepcionam lojistas no Brasil

A expectativa em relação ao Natal já não era muito boa, como antecipamos em recente post aqui no Blog (ver http://pracompraroupravender.blogspot.com/2011/12/naral-magro-muito-magro-no-brasil.html    ).

Agora, os dados preliminares confirmam.

Vejam matéria abaixo no Jornal "O Estado de São Paulo"


http://www.estadao.com.br/noticias/impresso,vendas-de-natal-decepcionam-lojistas-,815606,0.htm



Vendas de Natal decepcionam lojistas
Levantamentos preliminares de três entidades diferentes apontam que crescimento em 2011 ficou abaixo do esperado por empresários
27 de dezembro de 2011 | 3h 04

MÁRCIA DE CHIARA - O Estado de S.Paulo
As vendas de Natal deste ano ficaram abaixo da expectativa dos lojistas, apesar de terem registrado um pequeno acréscimo em relação ao Natal de 2010, considerado o melhor dos últimos dez anos. Três levantamentos preliminares sobre o desempenho do varejo, feitos por entidades diferentes, mostram que as projeções não se confirmaram. Até por conta disso, ontem mesmo já começou a liquidação dos estoques que sobraram.

Levantamento nacional da Associação dos Lojistas de Shopping (Alshop) com 150 lojas indica que o faturamento nominal dos shopping centers cresceu 5,5% em relação ao Natal de 2010. A entidade esperava uma alta de 6,5%. Levando-se em conta a inflação acumulada no período, estimada em 6,5% pelo IPCA, houve até queda real na receita, de cerca de 1%.

Outra enquete realizada ontem pela Confederação Nacional dos Dirigentes Lojistas (CNDL) mostra que as vendas aumentaram 2,33% na comparação com o ano passado. A expectativa dos lojistas era crescer cerca de 8%.

Dados da Associação Comercial de São Paulo (ACSP) de consultas feitas para vendas à vista e a prazo apontam para a mesma direção. Entre os dias 1.º e 25 de dezembro, houve uma acréscimo de 1,9% no número de consultas em relação a igual período de 2010. Os economistas da ACSP projetavam um crescimento de 2%.

Um levantamento feito pela Serasa Experian só para a semana do Natal revela que o número de consultas para vendas quitadas com cheque, cartão ou qualquer meio de pagamento que não seja dinheiro vivo cresceu 2,8% em relação aos mesmos dias de 2010. Na cidade de São Paulo, o acréscimo foi de 2,5%. Neste caso, não existiam projeções, mas numa enquete feita no começo do mês com lojistas, mais da metade (55%) dos entrevistados acreditava que iria faturar mais do que no Natal do ano passado.

Apesar da frustração, representantes do varejo ponderam que o resultado não foi ruim. "Foi um bom Natal, levando-se em contas as circunstâncias atuais", diz o economista da ACSP, Emílio Alfieri. Além disso, a base de comparação, que é o Natal de 2010, é muito forte.

O economista destaca o surpreendente desempenho das vendas à vista. Até o dia 15, elas estavam empatadas com as de 2010. Mas, após o recebimento da segunda parcela do 13.º salário, no dia 20, a venda à vista deslanchou. Isso significa que o consumidor evitou o endividamento e optou pela compra de itens de baixo valor unitário.

Perfumaria. A preferência por produtos de menor valor é comprovada pelo levantamento feito pela da Alshop. O setor de perfumaria e cosméticos foi o que mais cresceu (18%), seguido pelo segmento de óculos, bijuterias e acessórios (17%). A decepção, segundo o presidente da Alshop, Nabil Sahyoun, veio dos artigos de vestuário, que registraram um acréscimo de apenas 2% nas vendas.

O aumento do preço do algodão, na casa de 20%, e a facilidade de viajar ao exterior e comprar roupas com preços mais em conta explicam esse resultado. "Hoje os brasileiros estão no terceiro lugar no ranking dos que visitam os Estados Unidos", observa Sahyoun.

Até mesmo os produtos eletrônicos, com a novidade dos tablets, e os eletrodomésticos, beneficiados pela redução do Imposto sobre Produtos Industrializados (IPI), não deslancharam como se esperava. Nesses dois segmentos, o aumento médio das vendas foi de 5%.

A maior procura por itens de menor valor fez o gasto médio oscilar entre R$ 150 e R$ 200 nos shoppings frequentados pelas classes de maior poder aquisitivo e entre R$ 20 e R$ 45 nos shoppings populares.

Ano. Apesar do desempenho modesto do Natal, a Alshop divulgou as vendas do ano, que cresceram 12% em termos nominais e 6%, descontada a inflação do período. Segundo dados da Alshop, 60% desse desempenho foi obtido no primeiro semestre. Com o acirramento da crise financeira internacional, o quadro mudou a partir de setembro.

segunda-feira, 26 de dezembro de 2011

"O estouro da bolha imobiliária em mercados emergentes seria mais severa e mais longa"

"O estouro da bolha imobiliária em mercados emergentes seria mais severa e mais longa".

A frase acima é de William Gamble ( seu curriculum aqui  http://www.emergingmarketstrategies.com/about-william-gamble.html, presidente do "Emerging Market Strategies"  (ver http://www.emergingmarketstrategies.com/)

Veja o artigo completo de William Gamble publicado na "Moneylife"




http://www.moneylife.in/article/foreclosure-after-real-estate-bubbles-burst-in-ems/22437.html

Foreclosure after real estate bubbles burst in EMs
December 26, 2011 08:11 AM |  
William Gamble

A burst real estate bubble in emerging markets would be far more severe and would last much longer. The reason is simple. The legal plumbing in these countries, including foreclosures and bankruptcy laws, is either deficient at best or nonexistent at worst

It took some time, but they are finally beginning to get it. Leading financial analysts, money managers and economists have commenced to comprehend that real estate bubbles in many emerging markets could crash. The Nobel Laureate economist Paul Krugman wrote in his New York Times column that China was another emerging danger as its credit fuelled real estate bubble burst. The same concept has at last dawned on hedge funds A hedge fund owned by the famous private equity firm Carlyle sent an elite strike team to do a “deep-dive research trip” to China. It won’t help. They might find what is, but they have no idea of what is to be.

To find out we have to look at what was. The US state of Texas had a real estate bubble in the late 1980s. When the bubble collapsed, banks were stuck with massive bad real estate loans. To solve the problem the US created one of the first “bad banks”, the Resolution Trust Company (RTC). The banks transferred the bad loans to the RTC along with the job of foreclosing on and selling the property.

The RTC tried to do its job, but was stopped when local real estate interests complained loudly that sales of foreclosed property were depressing the market. When the RTC stopped selling, the market froze. The buyers stopped buying, because they knew the RTC would eventually have to clear its inventory. After a time economics overcame politics and the sales restarted.

Today the US has a similar problem. Almost 30% of houses sold in the US in 2011 were the result of foreclosures. Over 3 million homes have been foreclosed since the real estate market collapsed. But the market still has not cleared. Although many of the foreclosed homes do get sold, they make up less than one-third of the houses that the banks actually repossess. The banks are slowly leaking these properties on to the market, because they are terrified that too much distressed inventory would depress prices further. The result is that the recovery has been slow. But at least the process is going forward, which is a lot better than nothing at all.

The US is not the only country that has experienced a real estate bubble. The easy credit sloshing around emerging markets has had a dramatic effect on property. Luxury homes in Mumbai and Singapore have increased by 138% and 144% respectively over the past five years. Real estate in India grew 400% from 2003 to 2008 before the crash and now in some places it is 30% higher than its 2008 peaks.

Prime office rents in Rio de Janeiro are higher than anywhere in either North or South America including New York. House prices in Sao Paulo have nearly doubled since 2008. Some areas of Rio’s fashionable Ipanema district have risen over 30% since last year.

Then there is China. Home prices in Beijing have risen by about 150% in the past four years. Like India, they have increased 400% since 2001. Beijing theoretically began to tighten lending especially to real estate two years ago, but their efforts have not been rewarded until the last few months when property prices started to decline.

Contrary to some true believers, all markets go down as well as up, even emerging markets. Prices are beginning to fall and the falling prices have begun to accelerate.

The consequences of a real estate bust in emerging markets would create quite a different situation than the real estate bust in developed markets. The rules are much different and so would the outcome. A burst real estate bubble in emerging markets would be far more severe and would last much longer.

The reason is simple. The legal plumbing in these countries, including foreclosures and bankruptcy laws, is either deficient at best or nonexistent at worst. There isn’t even information on it. Despite diligent search in all financial news sources and general internet search, I have found few if any references to emerging market foreclosures.

Many economists like to point out that mortgage lending in these countries is still quite small and often requires large down payments. True, but it has been growing at 20% a year in places like India. In China bank-financed construction makes up twice the percentage of the gross domestic product (GDP) as it does in developed countries.

For a country to grow after the crash of a real estate bubble, the market has to reach equilibrium. To do so requires that over priced homes with delinquent mortgages have to be foreclosed and sold. If the procedure for foreclosure doesn’t exist, then the entire economy gets stuck with massive dud loans and zombie banks as occurred for over a decade in Japan. So when the emerging markets collapse, the recovery will take years.

(The writer is president of Emerging Market Strategies and can be contacted at william@emergingmarketstrategies.com or w.gamble@alrroya.com).





sábado, 24 de dezembro de 2011

‘Esse negócio vai acabar mal. Só não sabemos quando e onde’, diz Stuhlberger, do "Credit Suisse-Hedging-Griffo"

Muito boa a entrevista de Luiz Sthulberger, principal gestor do "Credit Suisse-Hedging-Griffo" no Brasil ao jornal "O Estado de São Paulo".

A frase do título do post é um resumo do que ele pensa acerca do que vivemos no mundo e aqui.

Veja abaixo:

http://economia.estadao.com.br/noticias/economia,esse-negocio-vai-acabar-mal-so-nao-sabemos-quando-e-onde-diz-gestor,97215,0.htm


‘Esse negócio vai acabar mal. Só não sabemos quando e onde’, diz gestor
Para Luís Stuhlberger, desfecho da crise europeia causará grande perda de riqueza no mundo
24 de dezembro de 2011 | 17h 05

Leandro Modé, de O Estado de S. Paulo


SÃO PAULO - O semblante tranquilo engana. Luís Stuhlberger, considerado um dos melhores gestores de recursos do Brasil, está preocupado com o desfecho da crise global. "Esse negócio vai acabar muito mal. Nós só não sabemos onde nem como. Porque não há precedentes, não há previsibilidade", afirma, em entrevista exclusiva ao Estado.

Stuhlberger conquistou sua reputação principalmente por causa do trabalho à frente dos fundos da família Verde, destaque de rentabilidade na empresa criada e administrada por ele, a Hedging-Griffo (desde 2006, Credit Suisse Hedging-Griffo, após a venda de metade do capital para o banco suíço). Neste ano, o fundo rendeu pouco acima do CDI, taxa de juros de referência no mercado financeiro. "Num ano em que a bolsa cai tudo isso (mais de 15%), a gente está no CDI. Acho que meu papel está ok. Nossos clientes estão felizes."

A análise de Stuhlberger sobre o Brasil é dividida em duas partes. No curto prazo, afirma, tudo vai bem. "Mas há sinais de que algo está errado. Imóvel está caro, nosso Big Mac é o mais caro do mundo, nosso Corolla é o mais caro do mundo, a nossa arte está ficando a mais cara do mundo", exemplifica. "Nada disso surpreende a presidente Dilma (Rousseff). O duro é, dentro desse sistema político que vivemos, consertar." A seguir, os principais trechos da entrevista, dividida por tópicos:

O fim de um modelo

"Desde o fim da Segunda Guerra, não há algo assim. É de uma gravidade e incerteza bem maiores do que os mercados hoje apontam. No pós-Segunda Guerra tivemos crises, claro, mas não são crises de esgotamento de modelo em escala global. A síntese é essa: o esgotamento de um modelo em escala global. Com a queda do comunismo, sobraram o capitalismo, a social-democracia e o regime asiático - que é uma ditadura consentida. A social-democracia (modelo em xeque) domina cerca de 90% do mundo."

Alternativas

"Nunca entendi como a Europa e os Estados Unidos poderiam, no longo prazo, ser iguais, visto que um gasta 50% do PIB e o outro, 30%. O mercado demorou a se dar conta disso. Mas, quando aconteceu, em alguns meses, a social-democracia entrou em colapso. Isso acontece porque a social-democracia prometeu muito. E as futuras gerações não vão conseguir entregar. Do que estamos falando? Trabalhar pouco. É um sonho. Quem de nós não quer trabalhar 30 horas por semana, ter férias de dois, três meses, licença-maternidade de um ano, emendar todos os feriados e, mais ainda, que o governo dê tudo? Todos querem. O problema é: quem vai pagar? E não estou falando de algo escrachado como a Grécia. Falo de França, Itália e Espanha. Temos hoje milhões de discussões que, ao final, não nos deixam enxergar o problema central: muito gasto do governo, pouco incentivo à produtividade e um sistema eleitoral que mostrou que nem mesmo novos governantes são capazes de resolver os problemas."

Vai acabar mal

"Você tem de pensar em gestão de recursos sabendo que esse negócio vai acabar muito mal. Nós só não sabemos onde nem como. Porque não há precedente, não há previsibilidade. Algo de riqueza terá de ser destruído para preservar o resto. Não há ganhadores. Há quem perde menos. Aqui não se trata de escolher entre o ótimo e o bom, mas entre o ruim e o péssimo. Eu fico pensando o tempo inteiro, porque isso é colapso de modelo. É o colapso de um negócio que deve US$ 3 trilhões ou US$ 4 trilhões e o sistema não tem como pagar. Além de tudo, o sistema, mesmo não pagando, não tem como continuar assim. Então, o que será da humanidade?"

O gestor nessa conjuntura

"Se eu consigo saber o fim da estrada, que será um desastre monumental, por que eu não sei o meio da estrada? Aliás, nem eu nem ninguém. Parto de algumas premissas das coisas que tenho mais certeza para outras que tenho menos certeza. A primeira coisa clara para mim é que, de alguma forma, sempre quem paga a conta é o dinheiro. Isso não quer dizer que é para comprar ouro, que não vai resolver. Dinheiro sempre é o que perde mais porque é papel. A outra conclusão é que o euro vai ser o grande perdedor - mas ainda não sei quem vai ser o vencedor. A terceira conclusão é que os bancos europeus, no geral, vão ter de ser estatizados. Não quebra ninguém. A quarta conclusão - e essa é binária - é que ou o euro acaba (e sobram 17 moedas nacionais) ou haverá uma monetização (ou seja, impressão de dinheiro pelos governos). Mas esses são dois caminhos totalmente opostos e suas consequências no mercado, também. Temos, portanto, cenários que são ‘isso e aquilo’ e cenários que são ‘isso ou aquilo’. Então, tento começar a comprar opções. Onde eu posso estar muito errado? Esse negócio ficar em conta-gotas por meses. É que, nesse cenário, você compra seguro e acaba perdendo o prêmio. Quem ganha é a seguradora. O raciocínio de gerir dinheiro é baseado em certezas, timings, coisas binárias."

Nave espacial ou Titanic

"90% do dinheiro do mundo que sobra está com menos de 1% das pessoas. Um bilhão de pessoas têm até R$ 200 mil no banco. Essas pessoas têm seus recursos protegidos pelo governo. Mas quem tem muito dinheiro vai perder. A questão é que esse processo não necessariamente ocorrerá amanhã nem vai ser rápido. Poucas vezes na minha vida me vi tão extremamente em dúvida. Não quer dizer que estou inativo. Mas, às vezes, acho que estou no comando da nave espacial que vai para o sol, às vezes acho que estou no comando do Titanic. Fico extremamente angustiado pela dificuldade natural desse processo, pois nunca vimos isso."

Perder menos

"Estou olhando o patrimônio das famílias que confiam em mim - 5 mil ou 6 mil famílias, com patrimônio de R$ 15 bilhões - e tentando, honestamente, perder menos. Perder menos não quer dizer perder menos em real, perder menos olhando o bom cenário. (No Fundo Verde), estamos um pouco acima da taxa Selic (juro básico da economia) porque ganhamos um dinheirão na renda fixa e no câmbio, mas perdemos 6%, 7% na bolsa. Conseguimos na renda fixa exatamente o que o CDI comeu da bolsa. Então está bom. Num ano em que a bolsa cai tudo isso, a gente está no CDI. Acho que meu papel está ok. Nossos clientes estão felizes. Em dezembro de 2008, escrevi que tínhamos a chance de uma vida para comprar ações. Deu certo. Em 2009, subiu 100%. Desta vez, eu não acho isso. Não quer dizer que seja um cenário de possibilidade zero."

Lições para o Brasil

"O que está acontecendo é importante para o Brasil. Não agora, quando sofremos menos, estamos crescendo, com dívida baixa. Mas é uma lição boa porque está acontecendo antes que seja tarde demais. A gente vai ter essa experiência de colapso de modelo para dizer: precisamos fazer reformas, temos de ganhar competitividade. Graças a Deus, a Argentina estourou em 2001 - quando o Lula entrou -, que o Brasil não seguiu o caminho da Venezuela. O Brasil evoluiu. Começou com Fernando Henrique Cardoso e o PT do Lula e da Dilma foi aprendendo. Governos têm de ser impopulares. Se todo mundo gosta de você, significa que você está fazendo algo muito errado. É impossível agradar a todos. Outra coisa que Lula e Dilma aprenderam com Fernando Henrique: é melhor não fazer nenhuma reforma e o País crescer 3% ao ano do que fazer a reforma, que é duro e dá briga, crescer 6%, mas quem vai ganhar é o outro. Isso reflete o espírito com que o Brasil é governado. O medo do confronto para um futuro melhor. Em resumo, o governo brasileiro ajeita aqui e ali, mas, na verdade, a gente tem um ciclo de desenvolvimento endógeno baseado em 15,20 anos de inflação estável, âncora cambial, avanço do crédito e melhores práticas que nos levaram até US$ 12 mil de PIB per capita. Mas, para ir a US$ 30 mil, tem de mostrar a que veio."

Maus sinais

"O Brasil está bem, mas há sinais de que algo está errado. Exemplos: imóvel está caro, nosso Big Mac é o mais caro do mundo, nosso Corolla é o mais caro do mundo, a nossa arte está ficando a mais cara do mundo. As vendas no varejo estão crescendo muito acima da indústria de transformação. A balança comercial mostra que a indústria de transformação passou de um superávit de US$ 25 bilhões para um déficit de US$ 43 bilhões em quatro anos. A razão investimento/consumo mostra o Brasil como um dos piores do mundo. O investimento público também é um dos mais baixos do mundo. Nossa previdência é a pior. A Alemanha gasta como a gente, mas tem 19% da população idosa. Nós temos 8%. Esse dinheiro está sendo usado para o Lula ter 90% de popularidade. Há ainda o sistema tributário e a inflação, que só não está pior porque os bens duráveis estão com os preços estáveis. O Lula tinha uma noção intuitiva disso porque é um político. Mas a Dilma tem perfeita noção. Nada disso surpreende a Dilma. O duro é, dentro desse sistema político que vivemos, consertar. A Dilma é uma excelente presidente. Graças a Deus, pegamos uma pessoa preparada, que sabe os desafios que têm pela frente."

Mudanças necessárias

"Este ano, a indústria caiu em si: com o dólar entre R$ 1,60 e R$ 2, estamos ferrados. Estamos em uma armadilha de produtividade. Para isso, precisamos de mudanças profundas. Há outra parte disso que é cíclica, da qual o Brasil pode até sair melhor. Temos de manter macroprudenciais grandes e juro alto para combater a alta da inflação. (Guido) Mantega e (Alexandre) Tombini estão dizendo para a população: vocês correm maratona com 50 quilos nas costas. Vou trocar por uma mochila de 25 quilos. O Brasil tem isso para queimar. Só por esse lado, estaremos bem. Além disso, o Brasil tem soja, minério de ferro, algodão, petróleo, água, terra, um capitalismo de governo que não tenta ferrar o empresário - caso da Argentina e da Rússia. O Brasil entende que o capital precisa ganhar para dar retorno e emprego. Então, acho que estamos bem por alguns anos e ainda podemos melhorar muito. Dá para tirar muita mochila ainda. O problema é quando você estiver correndo pelado. Aí acabou o arsenal."

Selic x risco

"Tive um sócio que costumava dizer: é melhor ter lucro tributável do que prejuízo isento. Cuidado com essa história de ‘vamos ganhar mais’. Melhor ganhar 8% ao ano do que tentar ganhar 12% e fazer alguma besteira."

Fim da corrida do ouro

"A corrida do ouro acabou. Está subindo há 10 anos. Há algo que tenho convicção absoluta, só não sei o nível: a única coisa com que se vai perder menos são as ações de boas empresas. Não há outra coisa. Imóvel, arte, ouro. Há uma discussão enorme sobre quais são essas empresas, onde elas estão, etc. Estou falando, claro, como algo geral. Afinal, temos 30 setores em mais de 100 países. Não estou recomendando que as pessoas vendam suas casas e invistam em ações. Mas, quando a queda vier, atingirá tudo isso."

O que temos à frente para os mercados




O fechamento de ontem, sexta-feira, não foi muito diferente em relação ao que coloquei no último post que falo sobre o "TOPO TRIPLO" (ver http://pracompraroupravender.blogspot.com/2011/12/semana-passada-falei-aqui-sobre.html)
Na verdade, no fechamento, caracterizou-se, por ora, exatamente um  "topo triplo" em relação aos últimos 2 meses; 3 toques na faixa 12.250/12.300, diferente até mesmo do que ocorreu em maio-julho de 2011, onde houve ali, até mesmo na minha defesa do raciocionio do último post, uma diferença de 100 pontos de 1 dos topos para os outros 2 (lá houve o primeiro toque em 12.870 e depois 2 toques na faixa de 12.800).

E o topo triplo acontece com divergências baixistas de MACD e IFR14 períodos.

Nada diferente do que havia comentado aqui, e especulado 2 dias atrás.

Volto a dizer,  e com o VIX revisitando um forte suporte em 20, e com um volume para os mercados muito baixo, já em ritmo de final de ano.

Vamos acompanhar os mercados de agora em diante; alguns podem dizer que é um triângulo ascendente, com o a base superior do triângulo na faixa de 12.300.

Permita-me discordar dessa tese; o VIX dificilmente estaria no patamar onde está; deveria haver um toque na LTA na última pequena pernada de baixa, e isso não aconteceu e, finalmente, o volume deveria vir mais forte nos toques em 12.250/12.300.

Acho que hoje, a maior probabilidade é sim mergulharmos numa grande e fortíssima pernada de baixa que poderá levar o índice Dow Jones na faixa de 9.600/9.800 até final de janeiro-2012.

sexta-feira, 23 de dezembro de 2011

Sinal amarelo nas contas externas do Brasil

Muito bom o artigo de Patricia Mello, jornalista da Folha de São Paulo, sobre o estágio atual das contas externas do Brasil.

Abaixo reproduzo:


23/12/2011 - 07h02
Sinal amarelo nas contas externas


Durante este ano, ouvimos várias vezes autoridades do Banco Central tranquilizarem jornalistas ou analistas quando havia uma alta no deficit em conta-corrente: "Não há por que se preocupar, porque a totalidade do deficit é financiada por investimentos estrangeiros diretos, a forma mais estável e segura de recurso externo." Trata-se do investidor que vem e compra uma fábrica, ou injeta dinheiro em uma sociedade, e não vai tirar seu dinheiro daqui ao menor sinal de instabilidade.

Este ano, o deficit em transações correntes do Brasil deve chegar a US$ 53 bilhões, de acordo com a previsão do BC divulgada esta semana, o equivalente a 2,14% do PIB. Será inteiramente financiado por um investimento estrangeiro direto (IED) de US$ 65 bilhões.

Já no ano que vem, o deficit em conta-corrente vai subir para US$ 65 bilhões, ainda segundo a estimativa do BC. E o IED vai cair para US$ 50 bilhões, ou seja, insuficiente para cobrir o buraco.

Autoridades do BC, de novo, vieram a público dizer que não estão preocupadas. "As transações correntes são financiadas por uma série de contas, não apenas pelo IED", disse o chefe do departamento econômico do BC, Túlio Maciel.

Na prática, isso significa que vamos depender de capitais mais voláteis, como investimentos em ações e títulos, para fechar nossas contas. Esses capitais saem daqui mais facilmente diante de sinais de instabilidade ou crise. É arriscado depender muito desse tipo de investimento, sujeito aos famosos "sudden stops", as paradas bruscas, quando há uma reversão nos fluxos de capitais para emergentes.

Não que haja motivo para pânico, já tivemos deficits externos bem maiores. Em 2012, o deficit ainda estará num patamar considerado muito tranquilo por economistas para ser financiado --2,44% .

Mas um dos principais motivos para o aumento disso será a queda no superávit comercial. As exportações devem chegar a US$ 267 bilhões em 2012, com elevação de apenas 4,3% em relação a este ano. Já as importações deverão aumentar 7% e atingir US$ 244 bilhões. O resultado da balança deve cair de US$28 bilhões para US$ 23 bilhões.

Em ano de desaceleração mundial, é normal que as exportações cresçam menos. Mas o país vai sofrer ainda mais porque está cada vez mais dependente de commodities e semimanufaturados, cujos preços oscilam muito conforme o ciclo da atividade econômica. Com os manufaturados desempenhando um papel cada vez menor na nossa pauta de exportação, é hora de repensar o modelo.

quinta-feira, 22 de dezembro de 2011

"Topo triplo" e VIX empurrarão os mercados para o crash







Semana passada falei aqui sobre a semelhança do movimento atual em relação ao movimento de final de julho  (veja aqui nesse post http://pracompraroupravender.blogspot.com/2011/12/apenas-as-festas-salvarao-o-crash-dos.html)

Dentro desse raciocínio, havia alertado para a semelhança do topinho duplo em julho antes da forte queda com o topo concluído no final da semana passada (final de outubro com 15 e 16 de dezembro). Ou seja, a forte queda viria depois desse topo, ainda que de uma forma menos acentuada do que foi em agosto/2011, dadas as festas de final de ano.

No entanto, com o movimento dessa semana, ao que tudo indica, a semelhança será mais gritante ainda !

Vejam as minhas marcações acima

Estaríamos falando da semelhança de um "TOPO TRIPLO" , tanto em MAIO-JUL/2011, como agora, (OUT-DEZ/2011) !

Fiz as marcações com um ABC em MAIO-JUL/2011, e outro ABC, agora, em OUT-DEZ/2011.

Fica claro praticamente um topo triplo lá atrás, e agora, considerando ou não, que o mercado vá nos próximos 2-3 dias lá nos 12.280-12.300 novamente para o Dow Jones.

Tanto la atrás, como agora, as divergências baixistas de MACD são fortes, e as divergências baixistas de IFR 14 existem , porém não tão fortes.

Depois do terceiro topo (ponto C em julho-2011), houve uma queda forte, uma perda de 2.200 pontos do DOW em praticamente 15 dias úteis.

Tal cenário se torna mais provável se pegarmos o gráfico do SP500 , também destacado acima, onde ainda existe uma LTB curta a ser tocada.

Outro ponto que dá mais combustível a esse cenário é o gráfico do VIX.

Vejam acima que seu gráfico semanal , mostra o índice hoje fora das bandas bollinger, e numa zona de suporte historicamente fortíssima, que é a faixa de 20. Muito provável que a região de 20 seja o fundo do VIX nessa última pernada de baixa, e que, de agora em diante, o índice engate um movimento de alta em busca do seu topo de longo prazo, a região de 48; esse possível novo movimento de alta, certamente não combinaria com mercados de renda variável em alta.

3 sinais, 3 sinais muito fortes que "falam a mesma língua" às vésperas do final de ano.

6 dias úteis para o mercado americano (aqui no Brasil, não teremos pregão no dia 30/12) "esconder" o "pior". O Natal e o Ano Novo são dias "bons" pra esse tipo de coisa.


Brasil praticou um populismo fiscal, cambial e um keynesianismo juvenil

Artigo excelente de Cesar Maia publicado hoje em seu blog http://cesarmaia.blogspot.com/, (tem que efetuar o registro para ter acesso)

Cesar Maia é economista, foi secretário da Fazenda do governo do Estado do Rio de Janeiro na gestão Leonel Brizola (1982-1986), e Prefeito da Cidade do Rio de Janeiro por 3 vezes, em 1992, 2000 e 2004.

Entre outras questões levantadas, o populismo fiscal e cambial praticado pelo governo federal em 2010, assim como um keynesianismo, que ele classificou como "juvenil", ao longo da crise de 2008.

Cesar Maia, a despeito de não terminar seu último governo com altas taxas de aprovação, é um marco na política brasileira , principalmente no estado do Rio de Janeiro, talvez o maior depois de Carlos Lacerda e, com vozes contrárias aqui ou ali, uma referência lúcida, quando discutimos problemas econômicos locais e/ou mundiais.

Abaixo parte do texto :



1. O ano de 2011 foi um ano perdido para o governo federal, seja do ponto de vista político ou econômico. Do ponto de vista econômico, apesar de todos os indicadores internos e externos apontarem para um ano recessivo, o governo insistiu em manter um discurso otimista para criar expectativas. Só que ele mesmo se convenceu disso e manteve a simples rolagem da política econômica anterior. No final do ano, quando se deu conta que a situação era grave, é que vieram as medidas, mas de forma pontual e atabalhoada. Os fatos atropelaram o governo federal.
               
2. O crescimento de 7,5% produzido no ano eleitoral de 2010, a golpes de populismo fiscal e cambial, era insustentável. A inflação antecipou os fatos. Em nossas análises antecipamos isso desde o final de 2010 usando a renúncia do presidente do Banco Central como referência. Os fatos confirmaram as projeções. O Brasil, ao responder a crise de 2008 com medidas de keynesianismo juvenil, perdeu a oportunidade de investir em infraestrutura, reduzindo o "custo Brasil". A indústria brasileira perdeu competitividade e sua balança comercial saiu de um superávit de 18 bilhões de dólares em 2006 para um déficit de 80 bilhões de dólares em 2011. Quase 100 bilhões de dólares de "gap" em 5 anos. E a bolha de crédito só não estourou -ainda- pela rolagem da inadimplência.
             
3. O desembolso do BNDES para a Indústria em 2011 foi reduzido a menos da metade de 2010. O déficit em conta corrente subiu para quase 55 bilhões de dólares e as projeções do Banco Central para 2012 são de 65 bilhões de dólares, ou 3,5% do PIB, um dado semelhante a países europeus em crise. O PIB em 2011 não crescerá 3% e nos últimos meses o crescimento foi nulo. Para 2012, logo após a presidente oferecer números otimistas, o próprio Banco Central reduziu para números mais realistas.
             
4. No entanto, o impacto progressivo da crise europeia, com refluxo do crédito e retorno de capitais, leva 2012, na melhor hipótese, para o mesmo crescimento de 2011. O patamar inflacionário com que se trabalhou em 2011, no entorno de 7%, será mitigado pela própria recessão. Mas se o ano eleitoral levar a um novo açodamento keynesiano, nem isso se conseguirá. E uma incerteza adicional vem com a bolha chinesa de crédito e o arrefecimento da taxa de crescimento que, de uma ou outra maneira, afetará o crescimento das exportações brasileiras. A associação dos exportadores projeta, em 2012, um superávit comercial de apenas 3 bilhões de dólares. A crise internacional já se faz presente por aqui.



Natal magro, muito magro no Brasil







A desaceleração econômica forte em curso no Brasil é visível  até mesmo no período de Natal.

Emprego em baixa, endividamento alto da família brasileira, inflação persistente corroendo ainda mais o poder aquisitivo, enfim, uma conjunção de fatores que se somam para explicar o Natal magro do Brasil.

Veja abaixo a notícia; se nem o Natal é capaz de melhorar as vendas do comércio, imagine o que podemos esperar nos próximos 12 meses.

Há cerca de 3 meses publiquei aqui no blog um filme que mostrava em 6 minutos o cenário pré e pós "MILAGRE ECONÔMICO", do início dos anos 70 no Brasil.

Já havia alertado lá atrás sobre o perigo de caminharmos na mesma direção. Ainda é cedo para "cravarmos" que iremos pra lá; mas o fato é que, tantas aberrações foram praticadas pelo governo brasileiro nos últimos 4-5 anos, que as chances aumentam cada vez mais.

Acima reproduzirei esse filme novamente, e abaixo a matéria:


Fonte: Jornal "O Estado de São Paulo"




13º tem impacto pequeno nas vendas à vista
Apesar da expectativa do varejo, alta no movimento até agora foi de apenas 0,3%
21 de dezembro de 2011 | 23h 00

Márcia De Chiara, de O Estado de S. Paulo


SÃO PAULO - A segunda parcela do 13º salário, recebida na última terça-feira pelos trabalhadores, provocou uma pequena reação nas vendas à vista do comércio varejista. Temendo o encalhe de produtos, as lojas online já começaram a programar as liquidações pela internet após o Natal. Os descontos são de até 70%.

Dados da Associação Comercial de São Paulo (ACSP) indicam que até o dia 20, o número de consultas para compras pagas com cheque à vista ou pré-datado cresceu 0,3% na comparação com o mesmo período de 2010. Em relação à primeira quinzena do mês, que havia sido de estagnação, houve um acréscimo de 0,3 ponto porcentual.

"Sentimos alguma melhora na terça-feira. Como nossas lojas têm caixas eletrônicos de banco, vimos muitos consumidores sacando dinheiro para ir às compras", conta o diretor de Operações de Varejo das redes Extra e Pão de Açúcar, em São Paulo e no Paraná, Geraldo Monteiro.

Sem revelar números, o executivo diz que não vê sinais de desaquecimento e acredita que as metas de vendas serão superadas. De toda forma, a varejista decidiu dar um "empurrãozinho" nas vendas. Desde ontem, todos os hipermercados Extra em São Paulo vão funcionar 24 horas até o dia 23. Também a rede está oferecendo crédito em dobro para os clientes que têm o cartão Extra irem às compras.

Números da ACSP mostram que a procura por crediário está moderada e até teve uma desaceleração na taxa de crescimento, depois do pagamento da segunda parcela do 13º salário. Na primeira quinzena deste mês, as consultas para aprovação das vendas a prazo cresciam 1,9% na comparação com igual período do ano passado. O mesmo dado aferido até o dia 20 mostra uma alta menor, de 1,7% na comparação anual. 

"Quem recebeu a segunda parcela do 13º está mais cauteloso, optando pelo pagamento à vista, com cheque ou dinheiro, e até está pedindo desconto", diz o economista da ACSP, com base em relatos feitos por lojistas.


Dívidas da UE que vencem em 2012 somam 1,351 tri


A pressão sobre os países endividados no início de 2012 na notícia abaixo.

Fonte: Jornal "O Estado de São Paulo"

http://economia.estadao.com.br/noticias/economia%20internacional,dividas-da-ue-que-vencem-em-2012-somam-1351-tri,96929,0.htm


Dívidas da UE que vencem em 2012 somam 1,351 tri
Desse total,  486 bi estão concentrados no primeiro trimestre; Itália lidera os vencimentos
21 de dezembro de 2011 | 23h 00


SÃO PAULO - Os países problemáticos da zona do euro, que já enfrentam dificuldades de financiamento com o aumento substancial no retorno que têm de pagar para vender seus bônus, terão meses difíceis pela frente. Em 2012, os vencimentos de dívidas soberanas dos principais países do bloco somam € 1,351 trilhão. Desse total, € 486 bilhões estão concentrados no primeiro trimestre do ano.

Os dados são de um relatório do Deutsche Bank, que considera os vencimentos de bônus e cupons, além dos títulos com vencimento inferior a um ano, das dívidas da Alemanha, França, Itália, Espanha, Holanda, Bélgica, Grécia, Áustria, Portugal, Finlândia e Irlanda.

A agência de classificação de rating Fitch disse que as dívidas com vencimento de médio e longo prazos na UE-15 terão alta anual de 19% em 2012. "As necessidades de refinanciamento são parte crescente das necessidades anuais de empréstimo para os governos europeus, após a acumulação de grandes estoques de dívidas públicas nos últimos anos", disse Douglas Renwick, diretor sênior da equipe de ratings soberanos da Fitch.

A expressão UE-15 refere-se aos 15 países originais do bloco: Áustria, Bélgica, Dinamarca, Finlândia, França, Alemanha, Grécia, Irlanda, Itália, Luxemburgo, Holanda, Portugal, Espanha, Suécia e Reino Unido.

Em 2012, o país com o maior volume de vencimentos de bônus é a Itália, com € 371 bilhões ao longo do ano. Em seguida vem a França, com € 309 bilhões, seguida da Alemanha, com € 249 bilhões. A Espanha precisa pagar € 145 bilhões.

O período mais crítico para os países da zona do euro, cujos governos enfrentam dificuldades de financiamento desde o início da crise grega, em meados de 2009, será o primeiro trimestre. Somente em fevereiro de 2012 os vencimentos de dívida da Itália somam € 63 bilhões. Para a Espanha, uma das maiores concentrações é em abril, quando vencem € 26 bilhões em dívidas.

Muralha. No relatório, o Deutsche Bank afirma que as operações de refinanciamento de longo prazo anunciadas em dezembro pelo Banco Central Europeu (BCE) devem ajudar os bancos a enfrentar uma "muralha de resgates" de dívidas corporativas em 2012, que totaliza € 578 bilhões. Desse total, € 268 bilhões vencerão no primeiro trimestre.

Em relação à "muralha de resgates" de bônus soberanos, porém, essas operações de liquidez não serão uma "bala de prata", alerta o banco alemão. Ao estender o limite das operações de liquidez para três anos, afrouxando também as exigências de colaterais para esses empréstimos, "o BCE deu um incentivo para os bancos comprarem ‘na barriga da curva’, dando alívio substancial para as condições de liquidez dos bônus soberanos".

O benefício, entretanto, não é igual para todos. Na Espanha, os problemas começaram nos bancos e afetam os mercados de bônus soberanos, enquanto na Itália o caminho é inverso: o estresse tem origem no mercado de bônus soberanos e afeta os bancos.

A análise do Deutsche Bank é comprovada pelos últimos leilões de bônus de Espanha e Itália, após as medidas do BCE. Em leilão realizado terça-feira, a Espanha vendeu € 5,64 bilhões em títulos de três e seis meses, acima da quantia pretendida e com forte queda nos retornos em relação à emissão anterior. Já no último leilão da Itália, no dia 14, o país vendeu o máximo pretendido na emissão de um bônus de cinco anos, mas pagou o maior retorno desde a implementação do euro, em janeiro de 1999.

quarta-feira, 21 de dezembro de 2011

VIX cada vez mais "interessante"






VIX fez nova mínima hoje, e se aproxima de um divisor importantíssimo nos últimos 2 anos, a  faixa de 20.

E se aproxima com o IFR na casa dos 33, que é um IFR muito "sobrevendido" para o índice; vejam que nos últimos 2-3 anos, mesmo quando o índice VIX fica sobrevendido, dificilmente ele vai abaixo de 34-35.
Portanto, VIX vai dando sinais interessantíssimos de que os mercados de renda variável estão num ponto muito próximo de inflexão.

Quanto ao DOW JONES, mercado bateu nos 12 k, e foi novamente testar a máxima de ontem, praticamente rompendo a LTB curtinha.
SP500 ainda não rompeu uma LTB um pouco menos curta.

De olho no topo do DOW JONES em 12.280 no curtíssimo prazo, e na LTA maior que, de todos os sinalizadores, me parece o mais determinante agora.

106 bi Euros ou 442 bi Euros ? Ou seria 1 tri Euros ?

Mais uma vez lá foi o BCE emprestar num prazo de 3 anos mais dinheiro para o mercado.

442 Bilhões de Euros !! Sim !! para "apenas" 523 bancos !

A maior operação de refinanciamento de longo prazo da história do BCE, segundo seu informe.

O que mais me deixa intrigado, é que há cerca de 1 mês, em notícia veiculada aqui no blog (ver  http://pracompraroupravender.blogspot.com/2011/12/um-pequeno-erro-da-eba-apenas-um.html), a EBA ( European Banking Authority)  havia dito que, já depois de errar anteriormente, a necessidade dos bancos europeus era de cerca de 106 Bilhões de Euros para "ajustes de alavancagem."

Afinal, qual o tamanho do buraco negro  ? Alguém sabe o tamanho disso ?

Veja a notícia do empréstimo de hoje abaixo:

Crédito : Jornal "O Estado de São Paulo" /Agência Dow Jones

http://economia.estadao.com.br/noticias/economia,bce-empresta-o-valor-historico-de-%E2%82%AC-489-bi-a-bancos-europeus,96795,0.htm


BCE empresta o valor histórico de € 489 bi a bancos europeus
Operação de liquidez de longo prazo supera as expectativas dos analistas, em um sinal de que as instituições financeiras preveem falta de financiamento em 2012


O Banco Central Europeu (BCE) alocou € 489,191 bilhões na primeira de duas bastante esperadas operações de liquidez de longo prazo, superando as expectativas da maior parte dos analistas, em um sinal de que os bancos esperam que outras fontes de financiamento continuem apertadas durante 2012. O resultado alimentará a esperança de que os bancos usem os recursos para sustentar os mercados de bônus da zona do euro, embora alguns analistas avaliem que a medida pode ter efeito limitado.

O BCE informou que distribuiu os empréstimos de três anos, que são a operação mais longa já oferecida pela instituição, entre 523 bancos. O volume distribuído foi o maior da história para uma operação de refinanciamento de longo prazo (LTRO, na sigla em inglês), superando o recorde anterior de € 442 bilhões atingido em junho de 2009 em um leilão de um ano.

Em uma operação separada de refinanciamento de três meses, ou 98 dias, o BCE alocou € 29,74 bilhões para 72 bancos.

Muitos analistas esperavam que a demanda pela operação de três anos excedesse € 300 bilhões, já que os bancos estão tentando garantir recursos de longo prazo em meio ao aprofundamento dos obstáculos no mercado interbancário. A segunda operação de três anos do BCE será feita em 29 de fevereiro de 2012. As informações são da Dow Jones.


terça-feira, 20 de dezembro de 2011

A Bolha imobiliária no Brasil começa a estourar ?

São Paulo começa a dar sinais de cansaço na venda de imóveis novos.

Veja notícia abaixo:

Crédito: Agência Brasil, com reprodução da "Revista Exame"

http://exame.abril.com.br/economia/noticias/venda-de-imoveis-novos-cai-37-7-em-sp-em-outubro-diz-secovi




Venda de imóveis novos cai 37,7% em SP em outubro, diz Secovi
No acumulado do ano, considerando o período de janeiro a outubro, a redução foi 20,8%, em comparação a igual período do ano anterior

São Paulo - A venda de imóveis residenciais novos na cidade de São Paulo somou 2.017 unidades no mês de outubro, o que representa queda de 37,7% em relação às 3.237 vendidas em setembro, segundo o Sindicato da Habitação de São Paulo (Secovi-SP) . No comparativo com o mesmo mês de 2010, quando foram vendidas 3.034 unidades, a queda foi 33,5%.

Do total de imóveis comercializados, 54,1% têm três quartos e 29,4% são residências com dois dormitórios. No que se refere à área útil, 39,5% se concentram na faixa entre 46 metros quadrados (m²) e 65m².

No acumulado do ano, considerando o período de janeiro a outubro, a redução foi 20,8%, em comparação a igual período do ano anterior. O total de imóveis comercializados na cidade de SP chegou a 21.890 nos dez meses deste ano, ante 27.639 vendidos no ano passado.

Segundo o economista-chefe do Secovi-SP, o volume de unidades comercializadas este ano deve ficar abaixo do registrado em 2010. “O mercado mudou, inclusive de perfil, com a diversificação de produtos. Voltaram a ser produzidos imóveis para o segmento tradicional, que abrange a classe média alta e o exigente mercado emergente, o que reduz a oferta de unidades por empreendimento”.

Apesar do movimento de queda nas vendas, o número de lançamentos residenciais foi maior em outubro em relação a setembro. Foram disponibilizadas 3.215 unidades na capital paulista, contra 2.739 no mês de setembro, o que representa uma alta de 17,4%. Em relação ao mesmo mês de 2010, houve queda de 39,4% no número de imóveis lançados.

Sem perder o foco....











Acima , alguns pontos interessantes.

Lá foi o Dow Jones novamente para a faixa de 12.000 pontos depois de perdida com certa folga.

A primeira impressão de que o mercado iria testar a LTA curta, antes de fazer o pullback nos 12 k, não se concretizou.
O mercado não foi na LTA, talvez , por considerar a faixa de 11.600-11.700 mais importante, asssim como já tinha sido em junho-julho últimos. Caso o teste fosse na LTA, o mercado iria abaixo de 11.600.

Bem........O mercado foi, rompeu, e fechou em 12.100. Praticamente em cima da LTB de que eu havia alertado ontem; ainda dentro de um pequeno triângulo formado pela LTA, e pela LTB.
Alguns rompimentos que aconteceram ultimamente têm se caracterizados por falsos rompimentos; portanto, ainda que rompa, o mais importante divisor ainda passa a ser 12.280.
Até porque, como visto acima, uma LTB para o SP500 passa um pouco mais acima.

Não podemos esquecer de fazer a análise fria conjugando outros gráficos, como o VIX e, do ponto de vista mais fundamentalista, a LIBOR e TED, que continuam a sinalizar mercado interbancário podre.

O VIX testou os 22,50, um suporte forte, como eu disse ontem.

Caso queiramos olhar VIX e Dow Jones apenas, um bom parâmetro para uma inflexão de direção nesse momento, ou é representado pelo 22.50 de hoje, ou o patamar de 20, para o VIX.

Em resumo, minha visão acerca dos mercados não mudou; essa região, praticamente delimitada pelos triângulos do Dow Jones e SP500 (LTA e LTB), definirá a direção para os mercados, e a minha percepção é de um mercado se preparando para um crash, provavelmente a ser "startado" na primeira semana de janeiro.


Quanto ao Bovespa, me parece que o teste na linha de retorno daquela LTA perdida pode ser considerado a máxima de hoje, ou um pouco mais acima em 57.000 /57.200, como destacado acima.

No índice alemão DAX,  a LTB ainda está intacta e distante.

Déficit em conta corrente no Brasil em novembro é o maior em 64 anos

E o balanço de pagamentos no Brasil continua a emitir sinais de piora ....

Veja notícia abaixo:


Crédito: Agência Estado

http://economia.estadao.com.br/noticias/economia,deficit-em-conta-corrente-soma-us-68-bi-em-novembro-e-e-o-maior-em-64-anos,96621,0.htm



Déficit em conta corrente soma US$ 6,8 bi em novembro e é o maior em 64 anos


O resultado mês e o acumulado do ano (US$ 45,8 bi) vieram acima do desempenho em igual período de 2010
20 de dezembro de 2011 | 10h 58

Adriana Fernandes e Fernando Nakagawa, da Agência Estado
O déficit na conta de transações correntes registrado no mês de novembro, de US$ 6,8 bilhões, é recorde histórico para todos os meses, informou nesta terça-feira, 20, o chefe do Departamento Econômico do Banco Central (BC), Túlio Maciel. A série histórica do BC é de 1947.

Segundo Maciel, o resultado negativo ficou maior que os US$ 5,5 bilhões previsto anteriormente pelo BC. Os motivos, disse ele, estão ligados a um desempenho mais desfavorável da balança comercial e a remessas maiores de lucros e dividendos.

"Houve um aumento importante de máquinas e equipamentos e veículos", disse. Já a remessa de lucros e dividendos em novembro, de US$ 4,207 bilhões, foi acentuada e o valor é recorde para o mês de novembro. A remessa de lucro e dividendos em 12 meses até novembro, de US$ 38,770 bilhões, também é recorde.

O déficit acumulado ficou em US$ 45,830 bilhões de janeiro a novembro, o equivalente a 2,03% do PIB. Os resultados apresentados são piores do que os verificados há um ano, já que novembro de 2010 teve déficit de US$ 4,735 bilhões, enquanto o acumulado de janeiro a novembro foi negativo de US$ 43,865 bilhões. No ano, porém, o investimento estrangeiro vai cobrir o déficit em conta corrente.

Segundo o BC, o resultado de novembro foi gerado pela contribuição positiva de US$ 583 milhões da balança comercial, valor anulado completamente pelo déficit de US$ 2,831 bilhões da conta de serviços e pela saída de dólar de US$ 4,740 bilhões da conta de rendas. Houve ainda transferência unilaterais de US$ 185 milhões em novembro.

2012

O rombo das contas externas terá forte aumento em 2012, segundo novas previsões do BC. Pelas estimativas do BC, o déficit em transações correntes do País com o exterior deverá ter um aumento de US$ 12 bilhões, passando de um déficit previsto de US$ 53 bilhões em 2011 para US$ 65 bilhões em 2012.

Por outro lado, o BC prevê um recuo de US$ 15 bilhões nas estimativas de ingresso de investimento estrangeiro direto (IED) no País, saindo de uma previsão de US$ 65 bilhões em 2011 para US$ 50 bilhões em 2012.

Pelas novas estimativas do BC, a balança comercial terá um superávit de US$ 5 bilhões a menos que em 2011, fechando 2012 com um saldo positivo US$ 23 bilhões. A previsão para exportações é de US$ 267 bilhões em 2012, ante US$ 256 bilhões em 2011.

As estimativas do BC para o saldo de importações em 2012 é de US$ 244 bilhões, o que representaria um recuo em relação à previsão de compras externas em 2011, de US$ 228 bilhões.

segunda-feira, 19 de dezembro de 2011

Brasil, um país à deriva..........


O titullo do post é, na verdade, um resumo do título do ótimo artigo, publicado na edição de 17/12/2011 no jornal "Folha de São Paulo, de MARCO ANTONIO VILLA, que  é historiador e professor do Departamento de Ciências Sociais da Universidade Federal de São Carlos (UFSCar).

Marco Antônio destaca vários pontos que tenho defendido aqui no blog sobre a inércia e a absoluta falta de ação do governo brasileiro frente a gravidade da crise em curso

PIOR !! Além de inação , o governo brasileiro joga mais lenha na fogueira, ao inchar o setor público, aumentar gastos, e praticar uma série de insanidades macroeconômicas, muitas delas, já expostas e discutidas aqui no blog.

VALE A PENA LER O TEXTO

Aqui, o texto total:  http://www.marcovilla.com.br/2011/12/um-ano-de-governo-dilma-um-pais-deriva.html

Abaixo, a reprodução "quase total" do artigo:



Um ano de Governo Dilma: Um país à deriva


Neste ano ficou provado, mais uma vez, que o presidencialismo de transação é um fracasso. A partilha irresponsável da máquina pública paralisou o governo.

A incapacidade de gestão -já tão presente no final da Presidência de Lula- se aprofundou. A piora do quadro internacional não trouxe qualquer tipo de preocupação para o conjunto do governo.

Algumas medidas adotadas ficaram restritas ao Ministério da Fazenda. Como se a grave crise internacional fosse simplesmente uma mera turbulência, e não o prenúncio de longo período de estagnação, especialmente da Europa, e com repercussões ainda difíceis de quantificar na economia Ásia-Pacífico.

O governo brasileiro mantém-se como um observador passivo, e demonstrando até certo prazer mórbido com os problemas europeus e com a dificuldade da recuperação dos Estados Unidos. Como se não pudesse ser atingido gravemente pelos efeitos de uma crise no centro do sistema capitalista.

Se é correto afirmar que o mundo está iniciando um processo de inversão das antigas relações econômicas centro-periferia, isso não significa que o Brasil possa suportar um lustro sem que ocorra uma reativação das economias americana e europeia.

A crise de 2008 -e a estagnação de 2009, com crescimento negativo de 0,3%- não foi suficiente para que o governo tomasse um rumo correto. Foi guiado exclusivamente pelo viés eleitoral de curto (2010) e médio prazos (2014). A inexistência de um projeto para o país é cada dia mais evidente. Nem simples promessas eleitorais foram cumpridas.

Nenhuma delas. Serviram utilitariamente para dar algum tipo de verniz programático a uma aliança com objetivos continuístas. Foram selecionadas algumas propostas, mas sem qualquer possibilidade de viabilização. Basta citar, entre tantos exemplos, o programa (fracassado) Minha Casa, Minha Vida.

O país está à deriva. Navega por inércia. A queda da projeção da taxa de crescimento é simplesmente uma mostra da incompetência. Mas o pior está por vir.

Não foi desenvolvido nenhum plano para enfrentar com êxito a nova situação internacional. Tempo não faltou. Assim como sinais preocupantes no conjunto da economia e nas contas públicas.

A bazófia e o discurso vazio não são a melhor forma de enfrentar as dificuldades. É fundamental ter iniciativa, originalidade, propostas exequíveis e quadros técnicos com capacidade administrativa, mas o essencial é mudar a lógica perversa deste arranjo de governo.

Dizendo o óbvio -que na nossa política nem sempre é evidente-, o objetivo do governo não é saciar a base de sustentação política com o saque do erário, como vem ocorrendo até hoje. Deve ter um mínimo de responsabilidade republicana, pensar no país, e não somente no projeto continuísta.

Contudo, tendo como pano de fundo o primeiro ano de governo, a perspectiva é de imobilismo. Algumas mudanças nos ministérios devem ocorrer, pois o desgaste é inevitável. Nada indica, porém, uma alteração de rumo ou uma melhora na qualidade de gestão. A irresponsabilidade vai se manter. E caminhamos para um 2012 cinzento.

MARCO ANTONIO VILLA é historiador e professor do Departamento de Ciências Sociais da Universidade Federal de São Carlos (UFSCar).